*Por Sérgio Roque

Quando Viktor Frankl, após sobreviver aos campos de concentração nazistas, publica em 1946 “A Busca de Sentido” iniciando a Logoterapia (abordagem psicoterapêutica reconhecida internacionalmente e considerada a terceira escola Vienense de psicoterapia) fundamentada empiricamente no sentido da vida, como necessidade mais profunda do ser humano, ele estabelece a “vontade de sentido” como a maior força motivadora do Homem.

Propósito é exatamente este sentido, que vai além do conjunto de objetivos a serem alcançados na vida pessoal e profissional.

Motivação é a razão de hoje se falar muito em propósito de vida e ter um propósito claro se tornou tão importante.

Em um momento do mundo em que temos a impressão de não termos tempo para nada, a quantidade de informação corrente é tão grande que nos faz pensar que somos idiotas ou lerdos, a necessidade de inovação é tão premente que toda e qualquer ideia que temos nos parece já nascer velha, as possibilidades de fracasso como pais, profissionais, empreendedores ou simplesmente seres humanos, nos apresentam enormes ou pelo menos achamos isso várias vezes no nosso dia a dia.

É claro que nossas competências e incompetências, pontos fortes e fracos, bons e maus hábitos, comportamentos e as más condições políticas e socioeconômicas do país em que se vive, também fazem parte deste cenário. Não discuto.

Várias organizações mundiais, tal como a Endeavor,  vêm discutindo a importância de ter um propósito como maior agente motivador para o sucesso do empreendedor e nos faz refletir sobre as distâncias que nos separam do lucro e da justiça social, da eficiência e do bem-estar, da competição e a espiritualidade

Alguns autores sérios (ou seja, não de autoajuda) como a Danah Zohar nos coloca a inteligência espiritual aliada à ampla escala de motivações do Homem de Ian Marshall, para nos mostrar a distancia do instinto e do espírito, e como aprimora-la para obter uma transformação pessoal e profissional. (Capital Espiritual- Editora Best Seller).

Segundo o artigo da Forbes de setembro de 2018 (Purpose-Driven Companies Evolve Faster Than Others, Dra. Caterina Bulgarella) em uma pesquisa da PwC  79% dos líderes acreditam que o propósito de uma organização é fundamental para o sucesso do negócio, mas 68% compartilham que este propósito não é usado como um indicador nos processos de tomada de decisão.

De acordo com o mesmo estudo da PwC, os millennials, que têm uma forte conexão com o propósito de sua organização, são 5,3 vezes mais propensos a permanecer. Mas a grande maioria dos funcionários não é engajada com o trabalho e apenas 33% obtêm um significado real do objetivo do empregador.

A Dra. Bulgarella continua: “Em um nível básico, o propósito pode simplesmente expressar o que uma organização aspira a ser e a fazer. Mas, em um estágio mais avançado, torna-se uma expressão consciente de como uma organização pretende evoluir e se transformar. ”

Faz sentido. Se um propósito claro é essencial para a evolução pessoal e profissional não poderia ser diferente para uma organização ou uma marca.

Acredito que empresas e marcas sem propósito perderão muito mercado com a entrada das novas gerações no consumo.

Porém me preocupa muito mais a outra ponta, a falta total de propósito na vida dos profissionais. Hoje as grandes empresas já começam a quantificar a perda pelo aumento exponencial de pessoas com depressão, ansiedade e síndrome de burnout e que demoram muito a retornar ao trabalho, quando retornam.

Tenho esta pretensão de ser professor em uma Escola de Propósitos.

Não é fácil ensinar os caminhos para se construir um propósito claro, tanto para uma empresa quanto para um executivo, pois é necessário ter vontade de mudar, olhar o mundo com vários olhos, ouvir muitas bocas, de trabalhar os sentimentos proporcionados e de sustentar a transformação na direção desejada.

Claro que é melhor e mais fácil começar quando criança e, em outra dimensão, quando ainda a marca e a empresa são um startup.

Pense nisso. Vale a pena.


*Sergio Eduardo Roque é coach executivo e de vida com foco em processos de
autoconhecimento na SerOQue Desenvolvendo Pessoas. Com formação em
engenharia (FAAP) e marketing (ESPM) atua há mais de 25 anos no mercado como
executivo e empreendedor.