* Por José Pedro Mello

O cenário promissor do ecossistema de startups chegou ao mercado esportivo! Considerado um segmento com investimentos escassos e desiguais, sendo um dos mais conservadores mercados do país, o esporte brasileiro precisava, com urgência de iniciativas renovadoras. As chamadas “sportstech”, tendência que vem crescendo nos Estados Unidos e na Europa, agora começam a aparecer, finalmente, no Brasil.

O estudo North American Sportstech 2019 realizado pela consultoria alemã SportstechX, sobre as startups da Sports Tech e o ecossistema que as cerca, indicou que o investimento no setor teve um crescimento de 140% entre 2016 e 2018 em toda a América do Norte. Foram mapeadas 2.500 companhias com foco em esporte nessa região.

Quando analisado de forma global, o mercado também traz resultados promissores. De acordo com o SportsTech Report, levantamento realizado pela Colosseum, Sportstech de inovação sediada em Tel Aviv, o valor do setor deve triplicar nos próximos 5 anos. O estudo indica ainda que há mais de 4 mil startups do setor ao redor do mundo, e mais de 100 hubs de inovação relacionados ao tema.

Por outro lado, no Brasil, esse ainda é um segmento que começa a dar os seus primeiros passos em direção ao desenvolvimento. Hoje, segundo o mapeamento da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), existem 63 sportstech cadastradas na base de dados da organização.

Apesar da pouca quantidade de companhias se comparado a setores mais tradicionais do ecossistema, as startups voltadas a esse trade, vêm crescendo significativamente. Em 2015, havia apenas 32 empresas desse tipo mapeadas. Em três anos, o número quase dobrou.

Essas informações só nos mostram que o mercado esportivo responde muito bem às inovações quando encontra empresas dispostas a apostar em ideias arrojadas e que tragam, de alguma forma, avanços no esporte. Ainda de acordo com o estudo, 22 das 61 startups mapeadas estão em fase de tração, ou seja, momento de maturidade das empresas inovadoras o que indica que é um setor que tem gaps importantes e, se bem explorado, tem alto potencial de sucesso.

No mercado brasileiro, os negócios baseados em Software as a Service (Saas), são os mais prevalentes, de acordo com o Startup Base, banco de dados da Abstartups. Nesse mesmo levantamento, os marketplaces aparecem logo em seguida, o que indica que há espaço para players emergentes nesse setor.

Em resumo, apesar do setor de sportstech ser muito mais desenvolvido nos ecossistemas da América do Norte, aqui no Brasil existe um grande potencial de crescimento para o mercado de inovação no esporte, um mercado difícil e conservador em que toda e qualquer ideia que traga oportunidades e renda, será uma enorme vantagem. Acredito que, no futuro, veremos ainda mais iniciativas dentro desse segmento, trazendo oportunidades para diversas pontas, entre profissionais e atletas.

* José Pedro Mello é fundador e CEO da AtletasNow , com a missão de conectar todas as pontas do esporte por meio da tecnologia. É também estudante de administração de empresas pela FAAP. Ex-atleta de basquete, com experiência no mundo esportivo americano, pois teve a oportunidade de ser um atleta no exterior, enquanto se formava no ensino médio. Participou de diversos eventos e processos de recrutamentos esportivos/educacionais universitários americanos.