SITAWI Finanças do Bem, com o apoio do Instituto Sabin, lançou na última semana uma Plataforma de Empréstimo Coletivo que permite que pessoas e organizações invistam diretamente em negócios de impacto socioambiental positivo. A iniciativa, que aumenta o acesso ao investimento de impacto no Brasil, tem expectativa de mobilizar entre R1,3 milhão e R$ 2,5 milhões nos próximos meses, multiplicando o capital investido e o impacto positivo gerado.

A plataforma está no ar e pode ser acessada por este link. Nela, os interessados já poderão pesquisar o perfil, impacto e projeções financeiras de 4 negócios sociais selecionados pela SITAWI, e investir na que escolherem, com valores a partir de R1 mil. Os negócios sociais usarão o dinheiro para alavancar suas operações, e pagarão juros de 1% ao mês pelo empréstimo. Dentro de até 24 meses os investidores terão recebido de volta todo o capital que emprestarem, acrescido dos juros. A operação é realizada através do modelo de P2P lending, em parceria com a CapRate.

Nos próximos meses, novos negócios selecionados pela SITAWI Finanças do Bem entrarão na plataforma, o que pode levar a captação a até R$ 2,5 milhões. “O investimento de impacto tem crescido em reconhecimento e em valor movimentado, mas ainda há grandes barreiras para que o investidor comum possa aplicar seu dinheiro com mais propósito. Do outro lado, estão os negócios de impacto, que necessitam de capital para crescer e seguir impactando positivamente o meio ambiente e a vida de milhares de pessoas”, comenta Andrea Resende, Gerente de Finanças Sociais da SITAWI.

Democratização do investimento de impacto

A SITAWI Finanças do Bem foi pioneira em empréstimo coletivo de impacto no Brasil e agora expande sua atuação para diminuir barreiras rumo à democratização deste tipo de investimento no país. A plataforma surgiu por meio de um esforço colaborativo para aumentar o capital para impacto e também o impacto do capital: de um lado a SITAWI, com os dez anos de experiência e histórico em investimento de impacto, e, do outro, o Instituto Sabin, com articulação e foco em inovação em finanças sociais. O aporte inicial do Instituto foi de R$ 500 milem uma estrutura de blended finance, onde o capital filantrópico é usado para subsidiar a operação, prover investimento âncora e atrair investidores de mercado.

Fábio Deboni, gerente executivo do Instituto Sabin, explica que a plataforma é semelhante à vaquinha coletiva, só que com um viés diferente: os recursos são captados como empréstimos, não como doações. “Nosso objetivo é que o investimento do Instituto alavanque mais recursos de pessoas físicas e jurídicas”, explica.

Além de trazer recurso novo para organizações com poucas opções de empréstimo disponíveis, a plataforma visa a consolidar o financiamento coletivo como instrumento financeiro de impacto. “Com essa iniciativa as organizações de impacto social terão oportunidade de obter empréstimos a uma taxa de juros razoável, o que não é possível atualmente nos bancos públicos e privados”, elogia Fábio.

Negócios selecionados

Nesse contexto, quatro negócios foram selecionados para participar da 1ª Rodada de Empréstimo Coletivo: COOPSERTÃO, Orgânicos in Box, UPSaúde e Stattus4. A seleção das organizações nesta primeira rodada levou em consideração o crescimento do negócio, a sustentabilidade financeira, o impacto e a liderança. Os selecionados são:

COOPSERTÃO:

Coopsertão

A  Cooperativa Ser do Sertão – COOPSERTÃO reúne produtores do ramo Agropecuário de Agricultura Familiar em Pintadas, no interior da Bahia. Fundada em 2008, tem como missão promover o fortalecimento da agricultura familiar por meio do cooperativismo, com práticas agroecológicas e profissionalização das unidades produtivas. A cooperativa foi uma iniciativa de mulheres da região, sendo ainda gerida por maioria do gênero feminino e com participação relevante de produtoras mulheres na base de associados. Ao final do seu 2° ano de funcionamento, a organização escoava basicamente umbu e frutas típicas da região, transformando-os em geleias, doces e polpas. Hoje, após 10 anos de existência, está expandindo uma fábrica de polpa de frutas. Todo o excedente da operação é redistribuído para a implementação de técnicas agrícolas agroecológicas, com o intuito de possibilitar a produção durante todo o ano, sem que a seca interrompa o processo produtivo. ODS principais: (2) Fome Zero, (3) Saúde e Bem-Estar, (5) Igualdade de Gênero e (12) Consumo e Produção Responsáveis.

Orgânicos in Box:

Orgânicos In Box

Fundada em 2014 no Rio de Janeiro, a organização nasceu da vontade de disponibilizar alimentos orgânicos certificados para consumidores a preços abaixo do geralmente praticado neste segmento – além de valorizar o pequeno produtor rural, que passa a contar com uma fonte de escoamento confiável para seus produtos, a preços justos. Para isso, a Orgânicos in Box desenvolveu uma plataforma de e-commerce de produtos orgânicos 100% certificados, que espalha comida orgânica pela cidade do Rio de Janeiro. Desde o início de sua operação, a Orgânicos já comercializou aproximadamente 300 toneladas de alimentos livres de agrotóxicos, crescendo atualmente a um ritmo de 10 toneladas por mês. ODS principais: (2) Fome Zero e Agricultura Sustentável, (3) Saúde e Bem-estar e (6) Água potável e saneamento.

UPSaúde:

UpSaúde

A UPSaúde é uma empresa criada no Rio Grande do Norte em 2018 com o objetivo de melhorar diversos aspectos de comunicação da Saúde Pública, visando à diminuição de filas e promovendo fácil acesso à informação. Através de um aplicativo de inteligência de dados, a organização atende dores de todos os públicos da saúde pública, apresentando funcionalidades para médicos, gestores hospitalares e pacientes. Graças a marcações de consultas online, disponibilização de relatórios gerenciais e de telemedicina, já promoveu uma redução, em média, de 38% das filas para atendimento nos municípios que contrataram o serviço. ODS principais: (1) Erradicação da Pobreza e (3) Saúde e Bem-Estar.

Stattus4:

Stattus4

Desenvolve softwares para Gerenciamento de Distribuição de Água, com foco na detecção automática de vazamentos na rede de distribuição. Localiza vazamentos com mais eficiência do que os métodos tradicionalmente usados, além de acrescentar inteligência ao serviço: indica consumo de água, pontos de atenção para possíveis perdas e relatórios baseados em inteligência artificial, para dar mais precisão e rapidez ao diagnóstico. A Stattus4 foi fundada em 2016 em Sorocaba, interior de São Paulo. Já tem contratos com distribuidoras privadas e públicas de água, como a Iguá Saneamento (por meio da Águas Cuiabá), e também com distribuidoras de gás, graças a ajustes pequenos no sensor. Sua solução já reduziu de 30% para 18%, por exemplo, a perda bruta de água da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento de Campinas (SANASA), em 2019. ODS principais: (6) Água potável e Saneamento, (9) Indústria, inovação e Infraestrutura e (11) Cidades e Comunidades Sustentáveis.

1° Rodada de Empréstimo Coletivo tem como parceiros o Instituto Sabin, a CapRate, o Banco Topázio, a Oficina de Impacto e Tozzini Freire Advogados.