Na última semana, o Startupi Innovation Tour – um dos maiores eventos de imersão no ecossistema empreendedor do Brasil, desembarcou na capital mineira. Belo Horizonte possui cerca de 2 milhões de habitantes e uma comunidade de startups de mais 600 empresas, de acordo com o Startup Base, da Associação Brasileira de Startups, o que faz desta uma das maiores e mais sólidas comunidades do país.

A comunidade não para de crescer e, para acompanhar de perto este organismo vivo e pulsante que é o ecossistema empreendedor belo-horizontino, participantes de todo o Brasil acompanharam o evento de imersão promovido pelo Startupi na cidade.

Bootstrapping

A primeira parada do grupo foi a MaxMilhas. Quem recebeu a comitiva foi Tahiana D’Egmont, sócia e CMO da empresa. Além de apresentar o escritório da startup – que tem capacidade para 400 colaboradores e todo com temática de viagens -, o Tour também pode conhecer melhor sobre os processos da empresa, história da startup e projetos para um futuro próximo da MaxMilhas.

“O brasileiro viaja uma vez a cada 4 anos, enquanto o norte-americano voa 2 vezes ao ano. Nós acreditamos que há como dar acesso aos brasileiros e permitir com que eles voem mais”, diz Tahiana, afirmando que, ao contrário do que se pode imaginar, o público da empresa é composto em sua maioria, por pessoas que viajam por motivos pessoais, “e são essas, exatamente, que mais sofrem com os preços altos das passagens”, explica. Hoje, o Brasil tem a 12ª passagem aérea mais cara do mundo.

“70 bilhões de pontos e milhas expiram anualmente. E é aí que a gente entra. Em seis anos, intermediamos mais de 4 milhões de passagens aéreas e negociamos 40 bilhões de milhas”, explica a CMO. Todo esse sucesso, que começou com um plano despretensioso de Max Oliveira, fundador da empresa, levou a MaxMilhas a ser o maior case de bootstrapping de San Pedro Valley e do Brasil – isto é, a empresa cresce de forma exponencial sem receber nenhum tipo de investimento externo, além do valor inicial dos sócios-fundadores.

Tahiana falou ao Startupi sobre o valor de um ecossistema engajado e sólido para ajudar startups a crescerem e se desenvolverem, como acontece em San Pedro Valley:

Investimento

Por falar em investimento, a segunda parada do grupo foi o BMG UpTech, braço de corporate venture e inovação do grupo BMG, cujo empreendimento mais famoso é o banco. Jaderson Trindade, da área de relacionamento do BMG UpTech, apresentou um panorama sobre o mercado de tecnologia no Brasil e no mundo, especialmente de algumas décadas até hoje, para pontuar a importância de se investir em inovação, principalmente em países emergentes como o Brasil.

“O BMG UpTech foi criado há três anos com o objetivo de atuarmos como parceiros das startups. Nós identificamos as melhores ideias e projetos, conectamos estes empreendedores com o mercado e impulsionamos estas empresas, seja por meio de aporte financeiro ou estrutura de gestão”, explica.

Hoje, já são 8 investimentos diretos pelo corporate venture, mais de 60 investimentos por meio de outros programas e mais de 400 startups investidas entre Brasil e EUA, em parceria com a Bossa Nova Investimentos, a maior micro venture capital da América Latina.

Aprendizados

Em um WeWork na capital mineira fica a Méliuz, startup líder no segmento de cashback no país. Daniela Fagundes, coordenadora de Product Marketing da startup, foi quem abriu as portas do escritório para o Startupi Innovation Tour. Lá, podemos conhecer um pouco das instalações da sede e entender sobre o modelo de negócio da empresa.

“Hoje são 1600 lojas online parceiras do Méliuz, incluindo os maiores varejistas do país. São mais de 7 milhões de usuários cadastrados na nossa plataforma que recebem, a cada compra, dinheiro de volta: sem truque, sem pegadinha, sem ser em créditos. É dinheiro mesmo”, diz.

Um dos assuntos abordados no bate-papo durante a visita foram os erros e acertos da Méliuz durante sua trajetória e como cada um deles impactou nos aprendizados da empresa. “Em março deste ano, decidimos dar um passo a mais e criar o cartão de crédito Méliuz com o Banco Pan. O cartão não tem anuidade ou taxas por enquanto. Este produto está nos levando a outro patamar”, explica Daniela.

Uma curiosidade sobre o cartão é que, ao contrário do que se pensa, o público da startup se engajou de forma significativa com as mensagens via SMS da empresa. Cerca de 36% das pessoas impactadas pelas mensagens no celular pediram o cartão de crédito por meio do SMS. A empresa hoje conta com cerca de 160 colaboradores, 50 deles em Manaus, onde fica a maior parte do time de tecnologia da startup.

Daniela Fagundes fala sobre a importância de abrir as portas para novos empreendedores e compartilhar experiências e conhecimentos:

 

Cultura

O primeiro dia do Tour terminou em uma visita na Samba Tech, um dos maiores cases de sucesso no Brasil quando o assunto é startup. Isso se deve não só pelo produto inovador desenvolvido pela empresa, mas por sua incansável capacidade de se reinventar e da cultura que permeia os processos da empresa.

“Organizar os processos é fundamental desde o início da empresa. Depois que você cresce, recebe investimentos, começa a ter investidores e contrata gente a toda hora, essa organização não dá mais pra controlar”, diz Pedro Filizzola, CMO da Samba Tech.

A história da empresa começou em 2004, quando Gustavo Caetano, ainda estudante na época, decidiu trazer para o Brasil uma empresa de joguinhos para celular. “Ele aprendeu ainda naquela época que, se você vê uma necessidade de algo que não existe, há uma demanda de mercado, porque com certeza mais alguém tem a mesma necessidade que você”, conta Pedro.

De lá pra cá, a empresa precisou pivotar seu produto diversas vezes, tanto para continuar competindo no mercado quanto para inovar em seus produtos e soluções. Nesta trajetória, a Samba aprendeu muitas lições, algumas delas, foram compartilhadas com os participantes do SIT: “evitem a armadilha de burocratizarem seus processos. É importante que todos na startup, do CEO ao estagiário, tenham a liberdade de apresentar ideias, testar e errar. Mas, principalmente, que aprendam com esse erro para que ele não aconteça nunca mais. Afinal, para ser startup precisa ser escalável, e não dá para escalar sem agilidade”, diz.

Atendimento

O segundo dia do evento foi marcado por uma visita à Sympla, a maior plataforma do país em em gestão de eventos e vendas de ingressos. Apesar de ser essencialmente uma startup de Belo Horizonte, a história da empresa tem início em 2012, com os fundadores vivendo em diferentes partes do mundo.

David Tomasella e Marcelo Cartacho, idealizadores do projeto, moravam nos EUA quando começaram a pensar na solução que daria origem à Sympla. Rodrigo Cartacho, irmão de Marcelo, morava em Budapeste, na Hungria, e entrou para o time que compõe os fundadores da empresa. É da capital húngara, inclusive, o estabelecimento que dá nome à startup: o bar Szimpla Kert, o mais famoso da cidade.

Jéssica Saliba, Senior Inside Sales Consultant, recebeu o grupo do Tour e falou sobre os desafios da empresa, que dá suporte hoje a milhares de produtores de eventos, sejam eles de pequeno, médio ou grande porte. “Nós, aqui na Sympla, estamos sempre preparados para darmos todo o suporte aos nossos clientes, sejam os compradores ou os produtores de eventos. A gente precisa garantir que, do lado do comprador, seja sempre simples e fácil e, da parte do produtor, seja a ferramenta mais poderosa que ele tem na hora de gerir o evento dele”, afirma.

Revolução

Pela primeira vez, o Startupi Innovation Tour levou os participantes para conhecerem de perto a sede do banco Inter, em Belo Horizonte, onde mais de 1.000 colaboradores atuam no bairro Cidade Jardim, na cidade.

Ana Luiza Ziller, gerente de novos negócios do Banco, explicou sobre os processos de inovação que acontecem dentro da instituição, fundada em 1994. “Nós não nos posicionamos como uma fintech, mas também não somos um banco tradicional. O que nós queremos – e estamos fazendo – é realizar uma grande revolução bancária, mudando a forma como nossos correntistas utilizam tecnologia e lidam com dinheiro”, explica.

Um dos objetivos do banco, hoje, é se tornar um superaplicativo, assim como o WeChat, da chinesa Tencent, e o que tem se tornado hoje a Rappi, aplicativo do unicórnio colombiano. “Somos o primeiro banco 100% digital do país e o único a oferecer uma conta completamente isenta de tarifas. Ela é a porta de entrada dos clientes para uma plataforma digital e completa de serviços”, diz.

Em 2018, o banco atingiu a marca de 1 milhão de correntistas, se tornando o primeiro banco digital do mundo a atingir esta marca. Hoje, graças à tecnologia, está presente em 99% do território brasileiro. “Precisamos estar preparados, dentro do Inter, para atendermos não só quem já está neste universo da tecnologia e entende que um banco não precisa mais ter agência, mas também – e principalmente – para educar aqueles que ainda não estão na era digital, para que se adaptem a este novo mundo”, completa.

Ana Luiza Debarry, da área de Desenvolvimento do Banco, levou os participantes para visitarem a sede do Banco e falou ao Startupi sobre o momento da empresa:

Conteúdo

Uma empresa que em dois anos passou de três para mais de 100 colaboradores, e hoje, com seis anos de história, já conta com 400 pessoas no time e uma plataforma com mais de 70 mil freelancers cadastrados especializados em marketing digital para auxiliar as empresas a adquirirem engajamento e relevância online em seus segmentos. Essa é a Rock Content, startup mineira de estratégias e marketing de conteúdo.

“Cinco bilhões de buscas são feitas diariamente pela internet. O nosso objetivo é ajudar os nossos clientes a serem as respostas para estas pesquisas”, diz Adriana Testa, RP da empresa. Cada andar da startup, no bairro Funcionários, na capital mineira, é decorado com o tema de um estilo musical diferente, dividido pelos departamentos. A empresa hoje oferece alguns serviços como:

Produção de conteúdos diversificados (como artigos, infográficos e vídeos) de acordo com a necessidade de cada empresa cliente; um software de gestão de Conteúdo com ferramentas de organização e análise, o Rock Studio; consultorias e acompanhamentos customizados com a equipe especializada da Rock Content; condições especiais do sistema de parceiros da startup para potencializar resultados de marketing; criação de blog gratuitamente em 2 minutos ou migração para a plataforma da empresa e a Universidade Rock Content, que treina equipes das empresas para torná-los experts em marketing de conteúdo.

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