*Por Henrique Volpi

A tecnologia mais revolucionária atualmente é nada mais que um benjamim digital. Ou seja, mais precisamente a API (Application Program Interface), um conjunto de rotinas, protocolos e ferramentas para a construção de aplicações. Basicamente e de forma simplista, as APIs indicam como componentes de software devem interagir.

O ponto importante disso tudo é que diversas empresas de muitos segmentos conversam entre si. Inicialmente as conversas se davam por papel, depois voz e agora por dados. As primeiras integrações de dados eram feitas por planilhas, e-mails ou algum tipo de documentação eletrônica. Depois, iniciaram-se as conexões via “web services”, a primeira versão por assim dizer das APIs atuais.

Com sistemas abertos e cada vez mais complexos, as integrações mesmo via APIs ficam cada vez mais complexas. De fato, a complexidade se dá inclusive no mapeamento total dos processos de cada entidade envolvida nesta “união”. O perfeito entendimento dos “tubos” de conexão são extremamente relevantes, quando falamos de integração com seguradoras ou bancos.

No caso dos bancos, o Brasil começa a desenvolver o caminho para a implantação do conceito do “open banking”. Ele tem o objetivo de aumentar a eficiência e a competição no Sistema Financeiro Nacional (SFN) e abrir espaço para a atuação de novas empresas do setor, segundo o próprio Banco Central. O Comunicado 33.455 estabelece as principais diretrizes que irão orientar a proposta de regulamentação do modelo a ser adotado no Brasil.

Os requisitos estabelecidos pelo Banco Central indicam que deverão ser compartilhadas, inicialmente, as seguintes informações e serviços:

I – produtos e serviços oferecidos pelas instituições participantes (localização de pontos de atendimento, características de produtos, termos e condições contratuais e custos financeiros, entre outros);

II – dados cadastrais dos clientes (nome, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF, filiação, endereço, entre outros);

III – dados transacionais dos clientes (dados relativos a contas de depósito, a operações de crédito, a demais produtos e serviços contratados pelos clientes, entre outros); e

IV – serviços de pagamento (inicialização de pagamento, transferências de fundos, pagamentos de produtos e serviços, entre outros).

Por meio do Open Banking, clientes bancários poderiam, por exemplo, visualizar em um único aplicativo o extrato consolidado de todas as suas contas bancárias e investimentos. Também será possível, por este mesmo aplicativo, realizar uma transferência de recursos ou realizar um pagamento, sem a necessidade de acessar diretamente o site ou aplicativo do banco.

Isso realmente traz reais mudanças para o sistema bancário. E certamente as APIs no mercado de seguro também ajudam a modificar o cenário.


Henrique Volpi é sócio-fundador da Kakau Seguros, formado em Administração pela PUC-SP, com especializações em fintech pelo MIT e em liderança do futuro pela Singularity University. Trabalhou em empresas como BMC, EMC Dell e Servicenow. Foi co-autor do livro “The INSURTECH Book: The Insurance Technology Handbook for Investors, Entrepreneurs and FinTECH Visionaries”.