O Facebook divulgou nesta terça-feira sua criptomoeda chamada libra, seu mais recente esforço de uma expansão para ir além das redes sociais na direção do comércio eletrônico e de pagamentos globais.

O Facebook se uniu a 28 sócios para formar uma entidade sediada em Genebra chamada Libra Association, que administrará sua nova moeda digital a ser lançada no primeiro semestre de 2020.

O Facebook também criou uma subsidiária chamada Calibra, que oferecerá carteiras digitais para salvar, enviar e gastar libras. O Calibra será conectado às plataformas de mensagens do Facebook Messenger e WhatsApp, que já possuem mais de 1 bilhão de usuários.

Confira mais detalhes no vídeo abaixo:

A empresa de Menlo Park, na Califórnia, tem grandes aspirações para a libra, mas preocupações com a privacidade do consumidor ou barreiras regulatórias podem apresentar obstáculos significativos.

O Facebook espera que não apenas potencialize as transações entre consumidores e empresas em todo o mundo, mas que ofereça serviços financeiros aos consumidores sem acesso a banco.

Não está claro como parlamentares ou reguladores reagirão ao fato de o Facebook ter tomando iniciativa em direção a serviços financeiros através do mundo altamente desregulado das criptomoedas.

O Facebook contatou reguladores nos Estados Unidos e no exterior para falar sobre a futura criptomoeda, disseram executivos da empresa. Eles não especificariam quais reguladores ou se a empresa solicitou licenças financeiras em qualquer lugar.

Alguns pediram que o Facebook sofresse penalidades, ou fosse desmembrado à força, por manipular incorretamente os dados de usuários, e não impedir a interferência da Rússia na eleição presidencial dos EUA em 2016 por meio de uma campanha de desinformação na mídia social.

“Este instrumento de transações permitirá que o Facebook colete milhões e milhões de dados, o que fortalece minha convicção de que existe a necessidade de regulamentar os gigantes digitais”, disse o ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, em entrevista à rádio Europe 1.

Le Maire avisou que pediu aos presidentes dos bancos centrais dos países do G7 que escrevessem um relatório sobre o assunto até meados de julho.

Entre os parceiros do projeto estão Mastercard, Visa, Spotify, PayPal, eBay, Uber e Vodafone, bem como empresas de capital de risco como a Andreessen Horowitz.

Eles esperam ter 100 parceiros formando a Libra Association até o lançamento da moeda. Cada um terá um voto em decisões importantes e empresas devem investir pelo menos 10 milhões de dólares para se tornar parceira.

Apesar de não haver bancos entre os membros, tem havido discussões com credores que aguardam para ver como os reguladores e consumidores respondem ao projeto antes de decidir se vão participar, disse Jorn Lambert, vice-presidente executivo de soluções digitais da Mastercard.

A libra Association disse que planeja levantar capital por meio de investimentos privados nos próximos meses.

Fonte: Agência Reuters