* Por Exame.com

O Pinterest, rede social de busca e armazenamento de imagens inspiradoras, é uma startup avaliada em bilhões de dólares que não se comporta como tal. É um negócio que já reúne 250 milhões de usuários e 1,5 milhão de empreendimentos, tendo o Brasil como um de seus cinco principais mercados, mas permanece modesto em suas aparições — uma raridade entre os unicórnios.

Em sua oferta pública inicial de ações, ou IPO, o Pinterest espera uma avaliação de 11,3 bilhões de dólares na Bolsa de Nova York. O valuation é menor do que o obtido há pouco menos de dois anos, de 12,35 bilhões de dólares. Essa desvalorização, chamada de down IPO, é um sinal de que a rede reconhece que investidores podem tê-la avaliado de forma superestimada. O movimento já foi feito pelo serviço de armazenamento Dropbox, que chegou a valer mais de 10 bilhões de dólares, mas fez seu IPO a um valuation de 9,2 bilhões de dólares e permanece avaliado nessa faixa.

Diferentemente de outras redes sociais, o Pinterest não se baseia nas conversas entre usuários e no compartilhamento de assuntos quentes. Enquanto Facebook e Twitter lutam para combater a propagação de notícias falsas ou bullying virtual, o Pinterest é uma rede em que a inspiração predomina — especialmente as impessoais, como doces enfeitados, apartamentos cheios de design ou o vestido ideal de casamento. Seus usuários, chamados de pinners, salvam imagens e criam painéis temáticos. Segundo o jornal The New York Times, os usuários da rede já pinnaram 175 bilhões de itens em 3 bilhões de quadros virtuais.

O Pinterest se difere de seus colegas também nas finanças. Criado em 2011 por Ben Silbermann, atingiu um feito para unicórnios: depois de três anos de receitas crescendo e prejuízos reduzindo, encerrou no azul. A rede teve receita de 273 milhões de dólares e um lucro líquido de 47 milhões de dólares em 2018.

Seus bons números são ajudados por uma política de pouca queima de caixa e estratégias muito atreladas à geração de ganhos. O Pinterest afirmou ao The New York Times ter “o mensuramento correto de dados” para mostrar às marcas a eficiência da rede. A rede social foca em anunciantes de pequeno e médio porte e se prepara para vender seus anúncios além dos países que têm o inglês como idioma, começando pela França. Além disso, investe na criação de conteúdo local e está desenhando um novo plano de marketing que enfatize os benefícios de aderir ao Pinterest.

Entre contras e prós, o que será do Pinterest?

A modéstia do Pinterest frustrou alguns investidores e funcionários, que falaram ao jornal The New York Times em anonimato. Para eles, a abordagem lenta e reservada fez a rede crescer menos do que poderia. Fundos como o All Blue Capital querem vender sua participação no negócio, alegando que ele ficará pré-histórico se não andarem no mesmo passo do mercado. Empregados afirmam que alguns executivos teriam permanecido no Pinterest se ele tivesse anunciado grandes inovações, como os óculos da rede social Snap em 2016.

Mas não investir em itens com pouca chance de sucesso foi o que fez a rede social apresentar seus bons números — os contras para alguns viram os prós para outros. Se o Pinterest desacelerar até cair no esquecimento, seus críticos estarão corretos. Por outro lado, se a rede social de pins criativos continuar sua expansão, provará que nem todas as startups do Vale do Silício precisam “mover-se rápido e quebrar coisas” para se tornarem unicórnios e empresas de capital aberto, como cunhou Mark Zuckerberg. Em tempos de preocupação sobre cada nova explicação do criador do Facebook, o Pinterest é um sopro de ar fresco a muitos usuários — e aos investidores.

* Por Mariana Fonseca, para Exame.com