A Microsoft realizou hoje, em São Paulo, a segunda edição do AI + Tour, evento que percorre oito países da América Latina, incluindo o Brasil, para apresentar como a Inteligência Artificial (IA) já é uma das principais alavancas de transformação digital e o potencial da IA no futuro dos negócios e da sociedade.

Com uma apresentação sobre como a evolução da Inteligência Artificial vai modificar a sociedade em que vivemos, Tim O’Brien, diretor geral de programas de IA da Microsoft, ressaltou a importância de desenvolver essa tecnologia de forma transparente, ética e responsável. “A IA tem potencial para nos ajudar a resolver alguns dos maiores desafios do mundo. A oportunidade é significativa, mas o design, o desenvolvimento e o uso responsáveis ​​são igualmente importantes. A tecnologia e as ciências sociais devem andar lado a lado para garantir um impacto positivo nas pessoas e na sociedade”, diz O’Brien.

Durante o evento foi divulgada a pesquisa “O impacto da IA no mercado de trabalho”, realizada pela consultoria americana DuckerFrontier a pedido da Microsoft. O estudo analisa os impactos que a Inteligência Artificial pode trazer ao Brasil, até 2030, na economia, sociedade e mercado de trabalho em cenários de mínimo e máximo benefício da adoção de IA.

As simulações, que consideram as áreas de serviços públicos, prestação de serviços corporativos, comércio varejista, atacadista, hotelaria e alimentação, construção, manufatura, mineração, água e energia, e agricultura e pesca, mostram que a adoção máxima de IA no país pode aumentar a taxa composta anual de crescimento (CAGR) do Produto Interno Bruto (PIB) para 7,1% ao ano até 2030, considerando um cenário de máximo impacto pelos benefícios da IA. Esse é um aumento superior à projeção de 2,9% de crescimento do PIB feita pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no mesmo período.

Segundo o estudo, o maior avanço do PIB viria acompanhado ainda de um crescimento até quatro vezes maior nos níveis de produtividade do país, podendo chegar a uma taxa composta anual de crescimento de até 7% ao ano no período até 2030, comparada a 1,7% de crescimento ao ano estimado pelo Banco Mundial e pelo FMI.

Inteligência Artificial e mercado de trabalho

O estudo conduzido pela DuckerFrontier também trouxe uma análise específica sobre o impacto da IA no mercado de trabalho. No cenário ideal, as empresas no país fariam um investimento maior na incorporação de IA, permitindo a criação de novos produtos e serviços. Neste contexto, o setor de serviços corporativos será o mais beneficiado, com 26 milhões de empregos novos criados. Ou seja, serão 103% mais postos de trabalho até 2030 em comparação com as estimativas base feitas pelo Banco Mundial e o FMI, uma vez descontados os efeitos de automação e criação de empregos novos (os empregos novos aumentariam 258% no setor de serviços corporativos). Outros setores que teriam ganhos importantes na criação de empregos novos seriam o de manufatura (+73% em criação de novos empregos), o setor de comércio varejista, atacadista, hotelaria e alimentação (+44%), e o da construção (+42%).

Por outro lado, todos os setores com exceção de serviços corporativos passariam por uma redução líquida na demanda horária de trabalho graças aos ganhos trazidos pela automação. Em um cenário de benefício mínimo de IA, a redução líquida do total de horas trabalhadas seria de 33%. Já no cenário de benefício máximo, a diminuição é de 7%. Isso acontece pois em um contexto de investimento maior por parte de indústria nacional, a criação de novas indústrias e modelos de negócios é maior, o que propicia um efeito cascata na geração de novos empregos no país. Não só empregos ligados a novas tecnologias são criados, mas também há geração de postos de trabalho em outros setores como consequência do maior gasto na economia por parte de funcionários altamente qualificados.

O estudo da DuckerFrontier também destacou que uma redução na carga horária de trabalho não levaria automaticamente a uma perda de postos de trabalho em todos os casos. Segundo a empresa de consultoria, as empresas poderiam alocar novas tarefas a seus empregados ou até reduzir a carga horária graças aos ganhos de produtividade que a IA oferece.Também neste cenário de benefício máximo de IA, haverá uma grande demanda por mão de obra altamente qualificada, que beneficiaria a todos os setores da economia, totalizando uma demanda adicional de 17,7 milhões de empregos para esse perfil profissional (+50% de crescimento em emprego de alta qualificação em relação aos prognósticos atuais).

As vagas com maior demanda serão concentradas entre profissionais liberais, técnicos de nível médio e gerentes. Neste cenário, a participação total de empregos de alta qualificação aumentaria de 34% para 54% do emprego total do país.

“Temos uma oportunidade única de dinamizar a economia brasileira, atingindo elevados níveis de produtividade e criando novos negócios, através da adoção da Inteligência Artificial. A tecnologia tem o poder de transformar a economia e endereçar os grandes problemas da atualidade, tais como: prover acesso à saúde e educação de qualidade para todos, aumentar a segurança pública; garantir transparência e qualidade de serviços aos cidadãos; habilitar o aumento da produção do nosso agronegócio e das nossas indústrias, controlando o impacto no meio ambiente e muito mais. Poderemos enfim, dizer que o futuro chegou para o nosso país. Mas para garantirmos o máximo benefício da aplicação da tecnologia, necessitamos encarar o desafio da educação. É imperativo melhorar o nível de aprendizagem dos nossos jovens (do ensino fundamental à universidade), promover mais e mais o ensino técnico, garantir a atualização permanente do conteúdo programático dos cursos de graduação em Tecnologia e promover a requalificação profissional em escala exponencial, para permitir que nossa força de trabalho não seja afetada pela transformação do emprego”, afirma Tânia Cosentino, presidente da Microsoft Brasil

 Além da Tecnologia

Para analisar se o Brasil está preparado para alcançar os potenciais benefícios trazidos pela IA, a DuckerFrontier elaborou o Índice de Preparação para a IA (AI Readiness Index), um indicador que cruza as variáveis de desenvolvimento e disseminação da IA e une todos os fatores relacionados à sua implementação. Na análise, foram considerados sete países da América Latina: Brasil, México, Chile, Colômbia, Peru, Argentina e Costa Rica.

De acordo com o índice, o Brasil está em uma posição que pode melhorar para acelerar a adoção de IA em relação à outros países na região, como o Chile, o México, e a Colômbia, conforme mostra o pilar de “Desenvolvimento e Disseminação de IA” do índice.

Neste pilar, o Brasil está bem posicionado nos quesitos cibersegurança e ecossistema tecnológico, figurando na segunda posição em ambos. Já em capital humano e ambiente de inovação, o país está em posição desfavorável, ocupando o 7º e o 6º lugares, respectivamente.

Já quando olhamos para a capacidade do Brasil de tornar os benefícios da IA disponíveis para todos, como mostra o pilar “Participação nos benefícios da IA”, o país fica em terceiro lugar em capacidade de intervenção pública e privada, governança e formação de parcerias. No quesito igualdade de acesso, fica em quinto lugar.

O estudo destaca ainda cinco categorias que deveriam ser priorizadas para o desenvolvimento de IA no país: governo, serviços públicos e governança; educação, habilidades e capacitação; pesquisa, inovação e desenvolvimento; infraestrutura de tecnologia; e ética, regulamentação e legislação. É citado como exemplo a necessidade de um amplo compromisso do governo em liderar o desenvolvimento de uma estratégia nacional de IA aliado com o envolvimento do setor privado, da academia e da sociedade civil.

Alguns passos previstos na pesquisa para que o governo prepare o país para essa transformação de forma ética, transparente e com um impacto positivo na sociedade, são investir no poder da computação em nuvem, criação de um banco de dados nacional para uso público e privado, criação de um Centro Nacional de Pesquisa em Inteligência Artificial, uso de IA na prestação de serviços públicos, inclusão de habilidades relevantes para a IA no sistema educacional como inteligência computacional e treinamento digital para servidores públicos. Além disso, o estudo também faz recomendações para fomentar a participação de mulheres em carreiras de tecnologia e estímulo a startups.

Iniciativas de recapacitação da Microsoft

Comprometida com a democratização da IA e com a importância de recapacitar os profissionais para as novas demandas desta tecnologia,  a Microsoft criou uma plataforma aberta de conteúdo – o AcademIA – que oferece gratuitamente 14 cursos em português focados em IA, desde a introdução à tecnologia à linguagem de programação e aplicações. Os alunos também podem obter certificação nestes cursos, um diferencial no mercado de trabalho.

Além do AcademIA, a Microsoft lançou o AI Business School, uma plataforma gratuita em português com cursos de negócios e por indústria, dedicados a líderes que querem aprender mais sobre IA e tecnologia, criando uma cultura organizacional adaptada a esse novo cenário. A escola de negócios INSEAD se uniu à Microsoft para criar um módulo especial sobre estratégia dentro da plataforma AI Business School.

Esse conteúdo inclui casos de empresas de diferentes indústrias que têm se transformado com sucesso por meio da IA. Para mais informações, acesse Microsoft AI Business School. A Microsoft ainda oferece outras iniciativas como a AI Schoolvoltada a desenvolvedores que querem se especializar no tema.

Além disso, uma das necessidades apontadas no estudo é o investimento na preparação das crianças para futuros empregos ligados à IA e alterações nos currículos do sistema escolar para reforçar dois tipos de habilidades: pensamento computacional – a capacidade de resolver problemas com computadores; e soft skills, como criatividade, pensamento crítico e pensamento emocional. Neste sentido, a Microsoft está capacitando estudantes para que construam novas habilidades e alcancem seu potencial máximo, por meio de parcerias com governos, para permitir o acesso às tecnologias e preparação de crianças e adolescentes para o futuro do trabalho.