Durante o final do ano, muitos brasileiros aproveitam as férias do trabalho e dos filhos na escola para fazer o que muitos esperam o ano todo: a tão desejada viagem, agitando o turismo no país.

No Brasil, este mercado está aquecido. De acordo com os dados mais recentes do Ministério do Turismo, foram quase 7 milhões de turistas no Brasil em 2018. Um recente estudo, também do Ministério, mostra que 24,3% dos brasileiros pretendem viajar nos próximos seis meses – o número mais alto do ano. Destes, mais de 80% deseja desbravar destinos dentro do próprio país.

Para o setor hoteleiro, as notícias são boas. Segundo boletim do MTur, 57,5% dos empresários do setor confirmaram a pretensão de manter o número de funcionários e 25,7% esperam abrir novas vagas de trabalho. Ainda, 46,4% preveem aumento no faturamento da empresa e 43,6% dos entrevistados projetam crescimento na demanda pelos serviços ofertados.

Marketing digital

Dentro deste cenário, as startups estão ocupando cada vez mais espaço. Elas estão tornando a tecnologia uma aliada do setor para resolver grandes dores do segmento de turismo no Brasil: é o caso da selfHotel, uma plataforma de automação e gestão de marketing digital para hotéis e pousadas.

A startup iniciou o planejamento e o desenvolvimento do MVP em 2015, Foram dois anos de análise do mercado até encontrarem a necessidade latente dos hotéis terem posse da administração de suas ferramentas de marketing e, consequentemente, aumentarem suas vendas diretas.

De acordo com Allessandro Canella, CEO da startup, hotéis por todo mundo sofrem com o pagamento das altas taxas de comissão cobradas por suas vendas através de terceiros. É esta dor que a empresa pretende sanar. “Estamos resolvendo esse problema através do marketing digital e das ágeis ferramentas embarcadas em nossa plataforma. Somos o primeiro do mercado a reunir todas as ferramentas de marketing digital num único ambiente criado exclusivamente para o mercado hoteleiro”, garante o empreendedor.

Ferramentas

Na plataforma, é possível que o próprio hoteleiro escolha a melhor identidade visual para o seu site, faça a integração com o motor de reserva escolhido, insira os plugins sociais de aplicativos como o Facebook, Instagram, TripAdvisor e ainda acompanhe a evolução da sua presença digital através dos diversos gráficos analíticos do selfHotel, como sua posição no Google, por exemplo.

Para ele, o maior desafio do mercado hoteleiro hoje é aumentar sua lucratividade vendendo diretamente para aqueles que querem comprar seus produtos e serviços, fidelizá-los e sair da dependência da venda comissionada através de terceiros. Com isso, “as startups estão ajudando trazendo ideias inovadoras, serviços disruptivos e agilidade nas entregas”, afirma.

Para 2020, a startup pretende continuar aumentando o time de vendas para atender a crescente demanda de novos assinantes, aumentar os investimentos em Inbound Marketing e ampliar as técnicas e equipes de treinamento e sucesso do cliente.

Turismo e presença digital

Outra startup que também está inovando para transformar digitalmente o setor hoteleiro é a EZ Travel. A startup permite que operadoras de turismo e lazer gerenciem suas reservas digitalmente. Eles podem aceitar reservas online pelo seu site aplicativo ou redes sociais e inserir reservas que chegam por canais de venda offline.

“Assim, eles têm todo o controle de sua capacidade de atendimento num só lugar e podem acessar os dados dos clientes e tirar relatórios de ocupação. Além disso, também é possível emitir reembolsos e mudar a reserva de acordo com o pedido do cliente. A plataforma está integrada com meios de pagamento, então ele não precisa de mais nada para começar a vender online em 24 horas”, diz Caíque Severo, CEO da empresa.

Cenário

Para Caíque, uma das maiores dores deste mercado é justamente que a penetração de ferramentas digitais entre os prestadores de serviço de turismo ainda está muito aquém das expectativas dos consumidores. “Mas o mercado está começando a se preocupar mais com isso agora. Eles estão sentindo que os clientes hoje em dia demandam uma interação completamente digital”, acredita.

Para ele, o cenário para startups deste segmento é favorável. “Tecnologias e serviços fáceis de usar e acessíveis do ponto de vista de custo são muito importantes para que a adoção seja rápida e abrangente. O consumidor já tem muitas soluções à sua disposição. Mas os empresários do turismo ainda têm poucas ofertas de serviços específicos”, explica o CEO.

A startup começou o ano passado com apenas três clientes. Hoje, já são mais de 40 empresas utilizando a solução, como o Parque Maeda, em São Paulo, e a Rota do Café Especial, em Minas Gerais. Caíque diz que 2020, para a startup, será um ano de expansão da atividade comercial, e a EZ Travel planeja aumentar, pelo menos, 50% a quantidade de clientes.