* Por Dagoberto Hajjar

O mercado de TI, em 2025, estará muito melhor e muito diferente do que conhecemos hoje. Para mim, o cenário e as mudanças são muito claras e fazem parte de um processo de amadurecimento que estamos vivendo no mercado Brasileiro de TI.

Para entender o futuro e fazermos previsões, primeiro temos que olhar o passado, o histórico.

O mercado de TI cresceu bem acima do PIB até 2008. Naquela época foram feitos os grandes investimentos em automação de escritórios, indústrias, escolas, bancos, varejo e tudo o mais. Em 2009 tivemos o ano da “marolinha” com crescimento muito próximo de zero, mas represando os investimentos e desaguando em 2010, quando tivemos crescimento recorde em TI de pouco mais de 20%. Passamos então pelos anos críticos de 2015 e 2016 com retração média de 5% do mercado de TI e alta inflação. Seguimos para anos excelentes em 2017 e 2018 com crescimento acima de 10% ao ano. Teremos um 2019 fraco com um crescimento de 6 a 7%, mas isto já era esperado por conta da conjuntura política e econômica.

Vem a primeira previsão para 2020: cresceremos 20% repetindo um efeito muito parecido com o que observamos de 2009 para 2010 quando houve o represamento seguido de grande crescimento. Faltará mão-de-obra especializada, e as empresas maiores ou mais bem estruturadas roubarão mão de obra das empresas menores ou menos estruturadas, exatamente como aconteceu no passado. Então o crescimento de 20% aumentará a polarização, colocando de um lado empresas com alta taxa de crescimento e de outro, empresas com retração. Vai faltar pizza para todo mundo. Alguns comerão 2 pedaços e outros ficaram sem comer.

Nos últimos 15 anos, o Brasil investiu o equivalente a 2.1% do PIB em TI. No mesmo período, os USA investiram 3.9% e os países desenvolvidos 3.4%. Isto criou um “déficit” de tecnologia gigantesco e as áreas mais afetadas foram educação, saúde e varejo. E aqui vamos com outra previsão: em 2020 vamos começar a ver a redução do déficit em educação, no final de 2021 vamos começar a ver em saúde, e no final de 2022 será a vez do varejo. Levaremos anos para recuperar este déficit, mas teremos taxas de crescimento e investimentos significativos nestas áreas.

E vamos para mais uma previsão: 5G terá um impacto retumbante. Os primeiros testes mostraram ganhos de velocidade de 35 a 100 vezes. O primeiro iPhone foi lançado em 2007 e por mais que os “gurus” falassem que a telefonia móvel mudaria o mundo, eles sequer chegaram perto do impacto que os celulares têm hoje na vida das pessoas e das empresas.

É impossível, hoje, viver sem Uber, Waze, ApplePay, e mais um monte de apps que surgem todos os dias. Pois bem, arrisco a falar que o 5G levará o mundo para outro nível de tecnologia que sequer conseguimos imaginar hoje. Teremos todos os dispositivos conectados na Internet, desde carros até geladeiras. Teremos Inteligência Artificial analisando toda esta montanha de dados que serão coletados, e “conversando” com a gente como se fossem “pessoas inteligentes”, nos recomendando o que fazer.

O Software se tornará príncipe, e isto não é uma previsão, é um fato. À medida que o mercado vai amadurecendo temos um aumento de consumo de Software e Serviços em detrimento de Hardware. No Brasil, estamos ano a ano, aumentando o consumo de software. Ainda estamos abaixo da média mundial, o que nos leva a acreditar que o tal “déficit de tecnologia” no Brasil será preenchido com muito mais software e serviços do que Hardware.

A última previsão é que o ISV (empresa de desenvolvimento de software) será peça-chave em todo o ecossistema de tecnologia. Se o Software será príncipe, então, o ISV será o rei, já que ele é quem desenvolverá o software, e o software é que resolve o problema dos clientes. Então o ISV estará conectado com os clientes, será o seu “trusted advisor” (conselheiro de confiança), e assumindo este papel, então será o novo canal de vendas e distribuição de tecnologia.

Nos últimos 10 anos falamos que o papel do canal iria mudar. Alguns “gurus” chegaram a falar que o canal tinha que começar a agregar “propriedade intelectual”. Hoje temos, de maneira muito clara, que não é o canal que mudará, mas sim o ISVs que se tornará canal. Esta é uma mudança enorme que exigirá reposicionamento de todos os fornecedores que usam canais para escoar seus produtos ao mercado.


Foto_Dagoberto_150x150Dagoberto Hajjar trabalhou 10 anos no Citibank em diversas funções de tecnologia e de negócios, 2 anos no Banco ABN-AMRO, e 9 anos na Microsoft exercendo, entre outros, as atividades de Diretor de Internet, Diretor de Marketing e Diretor de Estratégia. Atualmente é sócio fundador da ADVANCE – empresa de planejamento e ações para empresas que querem crescer.