O mercado financeiro ganhou uma novidade nos últimos dias: foi lançado o primeiro fundo de Venture Debt do país, o Brasil Venture Debt I, gerido pela SP Ventures. Com valor inicial de R$ 140 milhões para investir em 35 startups nos próximos dois anos, o fundo foca em startups inovadoras de qualquer segmento.

“Somos completamente agnósticos. Damos crédito para todo tipo de startup, desde que haja alguma inovação na empresa. Por isso, as startups serão selecionadas baseado no seu modelo de negócio, seu potencial, a sua necessidade de capital, e o uso do capital”, explica Gabriela Gonçalves, CEO do Brasil Venture Debt, em entrevista ao STARTUPI.

Startups

Para se beneficiarem do fundo, as startups devem ter faturamento mínimo de R$ 4 milhões e máximo de até R$ 90 milhões anuais fechados no ano anterior. O objetivo é fornecer recursos para o crescimento sustentável desses negócios através de um produto de dívida personalizado, com prazos de pagamento, taxas e carência customizados e adequados à realidade financeira e operacional das empresas.

“O faturamento máximo foi escolhido através do edital do BNDES, entendemos que este é um teto bom para considerarmos a empresa como uma startup. O faturamento mínimo não é uma regra, é apenas um indicativo já que o nosso cheque mínimo é de R$ 1 milhão e tentamos não alavancar as empresas demasiadamente”, explica Gabriela.

Venture debt

De acordo com a CEO, essa é uma modalidade de financiamento que já tem forte presença em outros mercados, como o europeu e o norte-americano. “Para receberem apoios financeiros nesse segmento, as startups precisam ter uma escala mínima, que estejam tracionando e que já tenham recebido investimentos de Venture Capital ou de outros investidores institucionais”, explica.

Outra característica da modalidade é que a dívida possui prazos definidos, que não vencem caso ocorra uma próxima rodada ou captação de recursos, permitindo um planejamento de longo prazo.

“O Venture Debt possibilita que uma startup cresça por mais tempo. Com isso, é possível alcançar melhores resultados e, consequentemente, fortalecer o poder de negociação através de um melhor valuation, evitando diluição excessiva e negativa de seus sócios”, afirma Gabriela.

Para ela, o maior benefício do venture debt vem do fato de que as startups têm pouco acesso a financiamentos bancários, por exemplo. “Até o lançamento deste tipo de produto ficavam restritas a financiamento por equity. Por fim, quando comparado ao equity, a vantagem do Venture Debt é a não diluição dos empreendedores”, completa.