* Por Anderson Arcenio 

Com o cenário de startups amadurecendo cada vez mais no Brasil e a taxa básica de juros se mantendo baixa, a diversificação de investimentos através de startups vem se tornando uma possibilidade para pessoas que buscam uma maior rentabilidade e aceitam o alto risco relacionado.

Amadurecimento do ecossistema brasileiro

Temos percebido um crescimento e amadurecimento do ecossistema brasileiro de startups nos últimos tempos.

Já existem mais de 12 mil startups mapeadas, sendo que cinco delas entraram em 2018 para o seleto clube mundial de unicórnios (empresas que atingem o valor de mercado de 1 bilhão de dólares). Em 2019, a lista já aumentou e a expectativa é que esse número cresça ainda mais.

Temos um aumento de comunidades formais e informais por todo Brasil, consolidações de hubs de inovação como o Cubo (Itaú Unibanco + Redpoint eVentures), chegada de grandes fundos de investimento, e ainda a recente assinatura da MP da Liberdade Econômica que traz uma desburocratização para as startups.

Mais uma prova é a existência de diversos programas de aproximação de grandes empresas com startups, e a velocidade com que novas iniciativas vêm surgindo. Como exemplos, podemos citar as do Banco do Brasil, Porto Seguro, Albert Einstein, Grupo Ferrero, AES Tiête, Braskem, Visa e tantas outras.

Indícios não faltam, está sendo construído um cenário cada vez mais propício para as startups brasileiras.

Um novo tipo de investimento

Em resumo, diversificação de investimentos é uma técnica para diluição de risco e maximização de ganhos.

E apesar do amadurecimento do ecossistema brasileiro citado, é preciso deixar bem claro que investir em startups tem um alto risco. Muito maior que bolsa de valores e outras opções de renda variável que talvez você como investidor já esteja acostumado.

Entretanto, diversificar é preciso e temos nas startups mais uma opção atraente de diversificação. Uma opção que exigirá conhecimentos que talvez hoje você não tenha. Conhecimentos de como estabelecer contratos que te protejam como investidor. Como ter acesso e selecionar boas startups e empreendedores. Como diversificar dentro desta diversificação. Como montar um bom portfólio. Como acompanhar seu progresso. Como gerar oportunidades de saída e retorno do investimento. E tantos outros “como” necessários para este tipo de investimento.

Boas opções para quem quer começar

Mas calma, você não precisa aprender tudo isto para começar. Existem opções que podem facilitar este início:

  • Coinvestimento

Você pode investir junto com investidores anjo experientes, seguindo rodadas lideradas por eles. Existem associações como a Anjos do Brasil e a Gávea Angels que podem auxiliar neste sentido.

  • Crowdfunding de investimento

Uma das modalidades mais acessíveis de investimento em startups é o que chamamos de equity crowdfunding.

Através de plataformas online de financiamento coletivo, você pode investir valores a partir de R$ 500 e adquirir pequenas participações em startups. Plataformas como a Eqseed, Kria e outras, fazem uma pré-seleção das empresas, possuem contratos seguros, dentre outros benefícios.

  • Venture builder

Temos também o modelo chamado venture builder, que possui diversas variações, como já expliquei em outro artigo. Mas vou explicar aqui uma delas, que gera uma oportunidade interessante tanto para os novos investidores quanto para as startups.

Imagine virar um acionista (investindo valores viáveis) de uma sociedade anônima de capital fechado que possua um modelo jurídico e de governança capaz de buscar e selecionar startups, montar um portfólio diversificado, acompanhar as startups investidas e criar condições de crescimento para elas, além de buscar oportunidades futuras de venda.

Imagine também, que o investimento captado seja utilizado para montar uma estrutura operacional capaz de auxiliar na gestão administrativa, financeira e contábil das startups, e mais do que isso, oferecer estrutura operacional de marketing e vendas para que a startup venda mais e se consolide mais rápido.

A FCJ Venture Builder, que atua com este modelo, já possui um histórico de realizar um múltiplo de 20 vezes sob o investimento inicial. Mas vale lembrar que o risco sempre existe, e continua sendo alto.

Entendo que investir em startups, mais do que retorno financeiro, gera a satisfação de ajudar a construir algo novo. Algo que pode resolver problemas da sociedade, criar oportunidades e negócios com uma escala inacreditável.

Então avalie o risco, se prepare e entre neste incrível universo de inovação!


Anderson Arcenio é cofundador da Digital Labs, venture builder responsável por criar as startups SalusProtarefa e Cocreare. Também é cofundador do Livebuzz e Sócio da Dinamize. Com 14 anos de experiência com projetos digitais, é pós-graduado em Gerenciamento de Projetos e bacharel em Sistemas de Informação, graduado pela Universidade Estadual Paulista – UNESP.