* Por Eduardo Tardelli

O setor bancário é, sabidamente, um dos que mais investe em compliance, devido ao alto risco das suas transações. No Brasil, o combate às fraudes ganhou força em 2009, ano em que a Controladoria Geral da União oficializou a responsabilidade social das empresas em relação a essa questão. O assunto foi destaque novamente em 2013 com a aprovação da Lei da Ficha Limpa, que estabeleceu às empresas que têm setor de compliance ativo uma redução no valor das multas e sanções, que podem chegar até 20% do faturamento anual das empresas envolvidas em atividades ilícitas em caso de irregularidades. Como o montante nesse setor é maior, o benefício, nesses casos, também.

Por isso, medidas de transparência e controle interno e externo que visam combater a lavagem de dinheiro, sonegação de impostos, evasão de divisas e outras atividades fraudulentas são muito importantes, principalmente para este setor, que costuma ficar à mercê desses problemas mais do que outros segmentos.

As operações anticorrupção que veem acontecendo nos últimos anos colocaram grandes bancos em evidência, ajudando muito a evidenciar as práticas de prevenção de risco. As melhorias e estruturação dessas ações aprimoram e aperfeiçoam a segurança da informação, permitindo acesso restrito e controlado a dados sensíveis, garantindo, ainda, a adoção das mais recentes medidas para prevenção de lavagem de dinheiro e combate a práticas fraudulentas.

Com isso, estamos vendo empresas que trabalham com serviços relacionados a compliance crescerem exponencialmente ao longo dos anos, tornando-se consultoras de organizações de diferentes setores. Essas companhias têm ajudado a dar suporte aos objetivos estratégicos, com a premissa de garantir a máxima transparência em relação as suas atividades. Os profissionais da área têm auxiliado muitas empresas a lidarem com aspectos de governança, conduta, transparência e temas como ética e integridade. Afinal, é essencial que as organizações mantenham uma conduta a ser espelhada e replicada em seu mercado de atuação, agindo diretamente na prevenção de riscos que vão além do impacto financeiro.

O setor bancário, sem dúvidas, saiu na frente, por oportunidade ou necessidade, em relação ao combate às fraudes e à corrupção. Porém, a tendência é que diversos segmentos se adaptem, cada vez mais, as mudanças positivas causadas por medidas de compliance.


Eduardo Tardelli é CEO da upLexis, empresa de software que desenvolve soluções de busca e estruturação de informações extraídas de grandes volumes de dados (Big Data) extraídos da internet e outras bases de conhecimento