* Por Adelmo Nunes

É comum as empresas iniciarem suas atividades contando com um plano de negócios: um documento no qual conste o propósito daquela companhia: quais problemas ela estará apta a resolver e como vai fazer isso? O plano também contempla projeções de receita, lucro e fluxo de caixa para determinado período. Mas é justamente esse modelo que o conceito da startup enxuta – ou lean startup – questiona.

A startup enxuta prevê um trabalho de identificação e eliminação de desperdícios em seus processos produtivos. Gastar menos recursos – tempo, dinheiro e horas produtivas da equipe – planejando, pesquisando, desenvolvendo e ir atrás do que o mercado realmente quer, testando o mais cedo possível a aceitação dos possíveis clientes pelo produto/serviço é o princípio básico da startup enxuta.

Segundo o professor norte-americano associado à Stanford University Steve Blank, a startup enxuta está apoiada em três pilares: o gestor precisa estar ciente de que, antes de lançar seu produto – mesmo que tenha feito muita pesquisa –, o que ele tem são hipóteses que precisam de comprovação. Por isso, o plano de negócios  pode ser substituído por uma ferramenta chamada Canvas, diagrama que mostra como a empresa cria valor para si e para os clientes.

O segundo pilar está baseado em testar as hipóteses do empreendedor, com a abordagem chamada de “desenvolvimento com clientes”: a empresa conversará com potenciais usuários, compradores e parceiros para apurar opiniões sobre o modelo de negócios, incluindo características do produto, preços, canais de distribuição e estratégias econômicas de aquisição de clientes.

Como consequência, a startup enxuta se apoia no terceiro pilar: o chamado “desenvolvimento ágil”. Nesse processo não há perda de tempo ou de recursos, pois o produto é desenvolvido de forma interativa e incremental.

Como pode se observar, a startup enxuta está intimamente ligada à interação empresa-cliente, sempre validando hipóteses e melhorando os processos. Trata-se do conceito de Produto Mínimo Viável” ou MVP (Minimum Viable Product).

MVP

Os gastos desnecessários da maioria das empresas – startups ou não – estão baseados em não testar ou validar seus projetos antes de investir no lançamento de novos produtos. O MVP  foi um conceito desenvolvido pelo norte-americano Eric Ries, pesquisador da Harvard Business School e autor do livro Lean Startup (Amazon, 2012). A obra orienta no desenvolvimento de produtos ou serviços verdadeiramente novos, sempre com foco em evitar o desperdício.

De acordo com as premissas apresentadas por Ries, a startup enxuta prevê diretrizes, tais como a redução do tempo de criação de seu produto, focando no desenvolvimento do MVP, que será uma versão simplificada do produto, mas com suas principais funcionalidades.

O aperfeiçoamento contínuo desse produto, de acordo com os resultados obtidos, reduzindo os ciclos de desenvolvimento ao máximo, é outro conceito apresentado pelo pesquisador. Além disso, ele propõe testar repetidamente a aceitação do produto junto aos usuários, coletando informações que possam auxiliar na adequação às necessidades dos clientes; consumir o mínimo possível de recursos (humanos e financeiros) até encontrar o produto que se “encaixa” nas necessidades do mercado e mudar seu produto/modelo de negócio radicalmente se não tiver aceitação do mercado, procedimento conhecido como pivotar.

É fato que não existe uma fórmula única de sucesso para uma empresa que vai lançar um novo produto ou serviço, mas o método da startup enxuta pode otimizar tempo e custos da operação, oferecendo segurança e agilidade para testar uma nova ideia. Nenhum método de gestão de processos é infalível, mas acumular ferramentas eficazes ajudam a realizar um trabalho.


Adelmo Nunes, contabilista, é diretor da Planned Soluções Empresariais.