* Por Isabela Ventura

O marketing de influência se tornou nos últimos anos uma grande tendência do mercado digital. O poder da voz dos influenciadores é tamanho que eles são capazes de trazer potenciais clientes para marcas ao falar de forma genuína, criativa e próxima dos seus seguidores sobre produtos, serviços ou até causas em geral.

Neste sentido, um recente estudo da MindMiners mostrou que 41% das pessoas compraram produtos ou serviços por indicação de algum influenciador. Isso quer dizer que já temos quase metade das pessoas entrevistadas sendo impactadas diretamente pelos efeitos do marketing de influência, com métricas realmente positivas e concretas. E isso reflete nas decisões de marketing das empresas: de acordo com uma pesquisa da Youpix, 69% dos profissionais de marketing entendem que esta modalidade traz resultados diferentes de qualquer outro tipo de comunicação.

Observando este cenário, nos questionamos sobre os caminhos da publicidade, principalmente no que se trata do ambiente digital. Entendemos que a medida que o marketing de influência cresce, é natural repensar a publicidade tradicional – aqueles anúncios, links patrocinados e pushs que sempre recebemos. É claro que este formato não deve e nem será descartado, uma vez que sempre falamos na importância de uma comunicação integrada.

Mas a grande questão disso é que um dos maiores gurus e autores do segmento, Mark Bonchek, já avisava que “o desafio do mundo online é influenciar o diálogo entre as pessoas”, algo que não é comum que aconteça na publicidade tradicional, que busca simplesmente entregar uma propaganda ao invés de saber exatamente o que você precisa ou a experiência que você quer ter com aquilo que está sendo apresentado.

E é por isso que dizemos que a realidade é que o marketing de influência ultrapassa os limites habituais da propaganda, com um porta-voz criando uma relação direta com sua comunidade e impactando nas tomadas de decisão por meio conteúdos autênticos, genuínos e que a partir dele gerem uma relação muito próxima do seu público, como se eles entendessem a dor uns dos outros e compartilhando exatamente o que estão sentindo. Isso traz para perto o consumidor e faz com que a conversa seja bilateral e não unilateral, como acontece nos anúncios tradicionais.

Justamente por essa forma de enxergar o consumidor e o que ele realmente busca é que os dados da MidiaKix apontam que a previsão é de que as relações entre marcas e influenciadores cresça de US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões até 2020. Ou seja, enquanto vemos marcas investindo cada vez menos em mídias e formatos tradicionais, o marketing de influência só tem crescido ano após ano.

Essa mutação abre espaço para que o fator criativo humano seja o ativo mais importante e movimente ações diversas, como gerar awareness para a marca; leads para serem trabalhados no marketing; aumentar a presença digital da empresa e vender unidades do produto no e-commerce, reiterando o papel preponderante dos influenciadores na publicidade atual e reforçando o poder constante da imagem em meio a novas plataformas, estratégias e ações, com um discurso alinhado à confiança.

Ou seja, antes questionado, o poder dos influenciadores digitais é algo preponderante para alavancar campanhas, modificar status e, acredite, até mesmo estancar possíveis crises institucionais. E por mais que os modelos de abordagem do marketing de influência tenham raízes na publicidade e relações públicas, o potencial dessa estratégia está na conexão real entre pessoas e em se envolver de maneira legítima com essas comunidades.

* Isabela Ventura é CEO da Squid, primeira empresa brasileira especializada em marketing de influência com foco em microinfluenciadores. Isabela é mestre em engenharia econômica e empresarial pela Universidade de Grenoble, na França.