Já faz um tempo que as fintechs estão revolucionando o mercado financeiro em todo o mundo. No Brasil, nomes como Nubank e Stone se destacam como unicórnios, startups que valem mais de US$1 bilhão, o que mostra que esse mercado está mais do que aquecido.

De uns tempos pra cá, também percebemos um movimento muito forte das grandes empresas criando iniciativas e projetos para acompanhar a evolução o mercado. O grande objetivo é trabalhar com inovação para otimizar processos e implantar novos produtos para facilitar a vida da população.

Na última quinta-feira (11), visitamos os bastidores e conversamos com executivos que estão fazendo a diferença nesse mercado durante o Innovation Tour, evento que leva empreendedores, investidores e representantes de grandes empresas para uma imersão no ecossistema de inovação. Veja abaixo mais detalhes.

Neon

Já pensou abrir uma conta em um banco em apenas 4 minutos, sem precisar sair de casa? Com o Neon isso é possível. A startup oferece uma conta bancária totalmente digital, com anuidade zero e a ausência de qualquer outro tipo de mensalidade. Ela foi fundada por Pedro Conrade (27), que estava descontente com as taxas e o atendimento oferecido pelos bancos tradicionais. Antes disso, ele fundou startups em uma venture builder em São Paulo e teve uma loja de biquínis em Santos, sua cidade natal.

Com três anos de atuação, a startup é considerada um case no mercado nacional. Em 2018 recebeu um aporte de R$72 milhões, um dos maiores investimentos Série A já realizado em uma Fintech brasileira. O aporte contou com a participação de importantes investidores como Propel Ventures, Monashees, Quona, Omydiar Network, Tera Capital, family office do Patria Investimentos, e Yellow Ventures.

A startup também deu uma aula de resiliência e gestão de crise quando houve a liquidação do Banco Pottencial de Belo Horizonte, seu antigo parceiro. Hoje, a empresa atua em parceria com o banco Votorantim, que mantém a custódia das contas da carteira de clientes, e oferece todos os serviços de forma 100% digital.

Lara Mengatti, Relações Públicas da startup, recebeu o nosso grupo e contou detalhes sobre os últimos lançamentos da startup.

O Neon conta com o Objetivos, modalidade de planejamento financeiro e de investimentos. Com apenas quatro passos, os clientes podem criar pelo app do banco um Objetivo, com foco na concretização de uma conquista. Com liquidez diária e investimento mínimo de um real, o serviço oferece um rendimento maior que a poupança e permite que os usuários façam depósitos ou resgatem o dinheiro investido a qualquer momento. Toda tecnologia e inteligência da solução foi desenvolvida internamente.

Atendendo ao pedido de clientes, o Neon também liberou sua conta digital para Pessoa Jurídica com foco nos microempreendedores individuais (MEIs) e microempresas. Ela permite realizar transferências bancárias e emissão de boletos. Por um ano, a fintech realizou testes em uma versão beta, com mil usuários, para entender as necessidades e particularidades dos clientes pessoa jurídica.

Sobre os rumos da startup, Lara afirma que o objetivo é focar em melhorar ainda mais os produtos já existentes. “Muitos nos perguntam se estamos pensando em internacionalizar e a resposta é não. Não nesse momento, ainda temos um mercado muito grande no Brasil para conquistar, nosso foco principal é melhor cada vez mais nossos produtos”, destaca. Hoje a startup possui cerca de 400 funcionários e está com diversas vagas abertas.

Visa

Quando falamos em novos meios de pagamento e tendências do mercado financeiro, não tem como não falar da Visa. A empresa possui 14 centros de inovação ao redor do mundo. Um deles, localizado em São Paulo.

O Visa Innovation Studio foi criado exatamente com a proposta de trabalhar em conjunto com importantes players do mercado brasileiro para cocriar o futuro das soluções de pagamento, aproximar a empresa dos clientes e expor os ativos da companhia.

Erico Fileno, Diretor de Inovação da Visa, recebeu nosso grupo e contou que iniciou o projeto com o intuito de começar a trabalhar o movimento de Open Innovation dentro da Visa. “Esta é minha primeira experiência dentro do mundo corporativo, justamente com o desafio de trabalhar inovação dentro de uma empresa que surgiu, exatamente, de uma grande inovação. Se parar para pensar, a Visa foi a primeira fintech do mundo, e está completando 60 anos”, comenta.

Ele conta que um ponto que a companhia está modificando é o modelo ‘made by Visa’, onde eles desenvolviam soluções e saiam empurrando goela abaixo do mercado, para o ‘enable by Visa’, quando identificam junto com os clientes os problemas e desenvolvem juntos as soluções.

Érico cita o exemplo do recém lançamento da companhia em parceria com o MetrôRio. Hoje é possível, nas suas 41 estações, pagar sua passagem por meio de celular, cartão de crédito, pulseira e relógio com a tecnologia NFC.

Com a nova forma de pagamento, o passageiro não vai mais precisar comprar ou recarregar um bilhete específico do metrô. Basta ir a um dos validadores sinalizados para o uso da nova tecnologia e aproximar o cartão de crédito pessoal ou o dispositivo móvel com a tecnologia NFC. A novidade vai permitir economia de tempo para o cliente e maior fluidez no embarque. A cobrança da tarifa será debitada diretamente na fatura, sem custo adicional ou taxas, ao final de cada dia de uso.

Quando questionado sobre o futuro do pagamento, Érico apresentou o vídeo abaixo e contou que a companhia já está realizando testes junto com uma montadora e que 25% desta tecnologia deve estar disponível em 2020.

GreenPeople

Entre uma visita e outra, os participantes do Innovation Tour receberam snacks da Greenpeople, foodtech parceira do evento nesta edição. A startup tem produtos 100% naturais, sem adição de nenhum conservante, corantes ou adoçantes artificiais.

A empresa foi criada há pouco menos de cinco anos pela empreendedora Bianca Laufer, na cozinha de casa. Hoje, é a maior do Brasil em sucos prensados a frio, o que garante a preservação e a concentração dos nutrientes e enzimas mantendo o suco vivo, assim como o feito na hora. Cada garrafinha de 350mL corresponde a aproximadamente 1,5kg de frutas e vegetais prensados.

A marca produz atualmente 55 mil garrafas de suco por dia. Tem nove endereços próprios, distribuídos pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste, além de mais de 2.500 pontos de venda por todo o país.

Conta Azul

E por que não falar de uma startup que criou uma solução para facilitar a gestão financeira dos negócios? A Conta Azul conecta as pequenas empresa com sua contabilidade, bancos, governo e outros aplicativos para que o dono do negócio tenha em só lugar, tudo aquilo que precisa. Contas a pagar, valores a receber, controle de estoque, conciliação bancária, controle de vendas e fluxo de caixa são apenas algumas das diversas funcionalidades da plataforma.

A Conta Azul foi fundada em 2012 em Joinville (SC), mas hoje também possui um escritório próprio em São Paulo, onde fomos recebidos por Filipe Cavalcante, Head de Performance. A startup foi uma das primeiras a participar do programa de aceleração do 500 Startups e recebeu investimentos de fundos de venture capital internacionais, como Ribbit Capital, Monashees, Valar Ventures e Tiger Global Management.

Filipe compartilhou alguns dados que chamaram a atenção: donos de pequenos negócios representam 95% das empresas brasileiras, gerando um impacto de 27% no PIB e 52% de empregos formais. Existem hoje 65 mil empresas contábeis, 538 mil profissionais contábeis e a média de cliente por empresa contábil é de 78. Os contadores são percebidos como burocratas e não como consultores, pois passam boa parte do seu tempo realizando tarefas manuais e repetitivas. Mesmo assim, 79% das MPEs gostariam de ter os contadores atuando mais próximos.

Foram mais de 5 milhões de notas fiscais emitidas em poucos cliques na plataforma, movimentando mais de R$15 bilhões. Foram mais de 1,2 milhões de boletos gerados pelo Receba Fácil Boleto, movimentando mais de R$1 bilhão.

A startup está realmente transformando a relação entre as pequenas empesas com as Instituições financeiras, prova disso, são as últimas parcerias fechadas com Banco Inter, Original, Sicoob, Banrisul, Sicredi e Banco de Brasília, o que permite mais confiabilidade de dados e automação de tarefas.

E não são só as startups que saem ganhando, a plataforma também otimiza o trabalho da contabilidade. A partir de integrações com softwares contábeis, os parceiros exportaram mais de 31 mil movimentação de clientes. Isso resulta em uma otimização de 241.798 horas de retrabalho em digitação, o equivalente a 27 anos. A Conta Azul conta com mais de 50 integrações com por exemplo, Nuvem Shop, Pluga, Tray, Mercado Livre, Pipedrive e Banco do Brasil.

No vídeo abaixo Filipe fala mais sobre o momento da startup.

Em Outubro acontece a Conta Azul [CON], uma das maiores conferências de contabilidade e tecnologia da América Latina, organizada pela empresa. Durante dois dias, importantes nomes do mercado, irão debater assuntos relacionados à Contabilidade, Tecnologia e Empreendedorismo.

Pi

O Santander lançou recentemente sua plataforma de investimentos aberta que atua totalmente independente do banco. Com o nome de Pi, que remete ao número 3,14159, e totalmente digital, ela está disponível tanto para clientes como para quem não é cliente do banco, com aplicação mínima de R$30.

Felipe Bottino, CEO da Pi Investimentos, conta que o Santander tinha a opção de adquirir uma empresa, mas o banco não possui a característica de comprar uma empresa para vender, por isso eles decidiram desenvolver internamente a plataforma. “Foram 8 meses de desenvolvimento, hoje estamos com uma corretora com a parte de renda fixa competitiva com o mercado e até o fim do ano devemos estar competitivos com todos os produtos”, destaca Felipe.

A Pi funciona hoje totalmente independente ao Santander, possui um ambiente descontraído, com liberdade de horário e times complementares trabalhando em Squads. Comum entre as startups, o modelo separa os funcionários em pequenos grupos multidisciplinares com objetivos específicos. Isso significa, por exemplo, que um profissional de marketing atua no mesmo grupo que um programador, um profissional da área de vendas e outro da parte financeira. Juntos, eles têm uma tarefa a cumprir, e autonomia o suficiente para tomar decisões.

A startup possui hoje 100 funcionários e está com 50 vagas abertas para a área de tecnologia.

Felipe Bottino, CEO da Pi Investimentos, fala mais detalhes sobre a plataforma. 

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