* Por Anderson Arcenio 

Inovação, palavra com origem no latim innovare, “renovar, mudar” – de in-, “em”, mais novus, “novo, recente” – vem aparecendo cada vez mais como pauta dentro de grandes empresas e é considerada um requisito das startups e seus modelos de negócios escaláveis.

Mas afinal, o que realmente é inovação?

Se pesquisarmos referências de definições, encontramos diversas variações de texto, mas sempre com certas características em comum. Hoje a minha interpretação mais objetiva é a seguinte:

“Inovação é a transformação de algo já existente em algo novo que gere mais resultado.”

A motivação correta

Entretanto, mais do que entender a origem da palavra ou uma definição clara do significado, as empresas precisam avaliar o porquê inovar.

Em alguns casos, vemos empresas desenvolvendo programas de inovação apenas superficiais, com o objetivo de mostrar para o mercado que também são inovadoras. Claro que isto pode trazer resultado em termos de construção de marca ou estratégia de relacionamento com stakeholders, porém este é um objetivo muito pequeno para algo que pode gerar tanto impacto. Inovação não é um fim, inovação é um meio para atingir um objetivo. Portanto antes de buscar o melhor caminho, as empresas precisam ter claro o porquê estão buscando aquilo.

Os tipos de inovação – e seus horizontes

Sabemos que a inovação pode vir através de novos produtos, serviços, processos, marketing, modelo de negócio ou modelo organizacional, mas não é exatamente destes tipos que gostaria de falar aqui.

De acordo com a consultoria McKinsey, a estratégia de inovação possui três horizontes:

Horizonte 1: o objetivo da inovação está em melhorar a eficiência operacional e maximizar a entrega de valor que já existe hoje.

Horizonte 2: abrange oportunidades emergentes que podem criar novas unidades de negócio e no futuro podem trazer lucros substanciais.

Horizonte 3: ideias e oportunidades nascentes que podem ter um crescimento rentável no futuro. Elas podem mudar a natureza e as regras de uma indústria.

Nos horizontes um e dois normalmente tratamos de uma inovação incremental, ou seja, aquela que representa melhorias nos produtos ou processos já existentes, mas que não impactam na forma como estes são consumidos. Já no horizonte três temos mudanças mais drásticas, a chamada inovação radical.

Em qual tipo de inovação minha empresa deve focar?

Cada empresa tem sua própria realidade e por isso retomo a importância de entender a real necessidade do momento e buscar inovações para alcançar este objetivo.

Entretanto, como uma boa prática, a combinação de diferentes iniciativas de inovação, distribuídas entre os três horizontes, é o que cria uma estratégia equilibrada capaz de obter resultados para o negócio atual e também se preparar para um cenário diferente no futuro.

E essas iniciativas podem ser realizadas tanto dentro da empresa quanto fora dela. E aqui aparece outro conceito importante: a inovação aberta.

Inovando de maneira aberta

Inovação aberta, ou em inglês open innovation, é um termo criado em 2003 por Henry Chesbrough para as indústrias e organizações que promovem ideias, pensamentos, pesquisas e processos abertos a fim de melhorar o desenvolvimento de seus produtos, prover melhores serviços para seus clientes, aumentar a eficiência e reforçar o valor agregado.

Com a inovação aberta, acredita-se que a detenção do conhecimento e a identificação de novas soluções podem estar em qualquer lugar, tanto interno quanto externo, de uma cadeia de valor de uma empresa. Ou seja, através de funcionários de distintas áreas, fornecedores, parceiros, universidades e outras organizações.

Falarei mais sobre inovação aberta em próximos artigos, estamos planejando um evento bem legal sobre o tema.

A inovação que realmente importa demanda, principalmente, que as empresas entendam suas reais necessidades, estruturem boas iniciativas e transformem suas ações em novas que tragam mais resultado – no curto e no longo prazo.


Anderson Arcenio é bacharel em Sistemas de Informação pela Unesp Bauru, pós-graduado em Gerenciamento de Projetos e atua há 14 anos com projetos digitais. Empreendedor com startups há 9 anos, hoje é sócio das empresas FCJ Bauru, Cocreare, Protarefa, Salus e Dinamize, além de estar à frente da comunidade local Sandwich Valley.