Como sobreviverão os desenvolvedores de software nos próximos anos? Foi pensando na resposta dessa pergunta que Ricardo Brandão e outros três sócios criaram a Sky.One, uma startup de soluções para a nuvem que se destacou muito nos últimos anos e foi eleita uma Top 25 startups pelo LinkedIn.

Com muita experiência no mercado de TI, mas trabalhando em uma empresa que não era escalável, eles enxergaram uma nova oportunidade: ajudar as empresas que não tem software feito para nuvem. Assim nasceu a Sky.One.

Para ajudar nessa transição, a companhia possui o Auto.Sky, produto que oferece uma alternativa eficiente e sem riscos para quem precisa fazer migração para nuvem. O cliente recebe seu ambiente completamente configurado dentro de algumas horas, com banco de dados e usuários cadastrados. Tudo altamente personalizável para atender às necessidades internas e externas do negócio.

O primeiro cliente apareceu em 2014 com a ajuda da Amazon Web Service (AWS), e em 2015, a startup conseguiu escalar com um modelo de venda por canais para companhias nacionais e globais, que cada vez mais optam por migrar seus sistemas para a tecnologia de computação em nuvem, buscando redução de custos, agilidade e segurança de seus dados e informações corporativas.

Em 2018 a startup recebeu um aporte no valor de R$22,5 milhões. O investimento foi feito pela gestora Invest Tech, focada em fundos de Venture Capital e Private Equity para empresas inovadoras, por meio do fundo Capital Tech II. A empresa também recebeu diversos prêmios: prêmio de inovação da Amazon, Great Place to Work, e entrou para a lista das empresas mais desejadas para se trabalhar do Linkedin.

Em conversa com o Startupi, Ricardo conta que o produto evoluiu muito, e hoje a Sky.One tem se posicionado como uma empresa de tecnologia/cloud computing, para os ISVs, fornecedores independentes de Soluções de Softwares, ajudando-os com a primeira migração, modernizando suas aplicações para fazer parte do conceito de ERP pós moderno, que é toda uma exposição de APIs desses softwares para o novo mundo de aplicação que vem das startups.

Após passarem os três primeiros anos triplicando e os últimos dois dobrando em tamanho e faturamento, hoje eles estão com 130 funcionários, mais de mil clientes e 300 parceiros. Seus clientes são de diversos segmentos e vão desde Jaguar até Bar Brahma.

Um cliente da empresa é o varejista Hirota, fundado em 1972, em São Paulo, por uma família de imigrantes japoneses. A rede cresceu ao longo dos 44 anos e já conta com 15 supermercados espalhados pela capital paulista e região metropolitana. Esse crescimento chamou atenção do grupo para a necessidade de investir em uma infraestrutura de TI mais moderna e segura, com autonomia para suportar o banco de dados e os sistemas de ERPs. Com isso, o Hirota decidiu alocar seu banco de dados e seus sistemas de gestão na nuvem.

A decisão parecia viável após considerar as opções mais modernas no mercado, mas só foi tomada após a quebra de alguns paradigmas. Afinal, como convencer os diretores do grupo a substituir toda uma estrutura física por um sistema totalmente virtual? Aqui, a parceria da Amazon com a Sky.One foi essencial.

Antes de iniciar a migração, a Sky.One preparou todo o ambiente nas nuvens em instâncias EC2 Windows para receber a estrutura do Hirota. Além do banco de dados, o grupo possui sistemas de frente de caixa, de controle de filas, clube de vantagens, descontos, folha de pagamento, e software específico para seu posto de gasolina e restaurante.

Expansão

Com o crescimento, chega a expansão internacional. No caso da Sky.One, se iniciou cedo, no final de 2016, com uma parceria com SAP e Amazon. Eles chegaram em Miami já com clientes, mas Ricardo conta que não foi um trabalho fácil. “Tivemos que lidar com a diferença no modelo fiscal, regime tributário, a contratação por lá também é cara, o cliente pensa diferente, ou seja, é como abrir uma nova startup.”

A startup já vende para nove países, principalmente EUA e América Latina, e Ricardo afirma que o segundo semestre será muito dedicado para a expansão para o México e Colômbia. Para os empreendedores que pretendem internacionalizar, a dica de Ricardo é ter foco, e ir ganhando os mercados aos poucos. Ele cita o próprio exemplo, onde estão buscando a consolidação no Brasil e com um ataque estruturado irão para a América Latina, onde a cultura e o momento de mercado são muito parecidos com o do Brasil.

“Se pudesse dar uma dica para os empreendedores, seria para sonhar grande e exercitar isso todos os dias. É preciso querer ser muito grande, escalável e global, e parte disso será alcançado se você investir nas pessoas certas. Nós fizemos isso muito bem ao escolher sócios complementares, o que com certeza contribuiu para o sucesso da Sky.One.”

Segundo Ricardo, o segredo para tanto crescimento está no próprio produto que impacta no modelo de negócio dos desenvolvedores de software. “Estamos trabalhando com a modernização dos ISVs, desde como trazer o cliente para Cloud Computing e como ele vai se comunicar com a transformação digital que ele vai enfrentar. Quem ainda não vende online terá que vender e quem não se comunica com ominichannel, terá que se adaptar. Segmentos mais tradicionais como varejo, terão que utilizar cada vez mais Internet das Coisas ou Inteligência Artificial para trabalhar tudo isso. O grande desafio junto dessas empresas é como oferecer isso para os clientes dentro do timing que está cada vez mais rápido. O que vai acontecer nos próximos dois anos demorou os últimos dez, e o cloud compunting será um grande facilitador de todo esse movimento”, conclui.

Cultura de startup

Apesar do crescimento exponencial, a Sky.One consegue manter a cultura de startup, com ambiente descontraído e horários flexíveis. Ricardo também destaca a importância do teste rápido, que é feito quase sempre na empresa e não só em produtos, mas em processos, vendas, discursos, novos métodos de marketing, etc. “Não estamos prontos para o amanhã, todo dia é uma aprendizagem, vai muito de testar as coisas rápido, errar rápido e corrigir. As empresas que crescem rápido precisam ter a agilidade de uma startups para conseguir acompanhar o mercado”, completa.