A ACE, aceleradora fundada por Pedro Waengertner e Mike Ajnsztajn em 2012 – uma das maiores da América Latina, não é mais uma aceleradora. Hoje, em sua sede na Rua Vergueiro, em São Paulo, a ACE anunciou que passa agora a se posicionar como uma empresa de inovação.

“Estamos mudando radicalmente a empresa. A ACE mudou e evoluiu, e o conceito de aceleração também vai mudar”, diz Luis Gustavo Lima, CMO da empresa. Durante o anúncio, foi apresentada a nova versão da ACE Cortex, braço de consultoria corporativa da antiga Aceleratech.

“Nosso objetivo estratégico é liderar a inovação na América Latina, terminar o ano com 100 pessoas no time e faturar R$150 milhões com a ACE Cortex até 2022”, explica Pedro, fundador da ACE. A empresa líder em aceleração criou agora um novo modelo de consultoria de inovação, posicionando-se como uma empresa de inovação que investe em startups e “impulsiona essas empresas a novos patamares de mercado e criação de seu futuro”.

Já a segunda marca, a ACE Startups, posiciona-se agora como uma empresa de investimentos. O objetivo dela é entregar aos empreendedores uma plataforma que ofereça expertise, negócios, capital e networking.

Veja mais detalhes no vídeo abaixo:

Mercado

Arthur Garutti, partner da ACE, falou sobre o acúmulo de aprendizados que a antiga aceleradora teve nos últimos anos com centenas de startups aceleradas, e como ela está utilizando isso para este novo modelo de negócios. “Já aceleramos mais de 300 startups, mas isso não representa nem 1% do mercado da América Latina. Vimos que podemos melhorar ainda mais. Por isso, estamos trazendo novas ferramentas, programas de alta performance, um modelo de data driven único e um novo modelo de investimento em estágio de capital semente”, afirma.

Agora, a ACE Startups passa a ser uma empresa com experiência completa de capital semente, e isso se mostra com dados de mercado: “78% das startups morrem após investimento seed. 30% das startups investidas da ACE crescem abaixo de 5% ao mês”, explica Arthur.

Fundo

A ACE também anunciou que criará um fundo de investimento no valor de R$100 milhões para investimentos em pré-seed, seed e Series A. No modelo antigo, as startups aceleradas recebiam R$150 mil por 10% de equity. Com o novo fundo, este valor não será mais pré-estipulado. Dependerá de cada caso, a partir da necessidade e potencial da startup.

Para ajudar a estudar todas as startups que aplicam para buscar investimento, a ACE criou um algoritmo capaz de analisar 44 variáveis nestas empresas, desde potencial de negócio a time fundador. Este algoritmo gera uma pontuação que é levada em conta na hora de identificarem a startup ideal para investimento. A base de dados para estas análises veio das mais de 20 mil startups avaliadas pela aceleradora, mais de 100 investimentos e 14 exits.

Junto com a nota, o algoritmo oferece uma das três respostas possíveis: “sem aderência à tese da ACE”, “com aderência e pronta para captar investimentos” ou “com aderência, mas precisa de pequenos ajustes”. Para este último grupo, a empresa espera oferecer valor desde o primeiro dia.

Para elas, a ACE Startups oferece uma plataforma que ajuda a medir os avanços da startup e reportar a mentores e investidores as evoluções da empresa com feedbacks personalizados. Há também um painel de vagas no site da ACE com banco de talentos individualizado, apoio legal com parceria com advogados, construção de estratégia de funding, entre outros benefícios.

A ACE também anunciou dados relevantes de sua pesquisa, a ACE Innovation Survey – Um estudo do estado da inovação no Brasil e no mundo. Foram 123 empresas respondentes na pesquisa, representando mais de 10 setores da economia. Confira aqui alguns highlights da publicação:

  • 60% dos participantes da pesquisa acreditam que o nível de inovação praticado em suas companhias nos últimos dois anos foi baixo ou moderado.
  • Apenas 11% dos entrevistados acreditam que inovação não é importante.
  • Quase 70% afirmam que estão sofrendo algum tipo de disrupção no segmento.
  • Pouco mais de 10% trabalham com algum tipo de inovação disruptiva que possa matar ou substituir seu próprio negócio.
  • Apenas 25% diz que a empresa tem design organizacional que favorece a inovação.
  • Somente 25% afirma conseguir calcular o ROI da inovação.
  • 55% das empresas com faturamento acima de R$300 milhões classificam a inovação na empresa como “boa” ou “muito boa”.
  • Os objetivos de inovar são essencialmente financeiros para 80% das empresas no Brasil.