*Por Heloisa Motoki

Qualquer empresa precisa ter venda para sobreviver, isso é um fato, mas na ânsia de querer vender cada vez mais empreendedoras aumentam suas vendas, mas não melhoram o caixa da empresa. O grande vilão? A INADIMPLÊNCIA.

O mundo do empreendedorismo seria perfeito se tivéssemos muitas venda, se todos os clientes pagassem em dia, se os fornecedores cumprissem prazos e tivessem preços justos, se nossa carga tributária fosse justar e se os funcionários fossem comprometidos e capacitados, se todos esses fatores seguissem de forma coordenada não teríamos problemas, mas esse é o nosso desafio diário.

No meu caso, serviços de contabilidade, a maioria das receitas são originadas de trabalhos mensais e para reduzir a inadimplência, eu trabalho com vencimentos flexíveis dos honorários, normalmente o cliente sugere a melhor data no fluxo de caixa dele, mas vou balanceando essas datas conforme os grandes fluxos de pagamentos que tenho como aluguel e folha de pagamento.

Nos casos de trabalhos pontuais, os vencimentos são alocados em datas que ocorram  antes de pagar os parceiros, em um processo de constituição, por exemplo, já faço o recebimento da parcela inicial antes de pagar as taxas do processo, uma vez que depois de pagar se a pessoa desistir do processo ou não arcar com o pagamentos de serviços meu prejuízo financeiro será menor.

O importante é que não há uma receita certa, para adequar vencimentos e pagamentos é preciso que a empreendedora estude e entenda o seu fluxo de caixa, veja onde ela pode se comprometer financeiramente, vale anotar no caderno, na planilha de Excel e adotar sistemas financeiros que hoje já há plataformas com preços acessíveis.

Mas e se o cliente não paga? Primeiramente esse tipo de problema é preciso prever antes que ele aconteça, acredite, a rede social passou a enganar facilmente essa análise de crédito, já tive casos por exemplo, que uma empreendedora fechou negócio com outra pelo simples de fato de ter visto a empreendedora como minha amiga no Facebook.

Erros comuns que dificultam o recebimento: 

  • Deixar de consultar previamente o cliente (checar se o nome está limpo na praça e consultar referência com outros fornecedores);
  • Não ter contrato de serviços (vale um e-mail com o combinado do que está sendo contratado e as condições de pagamento, preveja também condições no caso de desistência ou cancelamento);
  • Deixar de gerar a nota fiscal de serviços ou venda porque o cliente não pediu;
  • Manter a cobrança em carteira (depósito em conta ou transferência bancária);
  • Manter uma relação pessoal na cobrança, você empreendedora executando e cobrando (como cobrar aquela pessoa legal?).

Esgotada as possibilidades de negociação, outra chance de receber é negativar ou protestar títulos.

Antes de sair negativando e protestando todo mundo pense no seu negócio, ao tomar essa decisão provavelmente você perderá o cliente e ele sairá falando mal de você, o que pode impactar em novos clientes (mesmo que você tenha razão).

Se optar em protestar faça também com a negativação, pois nem sempre o título protestado aparecerá na consulta de proteção de crédito, o que aumenta suas chances de receber pois o cliente-devedor só vai te procurar para resolver o problema se isso estiver afetando novos créditos.

O protesto de títulos já tem sido usado por órgãos (Receita Federal, Secretarias da Fazenda Estadual e Prefeitura) e os bancos, ao analisar o crédito da pessoa física já fazem essa consulta e bloqueiam a concessão de crédito, suspendendo cartão de crédito, limite de cheque especial etc. mesmo que a dívida esteja no CNPJ da empresa.

*Heloisa Motoki é Diretora Adm/Fin da Rede Mulher Empreendedora, fundadora da Quali Contábil e Consultora Especial no site Fórum Contábeis.