* Por Anderson Arcenio

Em 2019 iniciamos na Cocreare, uma empresa de inovação que desenvolve projetos digitais, a atuação em um modelo de rede, onde além de termos nosso time interno de desenvolvimento, montamos uma rede com mais de 100 profissionais que atuavam conosco sob demanda em projetos específicos.

Durante a jornada de busca, seleção e desenvolvimento de projetos, sentimos na pele a dificuldade de encontrar programadores com as qualificações necessárias para executar com qualidade as demandas propostas.

Eu já havia passado por dificuldades parecidas recrutando em outras experiências na cidade de Bauru/SP, mas considerava que era uma particularidade de cidades menores, e que através de um modelo de rede, onde não existe uma limitação demográfica, encontraríamos um cenário mais propício. Erramos e vimos que o mercado, como um todo, está com o mesmo desafio.

70 mil novas vagas em média por ano

Existem projeções que apontam que entre 2019 e 2024 devem ser criadas em média 70 mil novas vagas para profissionais de tecnologia.

Entretanto, estima-se que apenas um quarto da necessidade de profissionais da área é suprida pelo canal tradicional, que são as universidades. Isso acontece devido às universidades atualmente formarem 45 mil profissionais, sendo que a metade deles estão em cursos defasados em relação ao que o mercado exige hoje. Como comentamos em outro artigo no ano passado, ainda existe uma longa distância entre as faculdades e o mercado de trabalho.

A adaptação das empresas

E o resultado imediato disso são vagas não preenchidas. Em um país com tantos desempregados como o Brasil, isso não me parece algo aceitável, concorda?

As empresas estão precisando se adaptar para acelerar seu processo de recrutamento. Uma mudança que vemos como tendência é a retirada do diploma de graduação como uma exigência para um profissional se candidatar à uma vaga.

Grandes startups nacionais como Nubank, Movile, Loggi e Creditas, já não o exigem mais, seguindo a mesma posição das gigantes do Vale do Silício como Apple e Google. A CEO da IBM, Ginni Rometty, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, disse ser importante para o futuro das empresas contratar funcionários baseando-se nas suas habilidades ao invés de apenas analisar seu currículo e diploma.

Outra adaptação que vem ocorrendo é o recrutamento de pessoas sem o nível de qualificação desejado para que aconteça a formação internamente. Cada vez mais as empresas estão olhando para habilidades comportamentais, as soft skills, como critérios decisivos em suas seleções.

A carência por inovação na educação

Assim como o mercado está se adaptando, as instituições de ensino superior também precisarão se adaptar.

Na verdade não só elas, o setor de educação precisa acompanhar as constantes mudanças que estamos passando, fazendo desde revisões de suas metodologias tradicionais até a aplicação de novos instrumentos e tecnologias em suas operações.

Existe muito espaço para inovação na área educacional, e considerando todo o potencial de impacto que ela pode gerar nas pessoas, vemos um cenário otimista nos próximos anos. Nós da Cocreare resolvemos buscar colaborar para esta transformação.


Anderson Arcenio é bacharel em Sistemas de Informação pela Unesp Bauru, pós-graduado em Gerenciamento de Projetos e atua há 15 anos com projetos digitais. Empreendedor com startups há 10 anos, hoje é sócio das empresas Cocreare, FCJ Bauru, Protarefa, Salus e Dinamize, além de estar à frente da comunidade local Sandwich Valley.