O Clube do Malte, e-commerce de cervejas especiais, obteve através do equity crowdfunding, recursos para apoiar o crescimento da empresa. Com o apoio da comunidade cervejeira, a marca conquista valores acima da meta esperada e o patamar de maior comunidade de crowdfunding de investimentos do país, em uma só rodada.

Iniciado em dezembro, o projeto de captação tem encerramento com a participação de 663 investidores e o montante de R$1,9 milhão. “Conseguimos atrair investidores apaixonados por cerveja. A oferta fortaleceu ainda mais a comunidade do Clube do Malte e trouxe também novos amigos que agora nos ajudarão a levar nosso negócio para um novo patamar”, destaca o CEO e fundador do Clube do Malte, Douglas Salvador.

Os valores obtidos serão utilizados para consolidar a execução de quatro projetos que têm potencial para triplicar o faturamento do Clube do Malte, hoje próximo de R$ 13 milhões ao ano, e que deve chegar a R$ 40 milhões nos próximos cinco anos. “Decidimos acelerar o crescimento da empresa para o próximo biênio. Para atingir essa meta, reestruturamos o nosso cap table (tabela de captação), abrindo uma janela de 20% de cotas em tesouraria, que serão divididas em duas rodadas de investimento. São 10% agora e mais 10% em uma segunda captação no final de 2019 ou 2020”, revela o CEO.

O projeto de captação foi dividido em duas etapas. Nos primeiros dois meses, janeiro e fevereiro, o Clube do Malte trabalhou especificamente sua base de clientes e parceiros, priorizando quem já está próximo ao ecossistema da empresa. A partir de março, a empresa iniciou um road show para trabalhar um perfil de investidores de tíquete médio maior, como anjos, pequenos fundos ou family offices.

“Essa divisão em etapas foi planejada ao observarmos que o comportamento dos investidores muda de acordo com o tamanho do aporte. Os que colaboram com valores menores são investidores que buscam diversificação de carteira ou mesmo entusiastas de cerveja que têm um prazer especial em fazer parte do Clube do Malte, fato que nos surpreendeu de forma positiva. Já quem colabora com cheques maiores tem um perfil mais participativo, quer estar mais perto do negócio, acompanhar e contribuir”, explica Salvador.  

E percebendo esse comportamento, o projeto prevê ao final da campanha criar o Conselho de Apaixonados por Cerveja (CAC), um grupo de pensadores divididos entre os Conselhos Técnico e de Gestão, composto por acionistas a serem selecionados pelo board da empresa. “Esse grupo de executivos nos ajudará a dar insights para os projetos de crescimento que desenhamos para o Clube do Malte”, afirma Salvador.

A captação, realizada através do Kria, a maior rede de equity crowdfunding do país, teve todo o processo de formalização por meio da ferramenta. “A oferta representou um marco no setor, com recorde de investidores numa única oferta, demonstrando o potencial de empresas inovadoras, como o Clube do Malte, captarem recursos junto a sua comunidade de clientes, fãs e parceiros estratégicos” afirma Michel Porcino, CEO do Kria.

Uma longa história no mercado das cervejas

A marca Clube do Malte surgiu em 2009, quando Douglas Salvador, aos 32 anos, teve o desejo de empreender. A cerveja já era uma paixão e o contato com amigos que trabalhavam no ramo o ajudou a seguir com essa ideia. O negócio começou a operar no ano seguinte, primeiro no formato de loja física. Em 2011 foi criado o site, que mais tarde disponibilizaria o serviço de assinatura.

Com 400 assinantes no início, o modelo passou por uma fase de forte expansão e desenvolvimento e atualmente possui mais de 7 mil cadastros ativos. O site funciona também como um e-commerce padrão, oferecendo compra avulsa para quem aprecia cervejas especiais e quer conhecer novos rótulos, mas não tem intenção de receber o kit (chamado de pack, com planos a partir de R$ 36,90) todo mês. O tíquete médio é de R$ 150.

Por mês, são despachadas cerca de 50 mil garrafas para todo o Brasil. São cerca de 1.000 rótulos trabalhados, entre cervejas nacionais e importadas, a maioria delas artesanais e uma pequena parte de criação própria. Além do CAC, a empresa tem no seu planejamento anual outros projetos que estão em fase final de desenvolvimento. Tudo isso gira em torno do público final, cuja comunidade reúne mais de 140 mil usuários que acompanham a marca pelo site, seja para beber ou conversar a respeito do tema.