A Index Venture, venture capital global, avaliou as políticas de negócios de diferentes países do mundo e descobriu que o ambiente econômico da Estônia está em primeiro lugar no mundo em termos de facilidade para se criar uma startup.

Para falar sobre este ecossistema, internacionalização e investimentos, uma das palestras mais aguardadas da edição 2019 do Startup Summit – evento realizado pelo Sebrae SC e ACATE – foi a de Ragnar Sass, fundador da Pipedrive.

Fundada há 9 anos, a ferramenta de CRM está presente hoje em mais de 140 países, com um time composto por 49 nacionalidades. “O Brasil, entretanto, é nosso segundo maior mercado no mundo. Hoje, 5% da força de trabalho da empresa é brasileira”, diz Ragnar.

O mercado para empreendedorismo no país é muito promissor, apesar de ter pouco mais de 1,3 milhão de habitantes. “Lá, pensar global é uma necessidade”, explica. Por isso, é o país líder em densidade de startups do mundo, com unicórnios como Taxify, Skype e Transferwise.

Ao falar ao público do evento, em uma plenária lotada, sobre os desafios de empreender. “Você vai falhar e ter problemas, mas bons fundadores não desistem. Ninguém, além de você, decide se você terá sucesso ou não.”

Investimentos

Ao STARTUPI, Ragnar falou sobre a crescente onda de investimentos de venture capitals internacionais na América Latina e como o empreendedor brasileiro pode – e deve – pensar global para atrair mercado em todo o mundo.

“Os investidores estão vendo grandes exits na região (latino-americana) e descobrindo o potencial das startups daqui. Isso é excelente. Além disso, há também uma cultura de grandes empreendedores que tiveram sucesso com seus negócios e decidem investir nas novas gerações”, afirma.

Um dos aprendizados de Ragnar durante a trajetória com a Pipedrive foi que pensar global começa do básico, como o idioma. “O mercado brasileiro é gigantesco, talvez por isso muitas startups desenvolvem seus produtos apenas em português. Mas é importante que esteja inglês para que se possa alcançar possíveis mercados em qualquer região do mundo”, afirma.

Para ele, o cenário empreendedor brasileiro vai aumentando o potencial em relação ao mundo à medida que foi se tornando global. “Precisamos mudar o mindset. Na China, por exemplo, as grandes empresas não pensam local, mesmo que a China seja um dos países mais populosos do mundo. Quanto mais internacional for o ecossistema de startups do Brasil, mas sucesso vocês terão.”

Recentemente, Ragnar investiu em sua primeira startup latina, a Hugo, uma startup de delivery sediada em El Salvador, mas acredita que um aporte no Brasil possa acontecer em breve. “Eu amo ajudar empreendedores a terem sucesso. Espero investir em breve em uma startup brasileira, porque eu acredito no talento das startups locais. Fazer dinheiro não é suficiente, o objetivo é causar impacto. Se você tem um negócio que as pessoas ficam felizes em pagar por ele, então eu investiria”, completa.