Desde o início da pandemia do novo coronavírus, várias organizações começaram a se mobilizar com o intuito de minimizar os impactos causados pela doença. Inúmeras soluções foram criadas neste meio tempo, tanto para auxiliar empresários, o setor de saúde e também a população em geral. Uma delas foi criada por alunos e colaboradores da Universidade Federal do ABC (UFABC), que possibilita a classificação de casos suspeitos e não suspeitos de covid-19 de pessoas em distanciamento social.

Chamada de “COVIData”, a plataforma coleta, por meio de um questionário, informações como sintomas de saúde do cidadão e sua localização. Os dados servem para análise da dispersão geográfica da doença na região do grande ABC e abrangem as sete cidades que compõem a região metropolitana de São Paulo (Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, São Caetano do Sul, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra).

As perguntas são baseadas em diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS). “A ideia partiu da necessidade de uma plataforma web e acadêmica que permitisse a identificação de casos suspeitos de infecção pelo vírus SARS-CoV-2 e com isso, possibilitar ações mais eficientes das prefeituras do grande ABC no combate à covid-19”, afirma Fernanda Almeida, professora do curso de Engenharia Biomédica da UFABC e coordenadora da plataforma COVIData.

O sistema possui uma parceria com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC e tem a colaboração de suas respectivas secretarias municipais de saúde. Segundo a docente, pessoas em todo o território nacional e até fora do país, estão acessando a plataforma. “Observando isso, estamos ampliando a abrangência da ferramenta e de formas de acesso para todos aqueles que querem utilizá-la e acompanhar seu quadro de saúde, com uma espécie de monitoramento virtual da covid-19”.

De acordo com Fernanda, a adesão tem sido gradativa e não solicita o cadastramento prévio para a sua utilização. “Cada vez mais a população do Grande ABC toma conhecimento da ferramenta, de sua importância e adere a sua utilização. Hoje, temos mais de 7.300 triagens armazenadas, uma média de 600 triagens por dia”, explica.

Dois relatórios com as triagens coletadas pela COVIData já foram disponibilizados e podem ser consultados por meio de acesso ao endereço eletrônico da plataforma na internet, na aba ‘Dados’. “A cidade de Santo André apresentou o maior número de casos suspeitos, mas isso é devido a maior adesão da população desse município”. Segundo dados do site, até esta sexta-feira (15), a cidade já possuía 588 casos suspeitos. Em segundo lugar, vem o município de São Bernardo do Campo, com 283 suspeitas da doença. Em último lugar, vem a cidade de Ribeirão Pires, com 17.

Como funciona o questionário?

Depois de acessar a página inicial da plataforma, o usuário deve concordar com os termos de privacidade e segurança. Em seguida, escolhe se vai responder sobre ele mesmo ou sobre outra pessoa.

As perguntas estão relacionadas à sintomas da covid-19, como febre, diarréia ou perda de paladar. Estão incluídos também questionamentos sobre doenças pré-existentes, como diabetes ou alguma cardiopatia, por exemplo. Sempre ao final de cada etapa, deve clicar em “Continuar” para confirmar as respostas.

Na plataforma COVIData, usuário insere os sintomas da covid-19.

Quem estiver respondendo ainda deve incluir idade, altura (em centímetros), peso (em quilos), CEP e gênero. Ao término do questionário, o sistema apresenta uma avaliação baseada nos critérios dos órgãos de saúde que informa ao usuário se ele possui suspeita de infecção ou não.

Como proceder após o término do questionário?

Caso o usuário seja identificado como suspeito de covid-19, a plataforma classificará essa suspeita em uma das três alternativas a seguir: suspeita leve (bandeira amarela), suspeita moderada (bandeira laranja) ou suspeita alta (bandeira vermelha). Se não tiver nenhuma suspeita, a bandeira será verde.

Ao final, o usuário tem a resposta do sistema de acordo com a bandeira correspondente.

A ferramenta ainda indica os estabelecimentos públicos de saúde mais próximos da localização do respondente, faz a ele recomendações baseadas no Ministério da Saúde e na Organização Mundial de Saúde (OMS) e abre a possibilidade desse indivíduo fazer um cadastramento, no qual ele responderá mais algumas questões.

“Esses cadastros serão repassados para as respectivas secretarias municipais de saúde, que tomarão as medidas de acordo com suas políticas públicas e estratégias de enfrentamento à pandemia”, destaca Fernanda.

Os questionários respondidos são armazenados em um banco de dados instalado no servidor da UFABC, de forma segura, assim como todos os sistemas da universidade. “Os dados estão sendo utilizados para pesquisa atualmente e serão utilizados para outras pesquisas em projetos que ainda estão em desenvolvimento”. No próprio site da COVIData, o usuário tem acesso aos projetos ativos desenvolvidos pela UFABC que têm o intuito de ajudar no combate ao coronavírus.

O Consórcio Intermunicipal Grande ABC iniciou na última quarta-feira (13) uma campanha de divulgação da ferramenta nas estações de trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) na região do ABC. Fernanda ressalta que ela deve aumentar, assim como a abrangência do sistema. “Temos a intenção de ampliar a plataforma COVIData para o acompanhamento de suspeitos pós-pandemia e para outras doenças”, finaliza Fernanda.