* Por Exame.com

Se há um ano o SoftBank lucrava com a empolgação em torno de empresas de tecnologia como Uber e WeWork, os resultados divulgados nesta quarta-feira (12) mostram que as apostas arriscadas custaram bilhões ao conglomerado japonês. O lucro da empresa de Masayoshi Son caiu 92% entre outubro e dezembro em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 24 milhões.

As perdas do conglomerado japonês vieram principalmente de seu Vision Fund, fundo que investe em 88 companhias como o serviço de transporte Uber, a empresa de aluguel de escritórios WeWork, a plataforma de mensagens Slack, a indiana Oyo de hotelaria, entre outros.

O fundo apresentou prejuízo de 225 bilhões de ienes, aproximadamente US$ 2,05 bilhões no trimestre, contra lucro de 176 bilhões de ienes em relação ao mesmo período do ano anterior, ou US$ 1,6 bilhão. O resultado desanimador pode abalar a confiança dos investidores em aportes futuros. Em julho do ano passado, o grupo japonês anunciou que levantou US$ 108 bilhões para um segundo Vision Fund.

Há um ano, Uber e WeWork esperavam levantar bilhões de dólares ao abrir capital na bolsa. Mas o IPO do Uber foi decepcionante e a WeWork cancelou a ida à Bolsa. As duas empresas também enfrentaram questionamentos sobre sua governança e os fundadores foram pressionados a deixar o cargo.

Mudanças à vista

Para o investidor Masayoshi Son, a maré está mudando. A maior perda relacionada ao Uber e WeWork ocorreu no trimestre anterior, quando o Ebit da Vision Fund foi negativo em 970 bilhões de ienes, ou US$ 8,8 bilhões. Foi o primeiro prejuízo trimestral do SoftBank em 14 anos.

Segundo ele, o SoftBank tem outras vitórias, desapercebidas por investidores. Por exemplo, na terça-feira um juiz aprovou a fusão entre a Sprint, uma provedora de internet americana, e a competidora T-Mobile, o que as dará mais força na disputa contra rivais como AT&T e Verizon. O SoftBank também registrou um ganho de 331 bi de ienes por conta da listagem do grupo chinês Alibaba na bolsa de Hong Kong.

De maneira geral, os investimentos do fundo geraram ganhos de US$ 9,5 bilhões desde o início. Cerca de 38 companhias se valorizaram US$ 17,2 bi e 31 empresas tiveram perda de valor, de US$ 7,7 bilhões. De um custo total de US$ 80,5 bilhões para realizar os investimentos, o ganho de US$ 9,5 bilhões representam uma valorização de quase 12%.

O fundo tem investimentos em oito companhias abertas – além do Uber, a plataforma de comunicações Slack e a Guardant Health, de exames de sangue, estão na lista. Essas empresas abertas geraram ganhos de US$ 4,3 bilhões para o fundo até fevereiro, alta de US$ 3 bilhões em relação ao trimestre anterior.

Masayoshi Son busca provar aos investidores que suas apostas ambiciosas e bilionárias em empresas de tecnologia podem gerar ganhos no longo prazo, apesar das dificuldades no curto prazo. O mercado parece acreditar. As ações da empresa japonesa subiam quase 12% na manhã desta quarta, após a divulgação de resultados.

* Por Karina Salomão, para Exame.com