De acordo com uma pesquisa divulgada pela LAVCA, Associação para Investimento de Capital Privado na América Latina, o Brasil foi o país que mais investiu em startups nos últimos dois anos e liderou o ranking composto por México, Chile, Colômbia, Argentina e Peru, respectivamente. Intitulado “Inside Another Record Breaking Year”, o estudo realizado pela organização sem fins lucrativos, revela que os investimentos de capital de risco, chamado de venture capital, em startups latino-americanas, quadruplicou desde 2016, saltando de US$ 500 milhões para um recorde de US$ 2 bilhões, registrado em 2018.

Segundo o levantamento anual, o Brasil somou 259 ofertas de investimentos e ficou na frente do México, com 89, e do Chile que obteve 49, em 2018. O unicórnio brasileiro, Ifood, foi a startup que mais recebeu aportes, alcançando a marca de US$ 500 milhões, seguida da colombiana Rappi, que recebeu dois grandes investimentos, um de US$ 217 e outro de US $ 185 milhões, e as brasileiras Nubank, com US$ 150 milhões, e Loggi que ficou com US$ 111 milhões.

As fintechs foram as que mais movimentaram o mercado, cerca de 25% do total de investimentos. Já em relação aos valores investidos, o setor de logística e distribuição recebeu a maior quantia de aportes, com 46%, seguido das fintechs (25%) e o setor de transportes (7%).

Citada na pesquisa na fase de seed (investimento semente), a Bossa Nova Investimentos é líder absoluta sendo responsável por 1 em cada 4 aportes realizados na América Latina, em 2018. A empresa fechou o ano com 115 propostas de investimentos e pretende fazer 150 novos aportes em 2019. “Os números comprovam que há um potencial assombroso no Brasil em relação a novos negócios e um mar imenso em que se pode navegar. O mais importante, neste sentido, é aproximar as startups promissoras de investidores qualificados”, revela Pierre Schurmann, CEO da Bossa Nova.

O executivo é otimista ao lembrar do desafio que a empresa assumiu de investir em mil startups até 2020. “Atuamos em um GAP do mercado que são os chamados investimentos pré-seed, quando a startup necessita não apenas de dinheiro mas de apoio para desenvolver sua estratégia e modelo de negócio. Avaliamos o desempenho das empresas desde os primeiros estágios e acompanhamos toda a sua jornada”, explica.

Questionado sobre a possibilidade do mercado caminhar para uma bolha, Pierre é enfático: “temos ainda muitos projetos acontecendo e empreendedores prontos para receber investimentos até que o mercado iniciei um possível alerta de saturação que é quando se tem mais capital do que ativos disponíveis”. Para o empresário, o Brasil deve surfar um crescimento anual de 50% no mercado de venture capital nos próximos três anos, pelo menos.