biometria tem experimentado um crescimento exponencial em praticamente todas as áreas dos setores de serviços e comércio. De acordo com a empresa de pesquisa de mercado Research and Markets, a expectativa é que até 2023 o investimento nesta tecnologia supere US$ 51 bilhões.

No ano passado foram gastos cerca de US$ 39 bilhões em equipamentos e pesquisas, o que significa que o aumento possível até 2023 é de cerca de 22%.

Como qualquer novidade tecnológica, a biometria levanta dúvidas e questionamentos por parte da população. Afinal de contas, ela usa características pessoais (como digitais dos dedos, íris dos olhos, face etc.) para distinguir um indivíduo do outro. Ao mesmo tempo em que gera admiração em alguns e torna mais prática atividades cotidianas, centenas de mitos e desinformações são difundidas.

No Brasil, especificamente, uma das áreas onde o assunto está mais sendo debatido é em relação às eleições. Desde 2008, a Justiça Eleitoral tem coletado as digitais de brasileiros em municípios de todo o país. A ideia é criar um banco de dados dos eleitores para que ocorrências de fraudes diminuam no período eleitoral. Entre as cidades onde o cadastramento é obrigatório, mais de 30% da população ainda não compareceu à Justiça Eleitoral.

A especialista em infraestrutura de TI e CEO da it.line, Sylvia Bellio, pontua que, além das pessoas não terem feito o cadastro por preferirem postergar, também existem outras causas. “A biometria está bastante difundida hoje, sendo usada para desbloquear celulares, acessar portarias em condomínios e nas eleições. Apesar disso, ainda há muitos mitos que circulam por aí que acabam gerando desconfiança e desconforto nas pessoas”, argumenta Sylvia.

Biometria: mitos e verdades

Uma pesquisa de uma empresa de cartões de crédito, em parceria com uma consultoria de mercado, revelou que 90% dos brasileiros entrevistados disseram achar a biometria mais simples de usar do que senhas alfanuméricas, por exemplo. Apesar do número impressionante, outro dado acaba contrastando esse cenário.

De acordo com o levantamento Panorama Mobile Time/Opinion Box, divulgado no final do ano passado, somente 27% dos brasileiros que possuem smartphones utilizam a biometria como método de desbloqueio. Os dados do Panorama Mobile também apontam que a maior parte das pessoas que não usam a biometria estão na faixa etária dos 50 anos ou mais.

Sylvia salienta que é importante elucidar alguns mitos que acabam circulando e fazendo com que as pessoas não adotem a biometria:

 biometria de um dedo decepado pode ser usada?

Segundo a especialista, esse é um mito que por ser divulgado em filmes, acabou se tornando real para algumas pessoas. “O fato é que não é possível utilizar um dedo decepado para se identificar. Os sistemas hoje em dia também calculam questões como batimentos cardíacos e fluxo sanguíneo da parte que está sendo escaneada.”.

É possível pegar doenças a partir do escaneamento do sistema biométrico?

De acordo com Sylvia Bellio, não existem pesquisas científicas que comprovem a transmissão de doenças por contato direto através da biometria. “Em locais que não há contato, como os que realizam leitura de íris, essa possibilidade inexiste”, ressalta Sylvia.

Após realizar o cadastro biométrico, as identidades podem ser roubadas dos sistemas?

A CEO afirma que há uma possibilidade mínima de biometrias serem roubadas através de hackers.  “O armazenamento dos dados das digitais dos dedos, face etc., são  transformados em um complexo código binário que é totalmente encriptado. Ou seja, a decodificação desses dados é praticamente impossível, o que torna a biometria uma das formas de identificação mais seguras da atualidade”, diz ela.

biometria é cara e só pode ser utilizada por grandes empresas?

Sylvia diz que essa não é mais uma realidade. “Como toda tecnologia, a biometria foi sendo barateada após as constantes evoluções e modernizações. Atualmente até mesmo pequenos empreendimentos podem usar equipamentos do tipo.”

Curiosidades

A difusão da biometria atualmente é grande e tem auxiliado dezenas de setores diferentes. Além disso, a biometria também é muito mais do que apenas identificação facial e digital dos dedos. Bellio elencou alguns avanços na utilização desta tecnologia:

A biometria está sendo usada para identificar bebês

O Ministério da Saúde editou, em 2018, uma Medida Provisória que tornou obrigatório o registro biométrico de bebês nas maternidades. A decisão visa prevenir a troca de crianças e ainda inibe a prática de crimes como roubos de recém-nascidos.

Os próprios usuários ajudam as redes sociais a reconhecerem pessoas próximas a eles

Desde 2010, o Facebook utiliza uma tecnologia de reconhecimento facial para te sugerir quais amigos seus estão em determinadas fotos. Como o programa sabe disso? Pelas próprias marcações anteriores que os usuários fizeram, dando exemplos de como são os rostos das pessoas próximas.

A partir de outra tecnologia, chamada de machine learning, os sistemas acabaram aprendendo sobre nossa aparência física e já conseguem nos distinguir de nossos irmãos e primos, por exemplo.

Um dos tipos de biometria utiliza o reconhecimento pela digitação

Uma característica bastante pessoal e única é a forma em que cada pessoa digita no teclado do computador. Cada indivíduo tecla em uma velocidade específica, usando dedos específicos, aperta os botões com força diferente etc. Esse tipo de biometria está na lista das comportamentais, que também são os casos da biometria por modo de caminhar e estilo de assinatura.

Países já utilizam o sistema para identificar cidadãos e localizar criminosos foragidos

Vários países no mundo, incluindo o próprio Brasil, já possuem bancos de dados digitais de pessoas com problemas na Justiça. Neste caso, é utilizado o sistema de reconhecimento facial. Os rostos dos criminosos ficam em um banco de dados e câmeras espalhadas pelas cidades conseguem checar o grau de semelhança das pessoas que estão sendo filmadas com o que está no sistema.

Por fim, Sylvia afirma ainda, que a biometria é uma tecnologia de identificação que precisa ser desmistificada. “A biometria é eficiente, facilita a vida das pessoas, gera segurança por personalizar acessos e por deixar os sistemas menos suscetíveis a roubos”.