Nós testamos o primeiro burger 100% de origem vegetal, com textura e cheiro de carne, produzido no Brasil por uma startup. O Futuro Burger, como é chamado, usa em sua base de ingredientes proteína de ervilha, proteína isolada de soja e de grão de bico, além de beterraba para imitar a cor e o sangue da carne, tudo sem glúten, sem transgênicos e claro, sem carne.

Na quinta-feira (11), o alimento foi lançado na hamburgueria T.T. Burguer, no Rio de Janeiro. Já em São Paulo, a partir de hoje (13), você pode encontrar o Futuro Burger em todas as unidades da Lanchonete da Cidade. Todas as receitas do cardápio podem ser pedidas com o Futuro Burger ou você pode escolher o LC Futuro (R$29), sanduíche 100% green, desenvolvido especialmente para o o lançamento, que combina pão, queijo e maionese veganos, alface e tomate orgânicos, acompanhados do Futuro Burger.

Este é o primeiro produto brasileiro que nos aproxima da experiência de comer carne sem animal envolvido. Todo material é produzido em Volta Redonda – RJ, na Fazenda Futuro, foodtech 100% brasileira, que pertence ao empresário carioca Marcos Leta, criador da sucos Do Bem.

“O fato é que o consumo de carne, hoje, gera um impacto ao planeta fazendo com que, cada vez mais, as pessoas tomem consciência desses fatos e optem por mudanças na alimentação. E é para essas pessoas, que querem ter uma vida mais equilibrada, mas não querem abdicar do que amam comer, que a Fazenda Futuro foi criada”, destaca Marcos.

Por trás do desenvolvimento do produto, há todo um cuidado para reproduzir uma versão com valor nutricional muito próximo ao da carne vermelha, com a mesma quantidade de proteína, mas com a diferença de ter uma quantidade mais baixa de gordura.

A criação do Futuro Burger começou com um grande aprendizado e entendimento da própria carne bovina e seus componentes – aminoácidos que compõe a proteína animal, cadeias lipídicas que proporcionam sensação de gordura, compostos voláteis provenientes do sangue bovino, até a caramelização dos açúcares presentes na carne. Tudo isso só foi possível por um misto de testes sensoriais e Inteligência Artificial.

“Ao desenvolvermos tecnologias capazes de criar alimentos sem origem animal idênticos em sabor, textura e cheiro de carne, queremos mostrar que é possível revolucionar a indústria alimentícia sem causar um impacto negativo ao meio ambiente. Minha meta é simples: evoluir com novas gerações (versões) da nossa carne e chegar em um volume de carne de vegetais que se torne mais barato do que carne de origem animal”.

Até o final do mês o Futuro Burger também estará disponível nas redes Pão de Açúcar (SP e RJ), St. Marche (SP e RJ), Zona Sul e La Fruteria. A bandeja com duas unidades custará em torno de R$16,99.

Como nada igual está sendo produzido no Brasil em escala para distribuição, máquinas feitas originalmente para processar carne animal foram trazidas da Alemanha. “Para conseguirmos uma produção em escala e atender o mercado brasileiro era necessário máquinas que atuassem de acordo com um processo bem específico que foi desenvolvido para Fazenda Futuro. Para isso, nós realizamos diversos estudos que nos levaram a ‘hackear’ máquinas de frigoríficos para chegarmos na nossa primeira geração do hambúrguer do futuro. E isso é só o começo”, conta.

Temos acompanhado um movimento muito forte nessa área como o caso da Beyond Meat, foodtech americana de carnes vegetais que tem investimento de Bill Gates e que estreou na bolsa de valores dos Estados Unidos no início do mês. O IPO rendeu aos investidores iniciais aumento de 165% no primeiro dia. A vontade inicial era levantar cerca de US$1,8 bilhão, mas, ao final do dia, a empresa já havia arrecadado cerca de 3,4 bilhões.

Outro exemplo é rede de fast-food Burger King que também está testando um hamburger 100% sem carne feito à base de vegetais. Com o nome de o “Impossible Burguer“, hambúrguer impossível em inglês, o teste está sendo feito com o Whopper, o sanduíche mais conhecido da marca. Trata-se de uma parceria com a startup Impossible Foods, de Oakland, na Califórnia. Fundada em 2011, ela desenvolve carnes e laticínios feitos à base de vegetais, sem qualquer produto de origem animal e já arrecadou mais de US$450 milhões.

Não sou vegetariana e nem vegana, mas testei o LC Futuro, lanche desenvolvido especialmente para o o lançamento, que combina pão, queijo e maionese veganos, alface e tomate orgânicos, com o Futuro Burger. Realmente é uma experiência diferente, não senti nenhuma diferença no pão e na maionese, apenas no queijo, que possui uma textura diferente. Já a carne, é até difícil de explicar, você não sente gosto de vegetais e o suco de beterraba que imita a cor da carne, te passa realmente a sensação de estar comendo a proteína. O destaque fica por conta dos temperos, cebola e um defumado bem intenso. Esta é só a versão 1.0 do hambúrguer, segundo a startup, existe um time de engenheiros de alimento trabalhando para deixá-lo cada vez mais parecido com carne de verdade.

E aí, ficou curioso? Dá uma passada no T.T. Burguer ou na Lanchonete da Cidade e depois conta pra gente o que achou!