Na última semana aconteceu a primeira edição do Startupi Innovation Tour – São Paulo. O evento percorreu, durante dois dias, algumas das maiores empresas sediadas na capital paulistana que investem em tecnologia, bem como grandes startups que são cases de sucesso no Brasil.

O grupo de participantes iniciou as atividades na quinta-feira, dia 11, no Co.W. Coworking Space unidade Berrini, onde receberam as boas-vindas da equipe Startupi e puderam bater um papo com representantes do ecossistema.

Fernanda Santos, chefe de redação do Startupi, deu um overview sobre a história do site e sua missão de fomentar o empreendedorismo no Brasil. “O mercado hoje é completamente diferente de 4 anos atrás, quando o Startupi se reformulou. Hoje, temos muito mais cases incríveis de tecnologia e inovação no Brasil, então por que não irmos até eles para conhecermos de perto?”. Ela afirma que um dos objetivos do Tour é levar os participantes para conhecerem de perto tanto grandes empresas quanto startups, para que possam enxergar os dois lados deste mercado.

Geraldo Santos, diretor-geral do Startupi, também conversou com o grupo e explicou um pouco sobre a necessidade do mercado de fomentar a geração de negócios entre ambos os lados. “Há pouco tempo, realizamos uma pesquisa com 350 das maiores empresas do Brasil, e apenas 15% delas tinham plano de desenvolvimento com startups. Destas, 85% delas sabiam que precisavam, mas não tinham plano e muito menos verba.”

Ainda hoje, um dos principais gargalos na geração destes negócios é a resistência das grandes empresas em investir com alto risco, como é o caso das startups. “Muito do investimento destas empresa  é de marketing para posicionamento de marca, porque entra na onda. É importante para gerar engajamento, mas se não tem retorno, o ecossistema não cresce. As grandes empresas precisam agir mais rápido, e esse é o nosso papel hoje. 80% dos líderes de inovação não conseguem entrar na era digital por falta de cultura, de acordo com uma pesquisa Gartner”, completa.

ZeroOnze

Lilian Natal, fundadora daPlay2Sell, também compareceu à abertura para explicar aos presentes sobre a importância de ecossistemas sólidos de startups, como é o caso da ZeroOnze, comunidade paulistana. “Minha história se confunde com o ecossistema de comunidades de São Paulo. Eu trabalhava há 15 anos no mundo corporativo, como head de comunicação, mas não queria mais aquilo. Ou eu me tornava CMO ou empreendia. Em 2017 viajei para o Vale do Silício para fazer um curso e conheci o meu sócio, que queria revolucionar a forma como as pessoas aprendiam, principalmente na área de vendas”, explica.

“Quando fundamentos a Play2Sell eu tinha uma filha pequena, por isso não larguei o emprego de início. Foi nessa época que eu conheci o Silicon Drinkabout. Ali eu comecei a entender o que era de fato o ecossistema. No universo corporativo sempre havia quem queria puxar o tapete do outro, empresas inimigas, etc. No empreendedorismo, os empreendedores eles se ajudam, dão dicas, se levantam. Foi essa comunidade que me deu coragem para pular. Larguei o emprego e pulei nesse abismo, porque sabia que a comunidade estava ali para me apoiar”, conta Lilian.

Hoje ela dá palestras, mentorias e ajuda a realizar o Startup Weekend, tudo de forma voluntária, “porque eu quero devolver para a comunidade o que eu aprendi. Eu posso abreviar o caminho das pessoas com aprendizados. A estrutura em São Paulo é melhor que em muitos lugares, mas o fomento é o que fez crescer”, diz. Hoje, são mais de 10 mil startups no ecossistema de São Paulo e 450 coworkings. “O fomento deste negócio faz com que tudo em volta cresça: escritórios, restaurantes, cria unicórnios na cidade, startups de fora crescem aqui, como é o caso da Rappi, e muito mais. É legal conhecer os unicórnios, mas também sobre o que está na base”, completa a fundadora.

Mônica Queiroz, head de inovação e relacionamento do Co.W., também participou do Tour para bater um papo com o grupo. “Está dado que o coworking é uma nova forma de comunicação e fazer negócios. Queremos fazer com que o Co.W. ocupe um espaço cada vez mais relevante nesse ecossistema. Temos uma visão ampla: somos parceiros de marcas gigantes, como Carrefour, Oracle e Unilever, até startups formadas por uma única pessoa. A proposta é essa, ser esse ambiente de multiculturalidade. O mercado entende claramente que tem que inovar, mas não sabe bem como, e o nosso objetivo é facilitar essa missão.”, explica Mônica.

De 0 a 2 milhões

Uma das primeiras visitas do Startupi Innovation Tour São Paulo foi a Neon Pagamentos, uma das fintechs de maior sucesso neste mercado. Quem recebeu o evento foi Lara Mengatti, Relações Públicas da Neon. Ela contou um pouco sobre quando a empresa atingiu a marca de 2 milhões de clientes por todo o Brasil. “Só nas primeiras 48 horas da empresa, foram mais de 5 mil aberturas de contas. Quando você pensa em escalabilidade, este é um número relevante. Hoje já são mais de 4 milhões de downloads e 250 funcionários. Temos mais de 50 vagas abertas atualmente”, diz. A empresa começou, há quase três anos, com apenas oito pessoas, dentro do CUBO Itaú.

“Em 2017, saímos de oito para 100 pessoas na equipe”, conta. No mesmo ano lançaram os Objetivos (investimento em CDB pelo app), e também foi pioneiro em transferências pela Siri e uma das primeiras empresas do mundo a validar compras por selfie.

Em 2018, a empresa lançou o cartão de crédito, um dos produtos mais pedidos pelos clientes da fintech e também recebeu um aporte de R$72 milhões em Series A, um dos mais altos já recebidos por startups brasileiras no ano. Na mesma época, Lara conta também sobre o maior e mais difícil dos desafios até hoje: o decreto de suspensão do banco Neon, antigo banco Pottencial. Poucos dias depois, anunciaram a parceria com o Votorantim, um dos maiores bancos do Brasil. A restituição dos valores dos correntistas foi feita totalmente online e o tempo de pagamento também foi recorde: menos de 30 dias.

“Até o fim do ano de 2018, a empresa mais que dobrou de clientes. Agora, são mais de 4 mil clientes com a conta PeJota. Vamos lançar investimentos para PJ e pagamento de folha de funcionários. Queremos ficar mai robustos para atender melhor as empresas”, explica.

Investimento

A Microsoft, uma das principais empresas de tecnologia do mundo, também não ficou de fora do nosso Tour. Quem nos recebeu na sede em São Paulo foi Franklin Luzes, COO da Microsoft Participações. Ele falou sobre sua história empreendedora e o quanto ela influencia no seu papel na Microsoft. “Sou um exemplo vivo de que dá pra empreender no Brasil”, diz. “É muita ralação, mas dá para ser feito.”

Ao falar sobre o fundo BR Startups, ele diz: “nosso trabalho na Microsoft propicia para que as startups brasileiras ganhem o mundo. Nosso objetivo é colocar o Brasil nas 20 melhores cidades do mundo para startups”. De acordo com estudos, 42% das startups morrem por falta de aderência com o mercado, 29% por falta de dinheiro, e 23% por não terem um time complementar, segundo o CBInsights.

Além de Franklin, a startup Car10 – investida pelo Fundo liderado pela Microsoft -, apresentou ao Tour um pouco de sua solução e como a parceria com a Microsoft é importante para a empresa. “Focamos no mercado de reparação de veículos como primeira solução. No Brasil, é um mercado de 50 milhões de clientes, 90 mil oficinas e R$40 bilhões de faturamento anual”, explica Fábio Gimenez, cofundador e diretor comercial da empresa. Atualmente, a startup possui mais de 3 mil estabelecimentos parceiros em sua rede.

Fernando Gimenez, cofundador, explicou que a startup conheceu a tecnologia de inteligência artificial da Microsoft por meio de um evento. “Lá, tivemos contato com algo que achamos que poderia acontecer, mas achávamos muito distante”, explica. Hoje, a IA da Microsoft auxilia a startup a realizar orçamentos para reparos de automóveis de maneira automatizada, em poucos minutos. Para conhecer a plataforma, acesse aqui.

O Tour também contou com a parceria da Liv Up, startup fundada por Victor Santos e Henrique Castellani, que utiliza tecnologia para oferecer refeições congeladas e snacks da forma mais fresca, natural e saudável possível.

ABC Valley

Daniel Godoy, fundador da Apponte.me, participou do segundo dia de Tour, para falar sobre a comunidade de startups do ABC Paulista e compartilhar experiências de sua trajetória empreendedora. “Decidi empreender lá pelos 20 anos. As faculdades que eu fiz só me mostraram que eu não queria seguir a carreira acadêmica e o modelo tradicional. Eu meio que caí de paraquedas no empreendedorismo”, explica. “Este Tour do Startupi é um evento de comunidade. Para quem está começando agora e também para as grandes empresas, é muito importante que se conectem, conheçam, aprendam com quem já faz.”

No início da carreira com tecnologia, Daniel diz que sua empresa chegou a faturar R$4,5 milhões por ano só criando app. Ele contou também sobre algumas startups que criou – e quebrou – antes da Apponte.me, e os ensinamentos que elas trouxeram. “Se você não conseguir validar seu negócio entre 12 e 24 meses, sua chance de validar é muito menor. Dá para começar startup com pouca grana, desde que os sócios tenham competências complementares. E, principalmente, se você for ouvir todo mundo para quem você for vender que falta alguma coisa no seu produto, você não vende, além de não terminar nunca seu MVP. É preciso trabalhar com o que tem e ir aprimorando no decorrer da jornada”, completa.

Vendas

Para falar sobre vendas, o Startupi Innovation Tour desembarcou na sede do Facebook Brasil. Além de ser a maior rede social do mundo, a companhia também é uma ferramenta poderosa para marcas que queiram alavancar seus negócios.

Carlos Herrera, Channel Sales para América Latina, explicou sobre como são divididos os grupos no Facebook para atender da melhor maneira possível todos os anunciantes da plataforma, que já são mais de 7 milhões. “O grupo de Global Marketing Solutions (GMS) é dividido em Global Business Group (GBG) e Small Business Group (SBG). Este último é onde estão concentrados os pequenos negócios anunciantes do Facebook, que investem desde as menores quantias”, explica.

Globalmente, a rede social possui mais de 2,5 bilhões de usuários ativos por mês. Diariamente, são mais de 1,5 bilhão de pessoas online. No Brasil os números também impressionam: mais de 130 milhões de pessoas utilizam a plataforma mensalmente, e pelo menos 93 milhões todos os dias.”Quando você vê esses números, você precisa pesquisar onde estão direcionadas as suas estratégias de comunicação, de que forma você atinge seu público”, diz Carlos.

Para as startups, a companhia também têm iniciativas. Uma delas é voltada para educação: o Facebook Blueprint, plataforma gratuita para que anunciantes aprendam sobre ferramentas de marketing. São mais de 70 cursos online e parcerias com grandes nomes, como SBA, Udacity, America’s SBDC e mais.

Para fomento, o Facebook criou o Big Bet Club. Venture Capitals  parceiros podem indicar até três startups do seus portfólios para terem suporte do Facebook nas vendas para começarem a escalar. Para participarem, as startups são avaliadas por métricas, e precisam estar abertas para testes com o Facebook e os C-Levels devem estar envolvidos em todo o processo de atendimento do Facebook pelos 6 meses de programa.

Transformação Digital

“Cinco anos atrás a companhia começou a destinar recursos financeiros para inovação, mas voltados para produtos. Era uma área corporativa que respondia ao marketing. Hoje, funciona como uma startup dentro da companhia, utilizando metodologia de design sprint para o desenvolvimento de novos produtos e embalagens”. É assim que Juliana Glezer, especialista em Inovação e Transformação Digital da Nestlé explica sobre o posicionamento da companhia suíça, em busca de transformar seus processos por meio da inovação tecnológica.

Ela explica sobre o método utilizado hoje na companhia, que se assemelha aos processos utilizados por startups para o desenvolvimento de produtos. “A gente queria explorar um novo target, que é a geração Z para bebidas. Escrevemos as ideias em post-its e agrupamos em clusters para aprofundaá-las. A gente sempre parte de um target de consumidor. Desde o princípio a gente envolve o consumidor para feedback. A Nestlé está inovando em produto, e tudo isso por causa dessa mudança estrutural”, diz.

O que antes era pensado como inovação em marketing, agora é em transformação digital. Um concurso de intraempreendedorismo foi lançado pela Nestlé no Brasil, de onde saíram 286 projetos idealizados pelos colaboradores. Desrws, 20 foram acelerados e muitos inovaram em produtos. Foram selecionados 10 finalistas e dois ganhadores. Um dos grupos vencedores criou um e-commerce para a loja Nestlé que fica dentro do prédio da marca, e que agora entrega para um raio de até 15 km. “Uma das ferramentas que será implementada é a de personalizar a caixinha de bombom, graças às ideias dos colaboradores. Trabalhamos muito também com as startups, e é assim que a gente consegue inovar.”

Em breve, lançarão novamente um programa Scale-Up Tech em parceria com a Endeavor. Além de startups do segmento de foodtech, também outras verticais são bem-vindas, como RH, financeiro, etc. Em fevereiro, a companhia lançou no Brasil sua plataforma de inovação, Henri@Nestlé. O primeiro desafio proposto para o mercado foi para minimizar o impacto dos canudos plásticos das embalagens da marca, e 72 startups se inscreveram. O vencedor levará US$50 mil ao final do desafio.

Tecnologia pioneira

Eduardo Martins, cofundador da In Loco, foi o último anfitrião a receber o grupo do Startupi Innovation Tour. Na visita, o Barbixa, como é conhecido, conversou com os presentes para falar sobre a tecnologia da startup, trajetória empreendedora e, principalmente, sobre os aprendizados nestes anos.

A ideia nasceu na Universidade Federal de Pernambuco, e o projeto de faculdade dos quatro fundadores se tornou um negócio de tecnologia única no mundo, que já impactou mais de 60 milhões de pessoas pelo mundo, por meio de 25 mil aplicativos parceiros. A startup desenvolveu uma tecnologia de geolocalização para ambientes fechados.

“Nos baseamos no conceito de computação ubíqua, desenvolvida por Mark Weiser no início dos anos 90. Esse conceito diz que a computação estará em todos os lugares ao nosso redor, sem que a gente se dê conta disso”, diz Eduardo. Quase 10 anos depois da fundação da empresa, a trajetória da In Loco conta com diversas premiações, incluindo um Cannes Lions na categoria publicidade, além de um aporte da Naspers.

“O que trabalhamos aqui sempre foi resiliência. A gente aprende com os erros, conserta, tenta de novo. O que a gente não quer é perder a nossa autonomia e a nossa cultura de startup”, completa.

Jaqueline e Marlene, participantes do Tour, deram seus depoimentos sobre a experiência do evento. Confira:

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