Quatro grupos de investidores-anjo se reuniram para participar de uma mesma rodada de investimento: Anjos do Brasil, GVAngels, Insead Angels e MIT Alumni Angels. Além dos grupos citados, fazem parte também alguns investidores independentes, totalizando um aporte de R$1,8 milhão na startup Fishtag.

A startup escolhida para o investimento possui uma atuação bem específica: agilizar e aprimorar a cadeia de venda e compra de pescados. O desafio da empresa é aproximar produtores de compradores em uma cadeia produtiva que possui até 10 intermediários.

A startup oferece um serviço B2B, baseado em tecnologia online, fornecendo entrega porta a porta, preços competitivos, e garantindo a qualidade dos produtos por meio de rastreabilidade. A curadoria dos produtores também fica por conta deles. A Fishtag trabalha apenas com produtores que possuem as devidas licenças de pesca e comercializam pescado legalizados com Selo de Inspeção Federal (SIF).

“O nosso objetivo é estreitar a relação entre os produtores de pescado e restaurantes, enquanto promovemos um consumo consciente de pescado. Você sabe de onde vem o peixe que você come?”, aponta Barbara Granek, fundadora da Fishtag. A empresária, que fez seu MBA no MIT Sloan School of Management (EUA) e trabalhou em consultoria estratégica por 5 anos, idealizou o conceito da marca após passar dois anos inserida na realidade desse mercado, liderando a empresa de pesca da família com cerca de 60 funcionários.

Atualmente, com uma equipe de apenas seis pessoas e sem investimentos específicos em marketing, os resultados da Fishtag chamaram a atenção de investidores. Fundada em janeiro de 2019 e com um investimento inicial de apenas R$150 mil, a startup já vendeu mais de 10 toneladas de peixes, com um faturamento acima de R$500 mil.

“Os recursos levantados irão permitir que Fishtag faça uma transformação digital na indústria, a começar pelo Brasil, pois o capital será investido principalmente em tecnologia e vendas”, relata Barbara.

Rodada de investimento

Com esta rodada de investimento, que conta com um aporte composto por mais de uma origem, os quatro grupos de investidores-anjo visam deixar claro para o mercado de startups que atuar em parceria em prol do mesmo objetivo é sempre benéfico. Este é o resultado de um forte networking entre os principais investidores-anjo no país. Dessa forma, as rodadas de investimentos elaboradas em conjunto também permitem uma condução do processo de due diligence mais aprofundado, o que traz recursos para decisões de investimento ainda mais qualificadas.

A Anjos do Brasil viu com bons olhos a startup desde o primeiro contato com a empresa no primeiro semestre deste ano. “Percebemos uma startup com potencial de agregar valor para um grande mercado ainda muito carente de inovação. Temos uma ótima empreendedora liderando o time e ficamos satisfeitos em efetuarmos mais um coinvestimento entre as redes de investidores anjo”, diz Maria Rita Spina Bueno, Diretora Executiva do grupo.

Para Wlado Teixeira, head do Comitê de Seleção do GVAngels, grupo de investidores-anjo formado por ex-alunos da FGV, a empresa tende a revolucionar o setor de pescados no Brasil. “A Fishtag apresentou seu pitch em nosso 15º Fórum de Investimento, em agosto. Logo ficamos contagiados com o conhecimento que a empreendedora tem sobre os desafios que esse mercado enfrenta. Porém, ainda no processo de due diligence, percebemos que tínhamos que envolver grupos de investimento parceiros. Queremos explorar ao máximo seu potencial de escalabilidade”, observa Wlado, ressaltando o propósito dos cerca de 130 membros C-Level que compõem o smartmoney do GVAngels e potencializam o networking das startups.

Já para o Insead Angels Club Brazil (IACB), o diferencial da rodada de investimento é que se trata de smartmoney. “Queremos focar na oferta de capital intelectual e não apenas no capital financeiro. Investimos em startups capazes de gerar movimentos inovadores no país e em empreendedores abertos a contribuição dos nossos investidores. Ao propor uma inovação na cadeia de valor de pescados, a Fishtag está alinhada com essa estratégia”, esclarece Alieksiei Martins, fundador e líder do IACB.

Lançado em março de 2019, o MIT Alumni Angels do Brasil, se interessou pela startup, inclusive pelo fato da empreendedora Bárbara ser ex-aluna da instituição, nos Estados Unidos. “É o terceiro investimento que fazemos em menos de um ano. A startup chamou nossa atenção por ser uma solução disruptiva, além de se tratar de um negócio já tracionado (early-stage). Outro ponto positivo é o track record da Bárbara como ex-aluna do MIT e ex-consultora estratégica e sua expertise no setor”, aponta Maria Alice Frontini, presidente do grupo.