* Por Exame.com

Ajudar as empresas a terem funcionários mais saudáveis de um jeito divertido. Essa é a meta da Vik, uma startup de Belo Horizonte que já atendeu empresas como MRV Engenharia, Alelo, Falconi e Localiza.

Fundada em 2016, a empresa criou um sistema que transforma a atividade física em uma competição interna nas companhias. A ideia é conscientizar os funcionários para a importância do cuidado com o corpo e motivá-los a se mexer. “O objetivo é colocar as pessoas em movimento, e isso pode ser feito em qualquer lugar “, afirma Pedro Reis, que fundou o negócio ao lado de Tomás Camargos.

Funciona assim: depois que a companhia adere ao serviço, que funciona como uma assinatura, os funcionários interessados preenchem um questionário com seus hábitos de saúde e recebem uma nota de 0 a 10. A partir daí, são divididos em grupos de cinco pessoas que vão competir entre si e entre grupos.

“Um ponto muito importante é a socialização. Os grupos têm pessoas de departamentos diferentes, pode ter um sócio e um estagiário, que interagem e passam a se conhecer”, explica Reis. A cada atividade realizada, o participante ganha um ponto. A ideia é premiar a frequência da atividade e não a intensidade dela. Com isso, ex-sedentários competem em pé de igualdade com quem já pratica exercícios regularmente.

O desafio dura 12 semanas foi implementado recentemente pela consultoria de gestão Falconi. “Identificamos uma necessidade de mais qualidade de vida entre os consultores, que muitas vezes trabalham longe de casa, e fomos atrás de algo que motivasse. Após 12 semanas, mais de 60 pessoas saíram do sedentarismo, e tivemos uma pessoa que perdeu dez quilos”, afirma Fernando Ladeira, diretor executivo da Falconi.

O programa também ajudou a companhia na negociação do reajuste do plano de saúde dos funcionários. “A conta do plano de saúde é uma preocupação cada vez maior nas empresas. Se a pessoa não cuida da saúde, quem paga a conta muitas vezes é a empresa”, afirma Reis.

Formado em veterinária, o empreendedor conta que ele próprio era sedentário dez anos atrás. “Tive um problema no joelho e precisei começar a fazer atividade física. Perdi 14 quilos e hoje disputo prova de Iron Man”, conta.

Modelo de negócio

O negócio da Vik surgiu inicialmente como um marketplace para personal trainers, mas precisou mudar de foco para se viabilizar. “Em 2016 tínhamos 200 personal trainers cadastrados, mas chegamos a ter um faturamento mensal de 70 reais. Percebemos que aquele modelo não daria certo”, lembra o fundador.

No final daquele ano, os empreendedores testaram um modelo de plataforma para corridas voltada para o público em geral e que seria patrocinada por empresas interessadas. A adesão do público foi boa, mas conseguir patrocínio ficou difícil. Foi então que os sócios chegaram ao modelo atual, de um sistema de atividade física voltado para empresas, que passou a valer no início de 2018. De lá para cá, 50 mil pessoas já passaram pela plataforma da Vik, que tem 20 empresas clientes.

A empresa contou com investimento próprio dos sócios de 15 mil reais, e já fez duas rodadas de investimento, que levantaram cerca de 1 milhão de reais. Dentre os investidores estão Paula Laudares: sócia da consultoria Kienbaum no Brasil, Jayme Nicolato (ex-CEO da mineradora Ferrous) e Paulo Jacob (fundador da Click Bus).

Além do desafio de 12 semanas, a plataforma da Vik permite que o funcionário da empresa crie metas pessoais e faça um acompanhamento de sua evolução no cuidado com sua saúde. A startup espera terminar o ano com faturamento de 1 milhão de reais e se prepara para ampliar os produtos oferecidos. Dentre as ferramentas em elaboração está uma que incentiva atividades para cuidar também da saúde mental, como a meditação.

A startup funcionou durante os primeiros anos incubada no escritório da consultoria Kienbaum em Belo Horizonte. Mas a sala ficou pequena e Vik está de mudança para um escritório próprio na capital mineira. Hoje a empresa tem 16 pessoas. Segundo Pedro Reis, a startup já atingiu um ponto de equilíbrio, mas iniciou uma nova fase de investimentos para expandir sua atuação. A expectativa é chegar ao equilíbrio novamente em maio de 2020.

* Por Mariana Desidério, para Exame.com