No exterior, o Brasil sempre foi lembrado por diversas riquezas culturais, como a música, a receptividade do brasileiro e as comidas típicas. A característica que mais se destaca pelo mundo, entretanto, é unânime: o Brasil é o país do futebol. Há décadas, o nome do país está ligado ao esporte.

O esporte é e sempre foi motivo de orgulho para os brasileiros, e com os recentes eventos esportivos no país, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, também se tornou motivo de lucro. De acordo com o último relatório da Pluri Consultoria, o PIB do esporte no Brasil correspondia a R$ 67 bilhões em 2012, o equivalente a 1,6% do PIB do país na época. Entre os anos de 2007 e 2011, esta taxa anual cresceu 7,1%, muito acima do PIB brasileiro como um todo.

Idealizada neste universo, a startup Alster nasceu com o intuito de fomentar atletas brasileiros para que eles alcancem sua máxima performance, unindo tecnologia, paixão pelo empreendedorismo e o sonho de conquistar o topo do pódio.

A plataforma

A empresa foi lançada no mercado em 2017. Entretanto, foi no final de 2015, quando André Secco Richter – cofundador da startup – estava se preparando para um Iron Man que a ideia de seguir a paixão de empreender no esporte surgiu.

O nome vem de um rio alemão, o principal da cidade de Hamburgo. “A relação do rio com a gente é muita clara. Assim como um rio, se renova o tempo todo com a água que corre vinda da nascente, nós nos renovamos a cada campanha, experiência e sonho que são realizados em nossa plataforma”, explica André. O nome Alster serve também como adaptação da palavra “austeridade”, “no sentido de sermos inflexíveis aos nossos valores.”

Como funciona

Atualmente a plataforma é focada em crowdfunding esportivo, ainda que o objetivo seja transformar o esporte a partir da colaboração das pessoas. A Alster funciona para as pessoas que tem um objetivo esportivo (viajar para competir, comprar equipamento, prototipar produtos, editar livros e revistas, organizar eventos), mas que não tenham recursos financeiros para realizar.

Em termos de processo, o funcionamento é simples: o usuário acessa o site, cria sua campanha (com suporte da startup para desenvolvimento), coloca no ar e, a partir daí, dá-se início ao processo de captação, onde qualquer pessoa física ou jurídica pode apoiar a partir de qualquer valor. “Para valores específicos há sempre ótimas recompensas de marcas parceiras da Alster que também acreditam na transformação que a união das pessoas pode gerar no esporte”, diz André.

Assim que encerrada a captação, o dinheiro arrecadado, descontando os custos de recompensas e operação (a taxa a startup é de 12%), é repassado em 15 dias para o atleta.

Por que investir em esporte?

Para André e os demais fundadores da startup, o esporte sempre foi algo presente e intenso em suas vidas. “Para mim, o esporte sempre foi algo mágico, que me trouxe muita coisa boa, por exemplo: autoconhecimento, saúde, valores, amizades, oportunidades, alegrias, polivalência. Víamos de perto os desafios para atletas se manterem em atividade, e tentar se profissionalizar. Na maior parte das vezes os atletas abandonam o esporte por dificuldades financeiras ou emocionais, ou por lesões”, explica.

Portanto, tentar resolver a questão financeira foi o que mais chamou a atenção deles. Com a ajuda de tecnologia, solucionar esse desafio se tornou possível. “Percebíamos os valores que o esporte gerava para todos desde à base, e sabíamos que a captação para os atletas era um desafio, mas também sabíamos do quanto os brasileiros se unem a partir de sonhos e objetivos esportivos. Essas foram as razões que nos fizeram empreender no esporte: paixão pelo assunto, problema claro, solução adequada.”

Cases de sucesso

A startup cresceu e até hoje atua no modelo bootstrap, ou seja, sem aportes de investidores. Para André, este é um grande desafio. “Começar desta forma é difícil, mas traz muitos benefícios, gera muito conhecimento, apresenta muitas soluções simples, e faz o comprometimento de cada um para o negócio dar certo algo fundamental para a perenidade dele”, afirma.

A atuação da Alster com a plataforma de crowdfunding e o suporte gerado no processo de confecção das campanhas e arrecadação tem gerado impacto social, ainda que pequeno, unindo as pessoas com o criador da campanha, e gerando a oportunidade de eles verem o impacto deles em suas redes por uma outra perspectiva. “Recebemos muitos feedbacks no sentindo de agradecer o suporte e mostrar que sempre tem um caminho que vale a pena, e que vai dar certo por mais trabalhoso que seja. Independente disso, estamos nos preparando para atuar mais intensamente com impacto positivo a partir de parcerias com ONGs e clubes.”

Em busca do 1º lugar

Até hoje, a startup já captou fundos para 30 projetos, e atualmente conta com três projetos ativos no site. Entre as campanhas que já passaram por lá de forma bem sucedida, é destaque uma realizada por uma menina de nove anos, que descobriu a natação a partir de um projeto social.

“Advinda de uma família batalhadora, seus pais trabalham como empregada doméstica e guardador de carro, mostrou muito talento na natação, e logo começou a ter bons resultados. Todavia, não tinha condições de comprar equipamento mínimo para treinar e competir, e muito menos para viajar para as competições. O objetivo da campanha foi ter recursos para viajar para dois campeonatos. A campanha foi um sucesso! Atingiu 148% da meta, e está proporcionando muito mais do que o mínimo necessário para ela seguir no esporte”, comemora André.

Atletas de alta performance

“Uma arte mortal: uma história não contada do Tae Kwon Do”, também é um grande case de sucesso. A campanha foi desenvolvida por um mestre de artes marciais que tinha o objetivo de editar a tradução de um livro canadense sobre a modalidade. Posteriormente, com a aprovação do autor, ele lançou a campanha com a Alster e vendeu mais de 200 exemplares. O crowdfunding atingiu 142% da meta.

Atletas também buscam a plataforma para grandes destinos, como no caso da campanha “Carretera Austral”. Um atleta montou o crowdfunding com o objetivo de percorrer 1.200 km pela patagônia chilena por 25 dias de bicicleta. O objetivo era adquirir fundos para comprar bons equipamentos de segurança, além de pagar passagem, alimentação e hospedagem em campings. Atingido 126% do seu objetivo, ele teve plenas condições de fazer sua aventura.

Embora não abra os valores, a startup pretende fechar 2019 com 300% de faturamento em relação ao ano anterior. “Já atingimos 200%, e estamos no caminho para realizar um múltiplo de três vezes os números de 2018. Estamos bem orgulhosos do que fizemos até aqui, e estamos buscando melhorar cada vez mais e mais rápido para continuar surfando essa onda”, explica André.

Tecnologia e esporte

Para o cofundador, hoje não há esporte sem tecnologia. “Porque quando digo isso, comento do princípio do esporte. Tecnologia sempre existiu, e ela constantemente está se atualizando; o esporte, também. Atualmente, entretanto, há um movimento muito importante de empreendedorismo, e de ótimas tecnologias chegando a custo muito baixo, o que permite muita inovação, sendo ela incremental ou disruptiva.”

Consequentemente, atrelado a profissionalização do esporte na década de 80, ele acredita que a tecnologia está tornando os atletas cada vez mais eficientes, permitindo que o limite do corpo humano seja repensado. “A partir de coletas e análises complexas de dados a respeito das condições físicas, do resumo e detalhe de cada treinamento, e de simulações de realidade virtual, para haver uma melhor preparação, que antes seria impossível de fazer por diversas razões.”

Por fim, ele diz que uma mudança muito importante que aconteceu a partir desta fase tecnológica que vivemos, altamente conectados, é a forma de unir pessoas ao redor de sonhos, facilitando a captação de recursos financeiros para atleta de qualquer nível competitivo. “Desde criança até campeões mundiais, e atletas que sonham em conquistar uma vaga olímpica. Isso muda a vida de um atleta, isso muda os valores de uma sociedade”, afirma.

Alster para 2020

Para o próximo ano, o objetivo da Alster é aumentar o portfólio de modalidades dentro da plataforma, desenvolver uma comunidade cada vez mais sólida, e “transformar ainda mais o esporte a partir de novas campanhas, desenvolver novos produtos na mesma linha, para gerar ainda mais oportunidade de captação para os atletas brasileiros.”