*Por Dagoberto Hajjar

O setor de TI teve excelente desempenho em 2017 e 2018, mas apresentará resultados muito preocupantes em 2019. A constatação vem da pesquisa que a advance faz trimestralmente para identificar a percepção dos empresários de TI com o momento de mercado. O setor cresceu 10.5% em 2017, 10.9% em 2018 e apenas 2% no primeiro trimestre de 2019 comparado com o mesmo período do ano anterior.

Em Outubro de 2018 os empresários já sinalizavam que o primeiro e segundo trimestres de 2019 poderiam ser “fracos”, porque o governo estaria se estruturando e os consumidores estariam com o “pé no freio”, esperando as definições do governo e mercado para, então, tomarem as decisões de investimentos em TI.

O primeiro trimestre de 2019 apresentou baixo crescimento, entretanto os empresários esperam ter um terceiro e quarto trimestres fortes, mas sem tempo hábil o suficiente para garantir um crescimento maior do que 6% no ano. Este cenário é muito parecido com o que aconteceu em 2009 e 2010. Em 2009 tivemos um crescimento muito próximo de zero, fruto da crise, e que criou um represamento em 2010 gerando um crescimento de 20%.

Para 2020, os empresários também esperam um crescimento de 20%, mas a exemplo do que aconteceu em 2010, muitos empresários não conseguirão tirar proveito desta grande oportunidade de mercado, simplesmente porque não se prepararam para isto.

Comparando ainda os cenários, em 2018, 23% das empresas de TI reduziram o quadro de colaboradores, e cerca de 10% reduziram os investimentos em marketing e vendas, visando um primeiro semestre fraco em 2019. Em 2019 temos cerca de 30% das empresas que não contratarão e nem aumentarão os investimentos em marketing e vendas. Estas empresas, simplesmente não conseguirão crescer os 20% esperados para o mercado, e deixarão este crescimento para seus concorrentes.

Para 2019, 78% dos empresários focarão em expandir suas vendas para outros clientes, mercados ou geografias contra 22% que venderão para a base atual de clientes.

Até 2016 a grande maioria (80%) das empresas que exportavam, começaram a exportar a pedido de um cliente com matriz ou filial em outro país. Em 2016, saindo da crise, começamos ver este índice baixar em detrimento a empresas concorrentes ou negócios startups que já eram “desenhados” com ofertas internacionais. A pesquisa de 2019 mostra que 18% das empresas já exportam, e 31% tem interesse em exportar a curto prazo.

Outro dado interessante da pesquisa, é que no início da crise percebemos uma polarização das empresas, ou seja, empresas indo muito bem e empresas indo muito mal. Este efeito foi brando até 2014, médio em 2015 e drástico em 2016, fazendo com que o dinheiro mudasse, rapidamente, de mãos. Em 2017 a polarização foi reduzindo, trimestre-a-trimestre. Finalizamos 2018 com o menor índice de empresas retraindo desde Janeiro de 2014. Para 2019 teremos um crescimento fraco do mercado de TI, e consequentemente, esperamos ter um aumento da polarização, ou seja, o dinheiro vai mudar de mãos – indo das empresas que terão forte retração para as empresas com forte crescimento.

A polarização nos mostra que temos, de um lado, empresas indo muito bem e de outro lado empresas indo muito mal. Falamos que as empresas que estão indo mal estão “no mundo velho” e as que estão indo bem estão “no mundo novo”. A diferença entre os dois mundos está na “maturidade empresarial”. No mundo novo as empresas analisam o mercado (oportunidades e ameaças), desenham ou redesenham um modelo de negócios para atenderem a demanda de maneira diferenciada, escolhem corretamente uma carteira de ofertas, estabelecem um plano com estratégias e ações, estruturam as áreas de marketing e vendas, e têm grande disciplina na execução do plano.

Teremos um grande segundo semestre em 2019 e um grande ano em 2020. Será que sua empresa está preparada para tirar proveito desta oportunidade?


Foto_Dagoberto_150x150Dagoberto Hajjar trabalhou 10 anos no Citibank em diversas funções de tecnologia e de negócios, 2 anos no Banco ABN-AMRO, e 9 anos na Microsoft exercendo, entre outros, as atividades de Diretor de Internet, Diretor de Marketing e Diretor de Estratégia. Atualmente é sócio fundador da ADVANCE – empresa de planejamento e ações para empresas que querem crescer.