O segundo dia da área Startup Expo, dentro da 10ª edição do Fórum E-Commerce Brasil, foi recheada de conteúdo. Além da exposição e pitchs de 19 startups, o espaço – com realização e curadoria do STARTUPI, recebeu grandes nomes do mercado de vendas, marketing, varejo e inovação para debaterem temas relevantes a todo o público do fórum.

Confira aqui os detalhes de algumas das palestras de especialistas durante o último dia de evento:

Poder do consumidor

Alessandro Gil, Diretor Executivo de Omnichannel, E-commerce e Marketplace da LINX, encheu a plateia de ouvintes pela manhã da última quinta-feira ao falar sobre o poder do varejista no engajamento e conversão de vendas. Para ele, o varejista precisa se atentar ao perfil de seu consumidor, para não perder oportunidades tentando focar em quem não é o perfil de seu público-alvo.

“Não existe receita de bolo. As relações estão mudando rapidamente, principalmente quando relacionado a quem compra, como se compra e porquê. Entretanto, a gente não pode focar apenas nas novas gerações para não perdermos oportunidades. 70% da renda americana disponível, por exemplo, está concentrada entre pessoas de 52 a 70 anos. Temos que olhar para as oportunidades onde quer que elas estejam”, explica falando sobre a importância da capacidade de entender e atender com excelência o cliente para a inovação.

Mas, tão importante quanto o atendimento humano é o uso da tecnologia na hora de inovar. “O sucesso da empresa está na habilidade de conectar qualquer coisa a qualquer parte. A prova disso é que, até 2022, 5% das vendas do varejo serão previstas ou iniciadas por inteligência artificial. É preciso conectar o online e as lojas físicas. Hoje, 43% das vendas da rede norte-americana The Home Depot são BOPIS (Buy on-line, pick up in-store)“, diz Alessandro.

Ele completa falando sobre o que acredita ser o tripé do varejo: marca, experiência e eficiência. “As marcas devem conectar as pessoas com seus valores, mensagem e propósito. “As empresas precisam se posicionar e falar sobre seus valores. As marcas que são percebidas pelo público como fortes possuem um EBITDA muito maior”, completa.

Revolução bancária e o varejo

Lançado em 1994 como Banco Intermedium, a instituição financeira sediada em Belo Horizonte (MG) percebeu a tempo que, para manter-se vivo e como um dos maiores players de seu mercado, deveria acompanhar as tendências e encabeçar uma verdadeira revolução em seu mercado. Em junho de 2017, o Intermedium virou Banco Inter, uma plataforma financeira digital.

Para falar sobre esta trajetória, Priscila Salles, Diretora de Marketing e CRM do banco, participou do Startup Expo. “Unimos o melhor de dois mundos: tradição, tecnologia, criatividade e inovação tanto de um banco tradicional quanto de uma fintech”, explica.

No ano de sua mudança de marca, o banco também inovou oferecendo ao público uma conta 100% gratuita em uma plataforma digital de serviços bancários e produtos financeiros, voltada para as PMEs. “Nosso objetivo hoje é realizar uma grande revolução bancária, para mudarmos a forma como nossos correntistas lidam com dinheiro e tecnologia”, afirma a diretora.

Em 2018, o banco atingiu a marca de 1 milhão de correntistas, se tornando o primeiro banco digital do mundo a atingir esta marca. Hoje, está presente em 99% do território brasileiro. Um dos objetivos do banco atualmente é se tornar um superaplicativo, assim como o WeChat, da chinesa Tencent, e o que tem se tornado hoje a Rappi, aplicativo do unicórnio colombiano. “Nós já oferecemos o principal, que é a forma de pagamento. A partir daí, queremos oferecer experiências completas de compra dentro de um único aplicativo”, completa Priscila.

Como transformar clientes em fãs?

Outro case de revolução bancária que também chamou a atenção durante o evento foi o da Neon. Fernando Montanari, head de atendimento da fintech, conversou com os participantes do Fórum E-Commerce Brasil 2019 para falar sobre como transformar clientes em fãs. Um dos segredos? Atendimento personalizado.

A empresa, que possui cerca de 400 funcionários hoje, conta com um time de 150 atendentes para, 24 horas, sete dias por semana, oferecerem atendimento personalizado aos clientes via chat. “A gente já chegou a receber carta e presente de cliente por causa do bom atendimento. As pessoas não estão acostumadas a serem tão bem tratadas por empresas, ainda mais por um banco. Mas é aí que a gente fideliza essa pessoa”, explica Fernando.

Para ele, “O Neon trabalha para dar aos clientes poder sobre o próprio dinheiro”. Para isso, escutou e atendeu às necessidades dos clientes quando lançou a área de Investimentos, serviço de investimento CDB da plataforma, onde a partir de R$10 é possível investir com liquidez diária, com rendimentos de até 101% do CDI.

Além dos investimentos livres, também há a opção “Objetivo”, onde os clientes investem com parcelas diárias ou mensais para atingir um valor específico em determinado período de tempo. Também com foco na demanda dos clientes, a fintech lançou sua conta digital para Pessoa Jurídica com foco nos microempreendedores individuais (MEIs) e microempresas.

Investimento-anjo

Geraldo Santos, diretor-geral do STARTUPI, também subiu ao palco para falar sobre investimento-anjo, um dos temas mais importantes para as startups. Investidor com mais de quinze anos de experiência neste mercado, ele explicou sobre o panorama deste mercado no Brasil e como um empreendedor pode obter aporte de um anjo para seu negócio.

De acordo com a Anjos do Brasil, os investimentos realizados por anjos, no Brasil, em 2018, chegaram a R$979 milhões, uma ligeira queda em relação ao ano anterior, de 0,4%. Entre 2016 e 2017, este valor cresceu 16%, uma das maiores altas deste mercado no Brasil.

O número de investidores cresceu 1,8% no último ano, chegando a 7.750. Para 2019, ainda segundo a Anjos do Brasil, a projeção é de crescimento de 5%. Para conseguir a atenção de um investidor, Geraldo Santos falou aos presentes sobre o que é preciso. “Para começar, você precisa calcular o quanto dinheiro você precisa do investidor para se manter, no mínimo, pelos próximos 12 meses. Não adianta pedir um investimento pelos próximos três meses, porque esse dinheiro vai acabar, você vai precisar de outra rodada de investimento e vai diluir ainda mais sua participação na startup. É preciso colocar os pés no chão e saber exatamente o valor e para que ele será usado quando chegar na reunião com o investidor”, diz.

Outro ponto importante também é se atentar para a tese de investimento do anjo. “Não adianta você ter uma fintech e pedir uma reunião com uma pessoa que só investe em healthtechs. Você precisa conhecer a tese da pessoa para quem você vai pedir o investimento, saber qual a expertise dele. Até porque, muitas startups não buscam dinheiro apenas pelo dinheiro, mas pelo que chamamos de ‘smart money’, que é a experiência e mentoria do investidor”, explica.

Case de sucesso

Para fechar os dois dias da área Startup Expo, subiu ao palco Tatiana Pezoa, fundadora da TrustVox, startup vendida em janeiro deste ano para o Reclame Aqui. A TrustVox, fundada em 2014, é a primeira e uma das maiores empresas especializadas na coleta de reviews confiáveis para o e-commerce do Brasil.

Na época da aquisição, a empresa tinha em sua base de clientes mais de 1.500 operações de varejo no país, entre elas a Centauro, Havaianas, Whirlpool (Compra Certa, Brastemp, Consul e Kitchenaid), Electrolux, Evino, Época Cosméticos, Droga Raia, Drogasil, Ri-Happy, Telhanorte, Connect Parts, entre outras.

A ideia da empresa aconteceu em 2013, quando ela se deparou com uma pesquisa que apontava que 33% dos americanos, antes de fazer uma compra, pesquisavam na Amazon a reputação dos produtos que queriam adquirir, mesmo que fossem comprar em outro lugar. No Brasil, o mais próximo que existia de um site de reviews, na época, eram Buscapé e Reclame Aqui. Ali, ela viu uma oportunidade de negócio. Para fazer a ideia acontecer, ela validou o modelo de negócio e procurou investimento-anjo.

Mas, até chegar na aquisição, Tatiana mostrou que a vida de empreendedora é cheia de “nãos”e, claro, muita ralação. “No primeiro ano da TrustVox eu só faturei R$5 mil. Nessa época, eu descobri que dinheiro de investimento-anjo também acaba, e a gente precisa fazer ele girar”, explica. Nesta época, ela precisou pedir uma segunda rodada de investimentos, ficando com menos de 50% da própria empresa.

Hoje, a empresa possui 25 funcionários e pertence ao Reclame Aqui, o 5º site mais acessado do Brasil. “Apenas 10% das pessoas que entram no R.A. vão para fazer uma reclamação. A maioria delas está ali para ler reviews. Para o e-commerce, essa prática é ótima porque aumenta a confiança do cliente nos produtos e serviços prestados”, completa.

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