Após transformar a vida de crianças em tratamento contra o câncer, no hospital GRAACC, levando-as para ambientes lúdicos como parque de diversão e safári por meio de vídeos em realidade virtual (VR), o empresário Fabio Costa, CEO da Agência Casa Mais, empresa especializada em realidade virtual e aumentada no Brasil, passa a oferecer essa experiência imersiva para aqueles que têm muitas histórias para contar e memórias para reviver: os idosos.

A ação faz parte do projeto social chamado Alegria Virtual, desenvolvido pela agência Casa Mais, e que busca levar a realidade virtual como forma de terapia para ambientes hospitalares e, agora, está se expandindo para outras instituições carentes como clínicas, casas de repouso e abrigo.

“A realidade virtual é uma maneira de levar as pessoas para um mundo alternativo, muitas vezes, inimaginável no mundo real. Utilizando-se de óculos VR, os usuários são transportados para universos completamente diferentes”, diz Costa. Segundo o empreendedor, a experiência deve fazer com que as pessoas tenham o primeiro contato com a tecnologia e possam encontrar nesta ferramenta a possibilidade de ampliar horizontes e realizar sonhos que seriam bem mais difíceis sem ela.

No dia 9 de dezembro, o empresário iniciará uma ação no Abrigo dos Velhinhos Frederico Ozanam, que, desde 1966, acolhe idosas carentes, sem família ou desamparadas, que não possuem recursos e que, preferencialmente, são oriundas de famílias assistidas pelos Vicentinos ou de bairros próximos do Abrigo.

“Por meio dos óculos com realidade virtual, ajudamos a amenizar a dor e a ansiedade de crianças e idosos, por exemplo, de modo a encorajá-los e a proporcionar uma melhor qualidade de vida”, ressalta Costa. Ele completa que usará a tecnologia para produzir vídeos 360 que exibam imagens de diversos lugares do mundo que levem os idosos do Abrigo a rever os países de sua infância e boas lembranças de sua vida, proporcionando uma sensação de bem-estar e tranquilidade, além de “escaparem”, por um momento, da realidade, ao visitarem um ambiente totalmente novo e imersivo.

A assistente social do Abrigo, Dalila Amaral, já tinha ouvido falar de atividades com a tecnologia e ficou encantada com a possibilidade do uso desta pelas idosas da instituição: “Elas terão a chance de desfrutar de momentos que, talvez, nunca tenham desfrutado antes, fazendo uma viagem a outro país ou um pequeno passeio a um local próximo, algo, muitas vezes, impossível na vida real devido às limitações físicas, ou, ainda, reviver momentos marcantes.

Assim, o CEO considera a tecnologia ideal para pessoas que permanecem em lugares fechados por muito tempo e gostariam de estar e conhecer outros ambientes. “Mas aqui não se trata de um escape momentâneo da realidade, pois, mesmo após usarem os óculos de realidade virtual, as pessoas seguem envolvidas com as imagens que lhe foram apresentadas e que ficam guardadas em sua memória”, completa.

No exterior, a tecnologia VR é uma poderosa ferramenta imersiva e será cada vez mais efetiva na redução da dor e da ansiedade. Pesquisas indicam que a realidade virtual pode ajudar a reduzir 31% da dor e 25% da ansiedade. No Instituto de Psiquiatria da USP, as crises de ansiedade entre pacientes caíram pela metade depois que foram submetidos a um tratamento terapêutico por meio da realidade virtual. De acordo com o Instituto, 20 pacientes que participaram da pesquisa tiveram uma redução média de 55% nas crises de ansiedade.

Em relação ao público da terceira idade, a tecnologia pode ajudar a reduzir problemas como isolamento e depressão, que atingem uma grande parte da população nessa fase da vida. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais, quase metade dos idosos brasileiros (48,9%) sofre de mais de uma doença crônica, sendo a depressão a mais grave, atingindo 9,2% desse grupo. Assim, a realidade virtual pode transformar esse cenário ao colocar o usuário em contato com ambientes que lhe façam bem e lhe tragam boas lembranças.