* Por Elber Mazaro

Este é mais um artigo da nossa série sobre liderança e gestão de pessoas. Lembro que já falamos sobre plano de carreira, liderança do futuro, competências da liderança, equipes de alto desempenho e Gestão do Capital Humano.

Cultivar e reconhecer talentos é fundamental para qualquer líder ou organização que busque resultados diferenciados, ao mesmo tempo que busque a longevidade do negócio, a satisfação dos clientes, e outros indicadores de sucesso. Estas funções são importantes porque só se chega à liderança, através das pessoas e de seus talentos.

Podemos definir três áreas de atenção para organizarmos as ações que viabilizarão que a empresa desenvolva os talentos, as competências e as pessoas em geral, na busca pelos objetivos do negócio e pela realização da sua visão/missão.

A primeira área de atenção é a identificação e seleção dos talentos. Deve-se saber bem quais são as competências, as habilidades e as atitudes necessárias para que a organização sirva a seus clientes e demais stakeholders, para conquistar o sucesso no mercado.

Além dos conhecimentos técnicos para o exercício uma função específica, deve-se atentar para os talentos e comportamentos de cada colaborador, lembrando que normalmente são estas questões atitudinais que justificam as demissões. Muitas empresas contratam com foco exclusivo no conhecimento da função a ser exercida e demitem pela atitude ou comportamento inadequado do colaborador em comparação a sua cultura; então isto deve ser foco nas atividades de seleção de talentos.

O alinhamento de valores e propósito, e até de uma visão de futuro, devem ser a base da seleção de talentos. Nada melhor que ter alguém com paixão para exercer sua função e que também se identifique com a organização e sua cultura real. Então faça as organizações devem fazer sua lição de casa.

Os talentos mais desejados no campo comportamental, no momento, são:

  • A capacidade de aprendizado;
  • A orientação para ação/pró-atividade;
  • A colaboração/cooperação;
  • Flexibilidade/capacidade de adaptação;
  • Responsabilidade;
  • Empatia e;
  • Atitude positiva (com criatividade e bom-humor).

As entrevistas comportamentais representam uma técnica para a identificação dos talentos com base no histórico das realizações e de como foi o comportamento no passado, ou como o candidato aprendeu durante sua jornada.

A segunda área de atenção que destaco, é como cultivar ou desenvolver os talentos, no dia a dia. A ênfase deve ser dada em criar um ambiente com condições para os talentos se desenvolverem e estarem motivados para aumentarem o impacto no negócio e na comunidade.

Reforço que o ambiente deve oferecer as possibilidades de aprendizado, com alguma tolerância para falhas, com desafios que façam os profissionais expandirem seus limites, experimentarem coisas novas e sempre que possível, desafiando o status quo.

A empresa deve se preocupar com os desenvolvimentos individuais dos talentos, mas também com o lado coletivo, na formação de times que possam ter desafios e onde a colaboração e a construção em conjunto, sejam necessárias e ao mesmo tempo diferenciais no desempenho, não se esquecendo que devem ser devidamente reconhecidos.

Uma maneira de cultivar os talentos, pensando no seu desenvolvimento, e ao mesmo tempo reconhecer as conquistas, é a celebração, mesmo das pequenas vitórias, onde os avanços e atingimentos de metas são comemorados em grupo e representam uma oportunidade de reconhecimento dos talentos individuais em destaque, mas também é uma oportunidade de reforço dos valores importantes da organização e de se energizar o time para os próximos desafios.

O terceiro aspecto para se cultivar e reconhecer talentos, é o reconhecimento alinhado com as recompensas, as quais vão do pagamento de salários adequados, até uma política de premiação e comissionamento com base em metas individuais e coletivas, assim como quantitativas e qualitativas.

O reconhecimentos dos profissionais deve ocorrer com base no seu desempenho, podendo ocorrer em público, ser personalizado, tocando o coração e a mente do colaborador merecedor.

Deve haver um interesse genuíno das lideranças em conduzir processos de avaliação regulares, tanto para projetos, como em reuniões de aprendizados e resultados, e em conversas individuais de coaching e feedback construtivo.

Uma comunicação clara, que enfatize a colaboração,  a meritocracia e os valores da organização, deve ocorrer o tempo todo entre as lideranças e os colaboradores.

Acima vimos algumas práticas e conceitos para se cultivar e reconhecer talentos, que uma vez aplicados podem trazer impactos positivos e significativos na atuação das pessoas da organização e consequentemente  aumentarem os Capitais Humano e Intelectual das organizações, levando ao sucesso almejado.

Lembre-se liderança é ação, então mãos à obra.


Elber Mazaro é assessor/consultor, mentor e professor em Estratégia, Tecnologia, Marketing, Carreiras/Liderança e Inovação/Empreendedorismo. Atua há mais de 25 anos no mercado, liderando negócios no Brasil e na América Latina. Possui mestrado em Empreendedorismo pela FEA-USP, pós-graduação em Marketing e bacharelado em Ciências da Computação.