* Por Heloisa Motoki

As estatísticas mostram que uma empresa no Brasil tem mortalidade entre 2 e 5 anos. Quando minha empresa completou 5 anos, confesso que foi um alívio, uma sensação de vitória, até porque a primeira frase que eu ouvi quando resolvi empreender foivocê não tem perfil empreendedor. Esse mês comemoro 9 anos e uma equipe de mais de dez funcionários.

Empreender na contabilidade, é lidar o tempo todo com nascimento e morte de empresas, para mim é um orgulho ver a felicidade de uma empreendedora que nasceu na cozinha de casa ter o seu próprio espaço, equipe com mais de dez pessoas, faturamento mensal ultrapassando os seis dígitos, ou a empreendedora que dividia a mesa do jantar com o notebook, fazia reuniões por Skype e hoje pode apresentar uma sala comercial, com espaço para reunião e baias de trabalho.

O lado ruim do empreendedorismo é lidar com a mortalidade das empresas, cada vez que um empreendedor começa a cogitar a possibilidade de fechar seu negócio eu sofro junto, pode parecer uma situação lógica e simples: não está dando retorno, muda ou fecha, mas não é. Entre o tempo de pensar e efetivamente encerrar uma empresa, pode ter muitas dúvidas, dores e noite mal dormidas, afinal ainda é bem subjetivo o conceito de desistir do sonho ou parar enquanto é tempo.

Quando fechar as portas é uma opção, não é simplesmente fechar e entregar as chaves, há todo um processo que precisa ser visto antecipadamente. Além disso, muitos empresários costumam tomar essa decisão quanto já estão endividados, encararam o fechamento de empresa como uma derrota e há os que chegam a pensar em como os funcionários irão se recolocar, mesmo que culturalmente sejam vistos como exploradores.

Para piorar, o mercado de trabalho costuma rejeitar ex-empreendedores, não sei pelo medo de encarar um provável “concorrente” ou entender que não respeitariam os novos chefes, por outro lado o empreendedor fica com receio de abrir um novo negócio e fracassar novamente.

Para o empreendedor que chega neste momento, costumo ajudar na reflexão se fechar é de fato uma opção, em levantar o tudo que possui ainda de recebíveis e de pagáveis para tentar negociar antecipadamente, levantar ativos que podem ser vendidos e o mais importante, pensar no que fazer para seguir em diante.

Finalizando, muitos acham que fechar uma empresa implica somente o fator financeiro, mas coincidências ou não, durante o período em que estava elaborando esse artigo, fui procurada por empreendedores que já estão nesta fase de seguir ou fechar, onde o problema não era exatamente o financeiro, mas nas pessoas, não estão aguentando mais ter que lidar com a gestão do dia a dia, funcionários que pensam mais nos direitos que nos deveres, fornecedores que não se importam ou clientes que sempre acham que tem razão.

* Heloisa Motoki é diretora administrativa e financeira da Rede Mulher Empreendedora, fundadora da Quali Contábil e Consultora Especial no site Fórum Contábeis