O mercado de carne plant based tem ganhado força ao redor do mundo e no Brasil não poderia ser diferente. Lançada em abril, a Fazenda Futuro, foodtech 100% brasileira dedicada à produção de carne à base de plantas, sem nada de origem animal, mas que promete o mesmo gosto, textura e suculência da bovina, desponta novamente e se consolida como player ao captar US$8,5 milhões em sua primeira rodada investimento externo, elevando seu valor de mercado para US$100 milhões.

Com Marcos Leta e Alfredo Strechinsky à frente da Fazenda Futuro, ambos empreendedores experientes e com uma trajetória de sucesso em negócios disruptivos, a empresa, em três meses de atividade, conseguiu chegar mais próximo dos que consideram seus verdadeiros concorrentes: os frigoríficos.

“Nosso objetivo sempre foi concorrer com os grandes produtores de carne bovina, a recepção dos parceiros varejistas, restaurantes e consumidores têm mostrado que estamos na direção correta. Essa captação nos coloca no caminho para fazer do Brasil, assim como ele é com a carne bovina, um dos maiores produtores de carne à base de plantas. Já deixamos de ser apenas uma tendência para nos tornamos uma realidade positivamente sem volta. Cada vez mais, as pessoas estão em busca de alternativas alimentares mais sustentáveis”, destaca Marcos Leta, fundador da Fazenda Futuro.

A rodada de investimentos foi liderada pela Monashees, o maior e mais ativo fundo de venture capital da América Latina, com participação da Go4it Capital. Com foco em startups de tecnologia, a Monashees foi primeiro fundo que adaptou as melhores práticas de Silicon Valley à região e é o maior investidor local em três unicórnios: Rappi, Loggi e 99 (adquirida por Didi Chuxing em 2018).

Com esse investimento, a Fazenda Futuro acelera seu plano comercial, foca em inovação e estrutura fabril. “Sempre tivemos uma meta muito simples: evoluir com novas gerações (versões) e opções da nossa carne e chegar em um volume que nos permita ser mais barato do que as carnes de origem animal. O primeiro passo já foi dado ao criar uma nova categoria nas gôndolas dos supermercados, colocando o nosso produto lado a lado as carnes de origem animal, e agora vamos acelerar os planos para cumprir a nossa meta mais cedo”, reforça Leta.

Potencial de crescimento

Depois do lançamento focado no eixo Rio-São Paulo, o aumento na demanda fez com que a foodtech já acelerasse os planos comerciais, ampliando sua presença em redes do varejo e food services Brasil a fora. Em dois meses, o número de parcerias com lanchonetes e restaurantes, por exemplo, saltou de dois para mais de 100, mostrando que há demanda para alternativas mais sustentáveis aos produtos de origem animal. No total, já são mais de 1300 pontos de venda entre food services, redes varejistas, e-commerce de congelados e pontos especializados em diversos estados do sudeste, sul e nordeste.

Trajetória

O Futuro Burger, produto de estreia da Fazenda Futuro, usa em sua base de ingredientes proteína de ervilha, proteína isolada de soja e de grão de bico, além de beterraba para imitar a cor e o sangue da carne, tudo sem glúten, sem transgênicos e, claro, sem boi.

Por trás do desenvolvimento do produto, há todo um cuidado para reproduzir uma versão com valor nutricional muito próximo ao da carne vermelha, com a mesma quantidade de proteína, mas com a diferença de ter uma quantidade mais baixa de gordura. A criação do Futuro Burger começa com um grande aprendizado e entendimento da própria carne bovina e seus componentes – aminoácidos que compõe a proteína animal, cadeias lipídicas que proporcionam sensação de gordura, compostos voláteis provenientes do sangue bovino, até a caramelização dos açúcares presentes na carne.