* Por Ricardo Voltan

Como disse Jorge Paulo Lemann, “Formar gente boa é o melhor negócio que se faz”. Neste quesito, todos pecamos. Isso porque entendo que a empresa é formada por pessoas, as quais precisam ser cuidadas com carinho, atenção, e respeito, pois é o modo como todos nós gostamos de ser tratados.

São inúmeros acontecimentos pelo mundo da nova economia que impactam diretamente as corporações. Estes vão desde as startups, que trouxeram o conceito de gestão ágil e soluções inovadoras, até as novas profissões e a ressignificação de posições de C-level, que têm deixado de existir para serem serem subdivididas em novas áreas de especialização e do conhecimento.

Recentemente, algumas das grandes empresas globais do ramo de foodservice anunciaram a extinção da posição de CMO (chief marketing officer), subdivididas em novas áreas de especialização e do conhecimento.

Mas se estamos falando de impacto, adesão e produtividade como fica o resultado final disso?

Para falarmos de resultado, precisamos entender que em tempos de nova economia, as corporações precisam estar em mudanças rápidas e constantes, na qual os líderes são responsáveis por manter o time coeso e sempre motivado, com satisfação e propósito.

Manter a cultura da empresa clara para todos os colaboradores é uma das formas de evitar o desequilíbrio entre todos. Tão importante quanto, é criar a cultura clara e ativa do feedback.

Isso até parece pensamento de startup, e realmente é!

Uma startup nada mais é que uma nova companhia competindo com todas as grandes corporações, mas com muito mais agilidade. É um lugar onde os colaboradores são realmente um time, com um propósito claro e foco na cultura do longo prazo.

Vivemos tempos de Terra Dois, onde pensar nos colaboradores como cocriadores do resultado final é muito importante. O perfil dos profissionais mudou e todos querem participar dos processos. Para termos uma visão mais clara, hoje não existe mais PDV (ponto de venda), que foi substituído pelo PDE (ponto de experiência). Não existem clientes online ou offline, existem clientes.

A partir dessas afirmações, entendemos que as pessoas não querem mais apenas um trabalho, mas uma motivação, um algo a mais. Ao se falar de experiência do cliente, a mudança é ainda maior. Para entender algumas mudanças, vejamos um comparativo:

*Terra Dois – termo cunhado pelo psicanalista Jorge Forbes, para mostrar e discutir as mudanças que estão acontecendo hoje no mundo pós modernidade em comparando com o mesmo de 30 anos atrás, os novos hábitos, valores entre outras tantas coisas. Marca também utilizada para o programa de mesmo nome e autor.

Mas afinal, o que é inovação? Tenha certeza de que não é o que o amigo do seu sobrinho faz. Boa parte de nós utiliza algum aplicativo de mobilidade, de alguma rede de supermercado e assistimos nossas séries favoritas ininterruptamente.

Isso tudo deve estar alinhado com os objetivos do negócio, a consistência, relevância, empoderamento e agilidade. Isso só é possível se os líderes estiverem envolvidos em todo o processo, acompanhando indicadores e identificando onde melhorar e oportunidades a serem desenvolvidas.

Mas essa ordem não é limitada. Os colaboradores tem muita responsabilidade, é preciso sair da visão de sociedade industrial e entender que as coisas mudaram, ele não precisa pedir demissão e empreender amanhã. Porém, deve entender que o modelo de gestão das corporações mudou e ele precisa se adequar ao novo momento global.

Os profissionais precisam somar novas características que vai além das formações básicas de conhecimento. Hoje devem ser mestiços, pessoas que entendam que precisam atuar em um ambiente plural, com visão e conhecimentos administrativos, financeiros, de processos, gerenciamento de projetos e pessoas.

A visão holística e sistêmica inclui menores relações humanas e das transformações que o mundo vem passando. A realidade das empresas mudou: inovar significa uma capacidade fundamental, e não que deva ter ou ser um expert em tecnologia. Inovar é, muitas vezes, criar um novo processo ou excluir algo que não faz sentido para a corporação, é implementar o que todos já diziam: “se alguém visse.”

Nós já nascemos com a paridade de criar e de inovar. Agora, é só aplicar. O desenvolvimento pessoal deve sempre estar no radar. Entender que ontem a idade e experiência eram um problema, hoje é solução, mas não só isso. É a somatória de uma série de outros conhecimentos que vão ajudar a ver as situações por vários ângulos. Não é sair fora da caixa, é criar várias outras ao nosso entrono.

Esse profissional ideal existe? Ainda não, mas precisamos nos preparar melhor e sobretudo melhorar o nosso repertório, refinar a visão de mundo e a capacidade de argumentar e de influenciar.

Precisamos investir em formação de liderança e gestão, construir boas histórias, ter visão estratégica do negócio e o segmento no qual a empresa atua. Parece tudo muito óbvio, mas olhe com cuidado e virá que não é!

Todos, independentemente da função desempenhada dentro da empresa, devemos ser pessoas multiculturais não somente para nossa carreira, mas para conseguirmos seguir nesse mundo em total transformação, quebrando as nossas barreiras pré-concebidas e ampliando a nossa forma de enxergar. Esse comportamento nos levará a ver a vida muito melhor.

O discurso não é empreender ou ficar no corporativo: é ser feliz. Não há certo ou errado. Há a felicidade e o entendimento de que o mundo mudou e não voltará a ser como foi antes.

O passado foi quando você começou a ler esse texto, o futuro é agora!

* Ricardo Voltan é profissional de negócios e, desde 2011, empreendedor  apaixonado e reconhecido no circuito de inovação do OpenInnovationBR por sua movimentação e articulação junto ao ecossistema sintonizado em inovação e empreendedorismo no Brasil.