Por Exame.com

Dois diretores independentes da WeWork entraram com uma ação contra o grupo japonês SoftBank nesta terça-feira. Em comunicado, os membros do Comitê Especial justificaram a medida dizendo que o SoftBank rompeu obrigações contratuais ao decidir cancelar a operação de compra de US$ 3 bilhões em ações do antigo presidente Adam Neumann e de outros acionistas.

“Em vez de cumprir suas obrigações contratuais, o SoftBank, sob crescente pressão de investidores ativistas, iniciou uma campanha intencional para evitar a conclusão da oferta pública”, disse o comitê, composto por Bruce Dunlevie, da Benchmark Capital, e outro diretor independente, Lew Frankfort. Segundo a agência Bloomberg, os diretores disseram lamentar o fato de o grupo japonês “continuar a colocar seus próprios interesses acima dos interesses dos acionistas minoritários da WeWork”.

O plano inicial do Softbank, após a WeWork desistir da sua abertura de capital, previa a compra de US$ 970 milhões em ações de Neumann — afastado da presidência da empresa desde setembro do ano passado. No total, o grupo compraria US$ 3 bilhões em ações. Na semana passada, o conglomerado japonês desistiu da oferta pública de aquisição, agravando ainda mais a crise da empresa de escritórios compartilhados.

O Softbank disse, em um comunicado, que devido ao seu dever com os acionistas não poderia mais continuar com a transação. O grupo citou investigações criminais e civis na startup, o fracasso da WeWork em reestruturar uma joint venture na China e o impacto da pandemia de coronavírus no negócio da empresa como justificava para a retirada.

De acordo com a Bloomberg, os diretores acusaram o SoftBank de tentar impedir a consolidação da joint venture na China para poder usar a falta de conclusão do negócio como uma condição para não seguir com a compra de ações.