Na última semana, entre os dias 31 de julho e 2 de agosto, a cidade de Gramado, na serra gaúcha, foi o palco do maior brainstorming do Brasil. A terceira edição da Gramado Summit, um dos maiores eventos de inovação do sul do país, recebeu durante três dias mais de 4 mil participantes, três palcos com conteúdos simultâneos com a presença de mais de 120 palestrantes e mais de 100 expositores.

Tecnologia e pessoas como agentes de transformação

Lisiane Lemos, especialista em soluções de suporte da Microsoft, falou sobre a importância de pensar e utilizar a tecnologia em favor de todos tipos de experiências e realidades dos consumidores. “Morando nos grandes centros, nossa tendência é achar que todo mundo tem internet de qualidade. Isso não é uma verdade. A gente tem que pensar na pluralidade da capacidade de conexão dos brasileiros”, afirma.

Ela também diz que, além de ter um negócio que transpire inovação e faça bom uso da tecnologia, é importante ter consciência de que o mercado é feito, acima de tudo, de pessoas. “O quanto cada um de vocês é preparado para vender seu negócio para a pessoa sentada ao seu lado no avião? Conhecimento só faz sentido quando é compartilhado”, acrescenta a executiva.

Por fim, ainda falando sobre relações pessoais, Lisiane destacou a importância de se tornar autoridade em algum assunto, para garantir o sucesso, seja profissionalmente, seja de uma marca. “A gente tem que ser referência em algo, ser especializado em um assunto e não ter medo de assumir que é melhor naquilo que a gente sabe fazer.”

Uma marca irresistível

Daniele Lazzarotto, fundadora da Tricô, ateliê de estratégia, falou sobre o que faz com que uma marca seja querida por seus clientes, transformando-os em fãs. Como exemplo, ela citou o Nubank, um dos primeiros unicórnios brasileiros e uma das marcas mais queridas pelo público quando o assunto é serviço financeiro.

“O Nubank prova que é a antítese do banco quando você tem um problema com ele. Ele te envia cartas escritas à mão, resolve o seu problema de forma pessoal. Aí, o Nubank brilha. Aprendendo com o Nubank, você precisa saber onde e de que forma brilhar e para se mostrar diferente dos concorrentes. Os clientes não podem duvidar do seu propósito. Você não vai materializar o seu propósito o tempo inteiro, mas quando fizer, tem que ficar muito claro”, explica.

Para fazer com que esta clareza chegue ao cliente, é imprescindível que a empresa alinhe sua comunicação, inclusive internamente. “É importante que todos saibam o propósito, proposta de valor e identidade. O cliente não compra de você o produto, ele compra a marca”, completa.

Digitalização da economia

Para falar sobre dados, Guto Ferreira, presidente da ABDI, subiu ao palco GetNet, o principal do evento, e deu alguns números sobre o mercado. “Até 2020, estima-se que haverá mais de 16 trilhões de gigabytes de dados úteis, um crescimento estimado de 236% por ano entre 2013 e 2020”, explica. “Quando eu falo em dados, não é só o acúmulo, mas a inteligência para melhores decisões. O Brasil tem hoje a 4ª população mais conectada do mundo, mas isso não significa qualidade de acesso.”

Ele explica que, por isso, diversos países já identificaram a necessidade de incentivar a economia baseada em dados como um dos pilares da economia digital. “O comércio eletrônico já representa 60% de algumas grandes empresas. Agora, big data é commodity”, afirma.

As tecnologias digitais mudaram os negócios e interações internacionais. Para as grandes corporações, significa o alcance de escalabilidade global com novos mercados e fornecedores. Para as startups, significa mais clientes, investidores e fornecedores estrangeiros desde o início. “Mais de 80% das startups focadas em tecnologia são criadas para a globalização”, explica o presidente da associação.

Também se beneficiam – e mudam a forma de fazer negócio -, pequenas e médias empresas. “As PMEs utilizam plataformas digitais para encontrar clientes e fornecedores no exterior, como no Facebook, Alibaba e Amazon, por exemplo”. Por fim, os indivíduos também têm novas formas de trabalhar aprender e se comunicar entre países. “Mais de 900 milhões de pessoas tem conexões internacionais em suas redes sociais.”

Presença multimídia

Camilo Coutinho, estrategista digital especialista em vídeos, acumula 24 Plays de Prata – quando um canal do YouTube chega a 100 mil inscritos -, em seu portfólio de clientes. Durante a Gramado Summit 2019, ele falou um pouco sobre como utilizar esta ferramenta para os negócios. “Por que vídeo? Porque as plataformas estão usando, até o WhatsApp. Vídeo não é só brincadeira no YouTube. Vídeo é sério e vende.”

Para começar, ele diz que um vídeo para as mídias sociais precisa ter, antes de tudo, uma meta. “Não crie um ‘depósitube’. Esse é o maior erro que você pode cometer. Para gerar vendas, 10% do vídeo é ideia e 90% é execução. É preciso pensar o conteúdo certo para a audiência certa com uma oferta que faça sentido”, diz. Além de estratégia de conteúdo, é preciso também pensar também no horário em que sua audiência assistirá aquele conteúdo, para que seja impactada da melhor forma possível. Para isso, são necessários testes para entender o perfil da audiência.

Ele diz que é importante que, ao se planejar para o YouTube, tenha noção dos processos que os vídeos envolvem. Antes de começar a produção, é preciso pesquisa, propósito do conteúdo, planejamento e estratégia. Durante a gravação, atente-se ao equipamento, gravação, edição e upload. Por fim, dedique-se à otimização, pulverização, mensuração e replicação. “Qual frase eu vou jogar no YouTube agora e vou achar sua empresa?”, questiona.

Ainda durante a Gramado Summit 2019, Heini Zachariassen, fundador do Vivino, falou sobre como inovar no mercado de um produto milenar, e Mayumi Sato, CMO da Sexlog, falou sobre como transformar um tabu da sociedade em um negócio lucrativo. O Sebrae, a Suberjobs Ventures e até o principado de Mônaco também estiveram presentes no evento, premiando startups. Clique aqui e saiba mais.