* Por Maria Eduarda Cury

Desde a aprovação do ensino a distância (EAD) pelo Ministério da Educação (MEC), em 2017, muitas faculdades vêm se tornando adeptas do sistema educacional 100% digital, como a Faculdade Santa Marcelina (FASM), de São Paulo. Sabendo disso, a empresa especializada em tecnologia biométrica FullFace desenvolveu uma ferramenta para identificar e autenticar o aluno, tanto em ambientes digitais como físicos.

O cadastro biométrico da empresa funciona da seguinte maneira: por meio de uma fotografia do estudante são identificados 1024 pontos na região facial que são traduzidos em uma sequência numérica única e particular — uma espécie de CPF facial. A sequência se torna o meio de identificação do indivíduo dentro da máquina e a imagem é deletada permanentemente, o que, segundo a empresa, respeita a Lei Geral de Proteção e Dados.

Em entrevista a Exame, Danny Kabiljo, presidente da empresa, afirmou que a ferramenta surgiu de uma iniciativa para melhorar a relação de confiança entre as instituições de ensino e o aluno e para aprimorar a segurança interna, já que a plataforma também serve para controlar o acesso às áreas administrativas de cada instituição.

A FullFace, que já é conhecida por fornecer soluções tecnológicas de segurança para os setores financeiro, de saúde e aéreo, passou a ser requisitada pelas universidades. Na FASM, a tecnologia já foi testada para aplicação de provas online e os resultados foram satisfatórios, segundo Lúcia Sanchez, gerente do EAD da faculdade: “Tivemos nossa primeira experiência no início de fevereiro com a realização das primeiras provas de ensino a distância. Os resultados foram positivos. Estamos animados com o potencial.”

Além da faculdade paulista, outra que também já testou o sistema foi a Faculdade da Amazônia Ocidental (FAOO), para controlar o acesso à sua biblioteca. Os alunos e não-alunos garantem acesso ao acervo de livros ao registrarem sua biometria facial nas catracas. O diretor-executivo da faculdade, André Costa-Corrêa, diz que a intenção é implementar o sistema em todas as dependências físicas e digitais da universidade.

Questionado sobre a possibilidade de expandir o negócio no Brasil, Danny Kalbijo, da FullFace, diz que mais instituições de ensino estão conversando com a empresa para utilizar a plataforma em seus cursos. No entanto, ele acredita que o sistema deve se tornar mais um diferencial do que algo prioritário para as escolas, uma vez que exige uma mudança radical nas universidades. O futuro do cadastramento biométrico em instituições de ensino depende da aceitação e da utilização pelas escolas e faculdades do país.

* Por Maria Eduarda Cury, para Exame.com