Na última semana aconteceu o Innovation Summit, realizado pela Rede Nacional de Associações de Inovação e Investimentos (RNAII), em Florianópolis. Trata-se de uma iniciativa de colaboração das grandes entidades fomentadoras do empreendedorismo inovador, em prol de todo o ecossistema brasileiro de ciência, tecnologia e inovação.

Um dos temas abordados durante um painel foram cases internacionais de sucesso na articulação dos diversos atores envolvidos em um ecossistema de inovação, com impactos significativos para a economia, o desenvolvimento social e a criação de uma cultura de empreendedorismo e inovação.

Peretz Lavie, Presidente do Instituto de Tecnologia Technion-Israel, destacou como o país se tornou referência em inovação e recomendou a leitura do livro Startup Nation (Nação Empreendedora), que conta a história de inovação do país. 

O Technion, de Israel, está entre as 100 melhores universidades de pesquisa de alto nível do mundo, sendo reconhecido por sua excelência acadêmica, estratégia de pesquisa interdisciplinar, globalização inovadora e estabilidade financeira. Para Peretz, a academia precisa promover o empreendedorismo e para isso, são necessários três pontos: missão, pesquisa e educação.

Israel está no topo da lista ao lado da China com o maior número de empresas com capital na bolsa americana NASDAQ. O país é um dos líderes globais em alta tecnologia, atuando no desenvolvimento de softwares, comunicações e ciências da vida.

E para entender o sucesso de Israel como capital da inovação, é preciso voltar à raiz dessa história, que começou da combinação da escassez de recursos, como água e petróleo, com a necessidade de sobrevivência. Dada a situação geopolítica e os problemas com os países vizinhos, Israel foi obrigado a buscar uma nova solução para a sobrevivência da população.

Ele citou também um diferencial do ecossistema israelense muito importante: a influência do exército na vida das pessoas. Homens e mulheres ao completar 18 anos são obrigados a servir o exército, mas diferente do que parece, o exército costuma ser o local onde os jovens se conectam com tecnologia de ponta pela primeira vez. Lá os jovens aprendem sobre liderança, trabalho em equipe, tomada de decisões e resiliência, o que influência diretamente o rumo que desejam tomar após o término do processo.

Também participou da discussão Manuel Heitor, Ministro de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, que afirmou que desde 2016 o país passou para a melhor posição dos países da União Europeia considerados como “inovadores moderados”. Segundo Manuel, é necessário qualificar e promover o desenvolvimento de competências e processos coletivos de aprendizagem, democratizando o acesso ao conhecimento além de promover a diversificação institucional da atividade de P&D, juntamente com o papel de instituições de interface; diversificar a estrutura da economia e o nível dos incentivos, intensificando o acesso à inovação.

Portugal, assim como Israel, é um país pequeno e conta hoje com cerca de 10 milhões de habitantes. Devido a isso, os empreendedores tendem a criar um negócio voltado para internacionalização, visando consumidores globais.

O posicionamento de Portugal como uma marca de inovação está evoluindo, destacando benefícios como infraestrutura disponível e de alta qualidade, acessibilidade geográfica a diversos mercados, custos competitivos e qualidade de vida.

Além disso, anualmente Lisboa é a sede do Web Summit, maior evento de inovação e empreendedorismo da Europa. Lisboa também é a segunda melhor cidade do mundo para investir, de acordo com o Financial Times. De acordo com o Eurostat, Portugal teve o melhor crescimento da Europa no terceiro trimestre do ano passado, de 1.3%.