* Por Erik Nybo

Startups estão gerando um fenômeno parecido com o que ocorreu na corrida do ouro na Califórnia por volta dos anos 1849.

Naquela época, poucos realmente ficaram ricos com a exploração minerária. Afinal, era uma atividade difícil e que representava um risco alto – assim como é abrir uma startup.

Oferecendo as ferramentas certas

No entanto, muitos ganharam dinheiro oferecendo aquilo que os aventureiros precisavam para conseguir obter o ouro: picaretas, pás, jeans, tendas etc. E hoje vemos algo similar ocorrendo no mercado de startups.

Poucos conseguem de fato emplacar sua startup. Estatísticas apontam que 25% das startups morrem já no seu primeiro ano de vida. Metade morre em menos de 4 anos. Por essa razão, a taxa de mortalidade dessas empresas é muito alta. Assim como ocorria na época da corrida do ouro – poucos de fato conseguiam atingir o objetivo de se tornarem ricos.

O lucro não está necessariamente na busca do ouro

Ao longo desse processo, uma série de pessoas conseguiu lucrar indiretamente com a exploração do ouro ao fornecer as pás, os jeans, as tendas, as picaretas, os mantimentos e o que fosse necessário para fazer a atividade de mineração.

Da mesma forma, muitos podem lucrar com a oferta de serviços e produtos necessários para fazer com que a startup consiga obter a estrutura necessária para atingir seus objetivos. Aí começam a surgir diversos serviços e produtos voltados a atender as necessidades que as startups apresentam na sua própria “corrida pelo ouro”: aceleradoras, startup weekends, hackatons, incubadoras, canvas, dentre vários outros.

Da mesma forma que ocorria antigamente, diante da possibilidade de lucrar facilmente com pessoas desavisadas, esse mercado também está cheio de “picaretas”. Então é necessário tomar cuidado com a qualidade do que está sendo oferecido – afinal, se é um movimento similar à febre do ouro, todos querem lucrar a qualquer custo com esse novo mercado.

Apesar de alguns “picaretas”, como tem em qualquer mercado, alguns dos serviços e produtos oferecidos para os desbravadores desse novo mercado são de fato importantes, enquanto outros nem tanto.

As ferramentas necessárias

Sabemos que neste novo mercado algumas ferramentas realmente são necessárias e podem evitar problemas ou facilitar a vida. Isso faz com que surjam alguns novos produtos e serviços voltados especificamente para o segmento das startups:

  • Coworking;
  • Serviços de contabilidade;
  • Serviços jurídicos;
  • Outsourcing para alavancagem do modelo de negócios,
  • Servidores em nuvem.

As ferramentas muitas vezes desnecessárias

Da mesma forma, surgem produtos e serviços desnecessários. Como cada startup tem uma necessidade é difícil de criar uma lista de coisas desnecessárias a todas, mas podemos logicamente enumerar algumas que podem ser algo que não faz muito sentido.

Diversas ferramentas desse mercado tem sido vendidas como se fossem a solução para as startups ou como se fossem uma finalidade em si mesmo, quando na verdade são apenas ferramentas.

O ponto é que em muitos casos, no mercado de startups, existem pessoas vendendo não só a pá e a picareta necessárias para fazer a busca do ouro. São vendidas também coisas desnecessárias que inflam os custos das startups que, com dinheiro contado (bootstrapping), não conseguem contratar outros serviços e/ou produtos essenciais.

Então aí cabe ao empreendedor avaliar: o que realmente é necessário utilizar para se aventurar a escavar o ouro?


*Erik Fontenele Nybo, cofundador da EDEVO e head de inovação no Molina Advogados. Foi gerente jurídico global da Easy Taxi, tendo criado o departamento jurídico e foi responsável pelas questões legais em todos os países de atuação da empresa. Autor e coordenador do livro “Direito das Startups” (Juruá), autor no livro “Regulação e Novas Tecnologias” (Forum) e coordenador do curso “Direito em Startups” no INSPER. Pesquisador do GVCEPE – Fundação Getúlio Vargas. Advogado formado pela Fundação Getúlio. Email: erikfnybo@gmail.com *Erik Fontenele Nybo, cofundador da EDEVO e head de inovação no Molina Advogados. Foi gerente jurídico global da Easy Taxi, tendo criado o departamento jurídico e foi responsável pelas questões legais em todos os países de atuação da empresa. Autor e coordenador do livro “Direito das Startups” (Juruá), autor no livro “Regulação e Novas Tecnologias” (Forum) e coordenador do curso “Direito em Startups” no INSPER. Pesquisador do GVCEPE – Fundação Getúlio Vargas. Advogado formado pela Fundação Getúlio. Email: erikfnybo@gmail.com