Em meio a tantas notícias difíceis, um segmento tem sido um alento para a retomada da economia e para segurar os empregos até o isolamento social passar: o e-commerce. De acordo com levantamento recente da Stackline, empresa de tecnologia voltada para o varejo, não apenas os consumidores estão comprando mais pela internet, mas seus comportamentos de compras também mudaram visivelmente – empresas que não tinham planos de digitalização para este ano – estão fazendo a transformação digital em tempo recorde.

“Se a pandemia do coronavírus acontecesse há 20 anos, por exemplo, o nosso risco humano seria muito maior e a retomada dos negócios mais lenta. A possibilidade de manter as vendas online tem sido a esperança de muitas empresas durante e após a quarentena”, explica Rafael Forte, country manager da VTEX Brasil – empresa líder em digital commerce na América Latina e a sexta maior do mundo.

Tempo recorde na digitalização de gigantes

As áreas que já estavam em ascensão, como alimentação, bebidas, cuidados pessoais, games e brinquedos foram as primeiras a sentirem o aumento do consumo online. Só para se ter uma ideia, um levantamento da Civic Science revelou que o número de pessoas que compraram alimentos online nos EUA saltou de 11% no início de março para 47% na semana do dia 22. O executivo, no entanto, alerta que a transformação digital irá atingir todos os segmentos.

“Do lado do consumidor, conseguimos perceber uma mudança no comportamento e a migração rápida para o comércio eletrônico, milhares de pessoas tiveram a primeira experiência de compra online nestes dias e devem repetir em breve. Do lado dos negócios, o gestor sabe que esta é a hora de tirar o projeto do canal online do papel. As grandes empresas estão fazendo a transformação que levaria 5 anos em 15 dias”. Na VTEX, por exemplo, estamos analisando diariamente, tendo que se adaptar a esse novo cenário para continuar atendendo nossos clientes espalhados pelo mundo todo. Nunca fomos tão próximos e tão produtivos”, comenta Forte.

O novo colaborador

O mercado de trabalho também mudou radicalmente da noite para o dia. Enquanto setores têm demitido em massa, a demanda de pessoal para a operação online cresceu. “O aumento do consumo digital vai impulsionar todos os elos da cadeia. Lojas virtuais, meios de pagamento, centros de distribuição e logística são segmentos que devem investir em contratações”, afirma Forte. Gigantes mundiais já estão à procura de profissionais. A VTEX, por exemplo, segue com vagas em aberto, modificando seu processo de contratação para o digital, oferecendo treinamento e acompanhamento dos novos colaboradores pela internet.

Profissões e tendências 

Para Rafael, a digitalização também mudará diversas profissões, como na área comercial, por exemplo. Cada vez mais, será importante o vendedor ser responsável pela experiência do consumidor, um consultor (social selling), que usará o meio digital para fazer a diferença na hora da venda. “O vendedor terá que ampliar seu escopo de atuação para se relacionar e fidelizar o cliente de modo a melhorar a experiência do consumidor. Se isso já era um pré-requisito importante, no pós-pandemia esta será uma característica de sobrevivência no mundo comercial”.

Segmentos que vão crescer pós-pandemia

Ainda de acordo com o estudo da Stackline, segmentos em destaque estão relacionados ao nicho de animais de estimação – pets, fitness e tecnologia, com produtos como monitores de PC. “Logo após a pandemia, o movimento ainda deve ser mais devagar em outros nichos, mas assim que a vida se normalizar, os e-commerces deverão representar uma parcela ainda maior no comércio eletrônico mundial”, explica Rafael.

Mesmo com o e-commerce em ascensão, vale lembrar que muitos segmentos estão sendo impactados diretamente, como por exemplo, o de malas e mochilas de viagens, além do nicho de câmeras fotográficas e de roupa formal, como ternos e vestidos de festa – ainda segundo estudo da Stackline esses setores tiveram queda de mais de 60% nas vendas. Por isso, reinventar-se com ações para engajar o público, além de usar a tecnologia como aliada, são alternativas para os lojistas impactados saírem ainda mais fortes da crise.

E-commerce fácil e democrático

Não são apenas os gigantes que estão se reinventando no contexto atual. Pequenas empresas estão buscando alternativas para continuar vendendo e podem entrar para o comércio eletrônico em poucos cliques.  “O pequeno empreendedor também terá que se adaptar ao novo cenário e ir para o mundo virtual. Há plataformas de e-commerce, como a Loja Integrada, em que o comerciante consegue abrir uma loja virtual sem custos e de forma simples. Ele pode continuar vendendo e expondo os produtos do seu estoque, mesmo com a porta da loja física fechada”, afirma.

Além disso, desde que o isolamento social começou, a empresa isentou a mensalidade para lojas que são do segmento de farmácias e itens de saúde e hospitalar, incentivando que tem um comércio físico desse nicho a vender pela internet. Outras iniciativas foram criadas pelos próprios colaboradores da empresa e ajudam comerciantes que tiverem suas vendas suspensas a criarem lojas virtuais, além de ações como o #BoraDoar, que reúne doações para diversas causas relacionadas ao combate da covid-19.