* Por Adelmo Nunes

A gestão de pessoas nas startups acontece de forma inovadora, o que impacta significativamente na motivação e no envolvimento do time. Uma das provas disso é um êxodo crescente de profissionais promissores do mercado, que optam por deixar carreiras verticais em empresas tradicionais, seduzidos pelo novo padrão de trabalho das startups.

O fato é que as companhias convencionais têm muito a aprender com essas novatas do mercado e deveriam abrir portas e janelas para que os novos ares das startups tragam frescor para a administração convencional e, muitas vezes, ineficaz dessas empresas.

Entre as lições de casa está o modelo de experimentação utilizado pelas startups. As companhias tendem a elaborar um plano de negócios e só depois partem para a implementação dos conceitos, o que gera perda de tempo e mais custos operacionais, principalmente se o projeto não se provar bem sucedido. Nas startups, o teste de um novo plano é imediato e, se der errado, não é o fim do mundo: os envolvidos terão aprendido uma lição importante de por onde não seguir. Em uma startup é comum ouvir frases do tipo “fail fast”, que significa que o problema não é errar, mas se manter no erro. A valorização da experimentação – mesmo quando o erro ocorre – é uma metodologia moderna de gestão adotada pelas startups, que podem promover mudanças importantes na condução de empresas tradicionais.

Outro aprendizado das startups é a descentralização de chefias, com equipes mais autônomas, em uma estrutura horizontal, na qual a hierarquia não é tão evidente. Os líderes não são os chefes, mas são agentes motivacionais comprometidos com os resultados de todo time. Nesse cenário, os colaboradores se sentem mais envolvidos e responsáveis pelos projetos, otimizando a produtividade e estimulando a criatividade.

A avaliação de desempenho é outra ferramenta utilizada na gestão das startups. Consiste em uma apreciação sistêmica do desempenho de cada colaborador, especialmente com base nas metas e métricas alcançadas. Assim, é possível reconhecer aqueles que estão realmente entregando resultados.

Nas startups engajadas com o crescimento sustentável, esse processo de avaliação é contínuo. Os profissionais recebem feedbacks e dicas constantemente. Em empresas tradicionais, a avaliação de desempenho – quando é feita – é sazonal, o que pode ser um gargalo para a produtividade.

É interessante notar que, mesmo as startups que se tornaram gigantes em seus segmentos – como Uber, Airbnb e Nubank –, conseguem manter processos ágeis, transparentes e simples. Isso porque está no DNA desse modelo de negócio a desburocratização dos processos, fortalecendo a cultura organizacional da empresa. Mesmo crescendo, elas não perdem a essência e por um motivo muito simples: não se mexe em time que está ganhando.


Adelmo Nunes, contabilista, é diretor da Planned Soluções Empresariais