* Por Dagoberto Hajjar

O setor de TI teve excelente desempenho em 2017 e 2018, terá resultados ruins em 2019 e exuberantes em 2020. A constatação vem da pesquisa que a Advance faz trimestralmente para identificar a percepção dos empresários de TI com o momento de mercado. O setor cresceu 10.5% em 2017 e 10.9% em 2018. Em 2019, o mercado cresceu apenas 2% no primeiro trimestre, 7.5% no segundo trimestre, e as expectativas são de crescimento de 20% no segundo semestre, encerrando o ano com 8,0% de crescimento.

Para 2020 as expectativas são exuberantes. Os empresários acham que o mercado de TI pode crescer até mais do que 20%, mas existe o desafio gigantesco de falta de mão de obra, que poderá limitar o crescimento do mercado.

Já vimos este efeito acontecer em 2009, quando houve a marolinha. O mercado de TI cresceu muito pouco em 2009, represando investimentos que desaguaram em 2010 gerando uma quantidade enorme de projetos. Faltou mão de obra especializada e não especializada. A mão de obra ficou cara por conta de lei de oferta e demanda. As grandes empresas “roubaram” a mão de obra de empresas menores, com promessas de melhores salários e benefícios. As empresas menores estavam com excelentes oportunidades à sua frente, mas sem recursos humanos para conseguir aproveitá-las.

Em 2020 este efeito será ainda maior porque a tecnologia evoluiu muito permitindo que os colaboradores estejam trabalhando de maneira remota. Então, uma grande empresa em São Paulo poderá contratar excelentes desenvolvedores, consultores ou até mesmo vendedores de Maringá ou Recife.

O conceito de ter desenvolvedores remotos já é utilizada há muitos anos. Com a expansão da nuvem, então, podemos ter consultores de implementação também tralhando de maneira remota, junto com equipes de suporte, treinamento e manutenção. A equipe de marketing pode estar remota, junto com parte de RH e administração. Até mesmo grande parte do processo de vendas e pré-vendas pode ser feito remotamente. Então, as empresas poderão “roubar” mão de obra de qualquer lugar do Brasil.

Voltando a referenciar a pesquisa da Advance, os números comprovam que, nos últimos anos, houve uma migração de mão de obra. Em 2018, 23% das empresas de TI reduziram o quadro de colaboradores, e cerca de 10% reduziram os investimentos em marketing e vendas, visando um primeiro semestre fraco em 2019. Esta mão de obra foi deslocada para empresas com planos agressivos de expansão no mercado.

A pesquisa mostra que, de um lado temos empresas crescendo a taxas maiores de 15% e de outro lado empresas retraindo drasticamente. É o efeito conhecido como polarização. Este efeito foi brando até 2014, médio em 2015 e drástico em 2016, fazendo com que o dinheiro mudasse, rapidamente, de mãos. Em 2017 a polarização foi reduzindo. Finalizamos 2018 com o menor índice de empresas retraindo desde janeiro de 2014. Para 2019 teremos um crescimento fraco do mercado de TI, e consequentemente, esperamos ter um aumento da polarização, ou seja, o dinheiro vai mudar de mãos – indo das empresas que terão forte retração para as empresas com forte crescimento.

Falamos que as empresas que estão indo mal estão no mundo velho e as que estão indo bem estão no mundo novo. A diferença entre os dois mundos está na maturidade empresarial. No mundo novo as empresas analisam o mercado (oportunidades e ameaças), desenham ou redesenham um modelo de negócios para atenderem a demanda de maneira diferenciada, escolhem corretamente uma carteira de ofertas, estabelecem um plano com estratégias e ações, estruturam as áreas de marketing e vendas, e têm grande disciplina na execução do plano.

Outros dois fatores críticos de sucesso serão treinamento e capacitação, e o estabelecimento de processos, para que você possa contratar recursos menos especializados e garantir boa execução e qualidade.

Teremos um grande segundo semestre em 2019 e um grande ano em 2020. Será que sua empresa está preparada para tirar proveito desta oportunidade?


Foto_Dagoberto_150x150Dagoberto Hajjar trabalhou 10 anos no Citibank em diversas funções de tecnologia e de negócios, 2 anos no Banco ABN-AMRO, e 9 anos na Microsoft exercendo, entre outros, as atividades de Diretor de Internet, Diretor de Marketing e Diretor de Estratégia. Atualmente é sócio fundador da Advance – empresa de planejamento e ações para empresas que querem crescer.