* Por Exame.com 

A crise do coronavírus não foi ruim para todas as startups. A rede social chinesa TikTok, que já vinha em uma crescente antes da pandemia da covid-19, colhe como nunca os frutos de seus vídeos rápidos e alto uso por jovens.

A ByteDance, dona do TikTok, já era a startup mais valiosa do mundo. A companhia terminou o ano valendo US$ 75 bilhões, segundo ranking calculado pela empresa de inteligência CB Insights, valor obtido após sua última rodada de investimentos, há dois anos.

agência Bloomberg publicou que, segundo fontes no mercado privado, o valor de mercado da empresa pode ter subido mais de 33% após vendas de ações recentes.

As fontes ouvidas pela Bloomberg afirmam que negociações podem ter chegado a avaliar a empresa entre US$ 105 e US$ 110 bilhões. Uma das fontes afirma ainda que a empresa chegou a ser negociada a US$ 140 bilhões.

Se confirmados os valores, a ByteDance seria também uma das empresas com maior valor de mercado privado na última década, superada apelas pelas também chinesas Alibaba, de varejo (e dona de nomes como o AliExpress) e seu braço financeiro, a Ant Financial Services, antiga Alipay, de serviços financeiros.

Em 2018, a ByteDance chegou a passar a Uber em valor de mercado. Isso aconteceu antes de a empresa de transporte por aplicativo sair da lista de startups ao abrir capital na bolsa, o que aconteceu no ano seguinte — hoje, a Uber vale na bolsa 58 bilhões de dólares.

Uma startup é considerada, na visão tradicional, uma empresa de tecnologia escalável e sem capital aberto ou mesmo sem ter nascido dentro de um grande grupo.

A título de comparação, a startup mais valiosa no Brasil é o banco digital Nubank, que passou a valer US$ 10 bilhões no ano passado. Na bolsa brasileira, a empresa mais valiosa é a Petrobras, que vale mais de R$ 252 bilhões (ou cerca de US$ 45 bilhões).

A alta do TikTok

A ByteDance tem investidores como General Atlantic, Sequoia e Softbank. A empresa chinesa, inclusive, é uma das apostas do Softbank para reduzir as perdas recordes em seus investimentos — que incluem nomes mais impactados pela pandemia, como Uber e WeWork.

O maior ativo da ByteDance é o TikTok, que tem mais de 800 milhões de usuários ativos. Parte do ânimo dos investidores no mercado privado pode residir da resiliência do negócio em meio à pandemia.

Só nos Estados Unidos, o número de usuários únicos usando a ferramenta foi de 27 milhões em outubro de 2019 para 52,2 milhões de pessoas em março de 2020, uma alta de 94%, segundo dados da empresa especializada em métricas digitais Comscore. Entre janeiro e março, a alta foi de 26%.

A ByteDance também é dona do agregador de notícias Toutiao, criado em 2012 e popular na China. A empresa conseguiu ser bem-sucedida mesmo sem apoio dos dois maiores conglomerados de tecnologia chineses, a Alibaba e a Tencent (dona de redes sociais o WeChat). Ambas costumam monopolizar novos serviços em redes sociais, internet e finanças digitais. A ByteDance conseguiu prosperar mesmo assim — primeiro entre os chineses, e, depois, ganhando o público ocidental.

Um dos maiores feitos da ByteDance foi ter conseguido levar sua popularidade para fora da China. A ferramenta terminou 2019 sendo o terceiro app mais baixado do mundo, com mais de 1,5 bilhão de downloads, à frente de Facebook e Instagram, potenciais concorrentes e que também têm ferramentas de vídeos curtos. O TikTok só perdeu em downloads para o WhatsApp e o Facebook Messenger, ambos do mesmo dono do Facebook.

* Por Carolina Riveira, por Exame.com