Essa semana aconteceu o Futurecom, um dos maiores eventos de Transformação Digital da América Latina, que combina, durante quatro dias, debates e demonstrações sobre os impactos das aplicações de tecnologias disruptivas nos mais diversos segmentos da economia.

Um dos diferenciais desta edição foi o espaço FutureTech, focado em inovação e startups, que contou com um agenda exclusiva com a presença de importantes players do mercado e ainda uma área de exposição onde empreendedores puderam demonstrar seus negócios e soluções.  O espaço teve curadoria do Startupi junto com a Agência Bewater.

No espaço, o público teve acesso a diversas palestras e workshops sobre inovação e empreendedorismo. Geraldo Santos, Diretor-geral do Startupi, abordou os temas nas palestras “Por que investir em startups”, “Integração entre grandes empresas e startups” e “Como atrair investimento-anjo para seu negócio”.

Investimento em startups

“Atualmente, você consegue pedir um táxi por aplicativo, identificar a melhor rota e ter o horário em que vai chegar ao destino antes de sair de casa, por exemplo. E foi apresentando o que há de mais inovador no mercado que as startups chamaram atenção de investidores”, explicou Geraldo.

Ele falou que o investimento-anjo, um dos tipos de aporte, na maioria das vezes  é feito por uma pessoa física que tira o dinheiro do próprio bolso para investir na startup. Além disso, destacou que o papel dessa pessoa vai além do dinheiro, ela leva também para o empreendedor insights sobre modelos de negócios, conhecimento e proporciona networking com sua rede.

Sendo em média de R$ 50 a R$ 100 mil o valor dos aportes feitos por investidores-anjo, ele falou que uma modalidade que está em alta é o coinvestimento, onde pessoas se reúnem para investir. Segundo ele, o investimento de apenas uma pessoa é baixo e pode não ajudar uma startup a tracionar . Então, com o coinvestimento é possível aportar valores mais altos e ter um crescimento mais acelerado.

Além disso, Geraldo destacou que é importante criar um portfólio e investir em várias startups. “Investir em uma startup e achar que ela vai virar um unicórnio, que vai dar certo, é uma loteria”. Para finalizar, relembrou que o recomendado é que uma pessoa física não invista mais que 5% do patrimônio líquido, pois o investimento em startup é considerado um investimento de risco.

Relação grandes empresas x startups

Com o avanço da tecnologia e o surgimento de negócios disruptivos que deixam para trás os modelos de negócios tradicionais, as empresas precisaram se reinventar e estreitar as relações com startups para não ficarem para trás.

Com a possibilidade das startups criarem modelos de negócios que ajudem a alavancar os negócios da empresa, as grandes corporações passaram a enxergar os benefícios dessa relação, já que essas conseguem solucionar as dores de empresas tradicionais em uma época onde o cliente está cada vez mais atrás de uma experiência melhor. “O concorrente que está usando uma solução de startup tem mais inovação, tem mais agilidade e consegue dar muito mais foco no cliente do que aquele mecanismo tradicional das áreas de tecnologia tradicionais”, apontou ele.

Porém, de acordo com pesquisas de mercado, cerca de 15% a 20% das grandes empresas no Brasil têm algum tipo de projeto ou relacionamento com startups. Portanto, empresas que ainda não perceberam a importância da experiência do cliente e de como startups podem agregar para isso, precisam mudar seu mindset e gerar cultura, segundo Geraldo.

Ele destacou também que é preciso amadurecer essa questão e integrar cada vez mais startups com corporações, pois é o caminho mais rápido para fazer com que o ecossistema decole. “Enquanto não houver essa mudanças internas de cultura nas empresas, as startups demoram e não conseguem vender para as grandes empresas”, finalizou.

Como atrair investimento-anjo?

A vida de uma startup possui 6 fases: ideia, validação, lançamento do produto (tração), aporte de capital, crescimento e adequação ao mercado até chegar na venda ou abertura de IPO.

Geraldo ressaltou que é necessário que o empreendedor invista nele mesmo antes de procurar um investidor. “Nessa fase inicial você tem que investir, você tem que tirar o dinheiro do bolso para provar que o seu negócio é real e que existe”. Assim, após validar isso, é possível ir atrás do investimento-anjo.

Entre as dicas apresentadas para conseguir investimentos, estão: buscar investidor cuja tese tenha a ver com o mercado alvo da startup; evitar o disparo de e-mails como spam para investidores em geral, fazer networking, construir um relacionamento com o investidor e convidá-lo para ser seu mentor. Além de claro, evitar sempre as mesmas falhas, pensar menos e executar mais e trabalhar duro, evitando as fórmulas de sucesso.

Construção de Ecossistema em Negócios Movidos a Tecnologia

Entre as startups expositoras da FutureTech estava a Ucorp, nova divisão de negócios da Urbano, que por dois anos atuou como uma empresa de compartilhamento de veículos de forma sustentável e eficiente.

O funcionário da empresa contratante faz o agendamento do uso dos veículos, que ficam em geral estacionados no pátio de sua companhia, e uma plataforma digital permite administrar os deslocamentos, explica Guilherme Cavalcante, CEO da Ucorp.

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Além da área de exposição, Guilherme também participou do painel “Construção de Ecossistema em Negócios Movidos a Tecnologia”, que contou com a presença de Davi Bertoncello, CEO da Tupinambá Energia; Erico Reis, CEO TrackLi, Felipe Stanquevischi, COO e sócio da Easy Carros e Pedro Mendes, Diretor de Operações da JAC Motors Brasil.

Entre os assuntos debatidos, os participantes falaram sobre o desafio da eletrificação em infraestrutura e apontaram que é necessário uma mudança estratégica no mercado, além da criação de um sistema conectado.

“A gente sabe que o grande calcanhar de Aquiles é justamente viagem à longa distância. Então, ou realmente você tem uma rede de eletrocusto com abastecimento rápido, ou realmente você não consegue viajar”, disse o diretor de Operações da JAC Motors Brasil. 

De acordo com Davi Bertoncello, CEO da Tupinambá Energia, 90% dos pontos existentes de carros elétricos não são conectados, porém esse número tende a diminuir, pois basicamente todos os novos pontos que surgiram de uns 3 meses para cá são majoritariamente conectados. 

Felipe Stanquevisch, COO e sócio da da Easy Carros, complementou dizendo que carros conectados também ajudam na entrega de outras facilidades como conseguir comunicar ao usuário que ele está próximo de um carregador ou alertar, dentro da rota do motorista, há quanto tempo estão os próximos ponto e recomendar paradas.  

Para Erico Reis outro obstáculo está em convencer as empresas dos benefícios do carro elétrico e conectividade.”Você vai e apresenta uma novidade para o cliente e ele nem te responde.” Ele também ressaltou que como startup pretende mudar esse cenário. “A gente como startup tem que pegar o tronco, atravessar o rio e solucionar o problema”. 

Além da questão de sustentabilidade, Guilherme destacou a importância da conectividade e carros elétricos para empresas. Na Ucorp, através de dashboards a empresa consegue visualizar onde o funcionário está com o carro, qual o status atual do veículo, a quantidade de litros economizados, visualizar os valores de redução de custo e a quantidade de CO² que está sendo mitigada.