A plataforma curitibana Kultivi quer democratizar o acesso aos estudos para o Brasil inteiro. Criada pelos sócios Cláudio Matos, Ricardo Pydd, Emir Conceição e Carlos Siaudzionis, a startup oferece hoje quase 80 cursos gratuitos e online, para diversos segmentos, para todas as idades.

A empresa foi fundada em 2017, e até hoje o investimento foi totalmente bootstrapping. Ano passado, a empresa participou do programa Capital Empreendedor, do Sebrae, e ficou entre as finalistas. “No momento certo, avançaremos para a negociação de investimento”, explica Cláudio Matos, um dos fundadores.

Ele explica que hoje, a plataforma oferece cursos de idiomas (inglês, francês, espanhol e italiano) preparatório para concursos, Enem, exame da OAB, Revalida (medicina) e empreendedorismo. O mais procurado, até agora, é o curso de inglês. “Os demais cursos de idiomas e o preparatório para o Enem também são muito procurados. No YouTube além dos cursos de idiomas, os destaques são as aulas que embora tenham sido gravadas para exame da OAB E Concursos, são utilizadas por estudantes de direito em época de provas nas faculdades”, explica.

Até o mês de abril, a Kultivi contava com 80 mil alunos no curso de inglês – que oferece 230 aulas e materiais de apoio –, além de 21 mil em espanhol, 18 mil em francês e 7 mil em italiano. “Um curso de inglês como o nosso, se vendido, não sairia por menos de R$ 10 mil. Na Kultivi, com a democratização do ensino, esperamos formar milhões de novos poliglotas”, diz Cláudio.

Embora a plataforma ofereça cursos gratuitos para os usuários, Cláudio garante que os professores são remunerados de acordo com o mercado. “Assim temos acesso aos melhores professores. São profissionais que se destacam seja pela didática e dinamismo, além da titulação acadêmica”, diz. Os alunos cadastrados na Kultivi recebem, ao final de cada curso um certificado, também de forma gratuita.

A lógica de funcionamento é simples. A plataforma é mantida pela venda de espaços publicitários para marcas parceiras que acreditam no projeto, além da captação de recursos na iniciativa privada. “São empresas que querem desenvolver educação de qualidade no Brasil e atrelar sua marca a esse projeto”, diz.

Outra forma de manutenção do projeto está no apoio prestado por Pessoas Físicas e Jurídicas. Por meio da iniciativa chamada de “Apoia.se”, é possível que qualquer um contribua com o projeto. Mais da metade dos recursos doados – 56% – é destinado à remuneração dos professores.

A Kultivi hoje tem alunos de todas as faixas etárias, acompanhando as quase 4 mil aulas disponíveis. Cláudio explica que as idades são mais variadas, principalmente, quando o foco são cursos de idiomas. “Hoje, 80% do público está na faixa dos 17 aos 35 anos.”

Kultivi estima que cerca de 800 mil brasileiros já tiveram conhecimento de seus serviços e aproximadamente 32,5%, o equivalente a 260 mil, efetuaram o cadastro no site. Atualmente, a empresa conta com mais de 140 mil inscritos no canal de Youtube – com avaliações positivas em 98,3%. Por dia, são em média 40 mil usuários acompanhando as diferentes aulas.

Por enquanto, a plataforma está disponível principalmente no Brasil, mas com uma quantidade considerável de acessos em outros países também de língua portuguesa. Cláudio diz que um dos objetivos da empresa para um futuro próximo é a internacionalização da plataforma, com cursos em outros idiomas.

As edtechs são o maior número de startups hoje no país, presentes em quase todos os estados brasileiros. Metade destas startups apresentam soluções para a educação básica, que além de ter a maior fatia de mercado, é onde estão os maiores déficits no Brasil.

Sobre o cenário para as edtechs, Cláudio está otimista. “O mercado está crescendo muito, mas se compararmos ao que temos ao redor do mundo vemos que há muito a se fazer. Enfim, há muito espaço a ser ocupado”, completa.